Negócios

Sem confiança e emprego, varejo deve continuar em queda


Perspectiva para 2016 é de continuidade da contração das vendas, segundo economistas da Associação Comercial de São Paulo. Lojistas devem monitorar os concorrentes durante a crise


  Por Redação DC 16 de Fevereiro de 2016 às 17:16

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


No período que costuma ser de lucro para o comércio, por causa das festas de Natal, os varejistas amargaram perdas de 2,7% e de 7,1% - na comparação de dezembro com novembro e com o mesmo mês de 2014 - respectivamente. Os dados, relativos ao varejo restrito (que não inclui veículos e material de construção) são da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 

"Foi uma contração que foge ao padrão habitual associado ao período de festas, porém poderia ser explicada, pelo menos em parte, pela antecipação das compras ocorrida durante o Black Friday”, que ocasionaram a surpresa positiva do volume vendido em novembro", segundo análise de economistas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). 

Com uma retração anual que é a pior desde o início da pesquisa do IBGE - e que afeta a quase todos os setores - o varejo vive uma crise que deve continuar, pelo menos enquanto prosseguir a deterioração do mercado de trabalho e a confiança do consumidor permanecer baixa.

Para ter uma ideia, o Índice Nacional de Confiança do Consumidor (INC) da IPSOS/ACSP mostrou nova retração em janeiro, situando-se em novo mínimo histórico.

A retração anual constitui o pior resultado desde que se iniciou a PMC, afetando a quase todos os setores, principalmente no caso de móveis e eletrodomésticos (-14%), e até mesmo no caso de itens básicos como hiper e supermercados (-2,5%).

A única exceção foi o segmento de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, cujas vendas cresceram em 3,0%, embora tenha sido também seu pior desempenho histórico.

O varejo ampliado, que considera todos os setores, também apresentou fortes quedas nas mesmas bases de comparação, que alcançaram a 11,0% e 8,6%, respectivamente.

O resultado anual também constituiu o pior resultado para essa medida abrangente do varejo, influenciado de forma importante pelas contrações recordes de veículos, motos, partes e peças (-17,8%) e material de construção (-8,4%).

"A crise do varejo se explica pela redução da renda das famílias, devido tanto ao aumento da inflação quanto ao enfraquecimento do mercado de trabalho, além da menor disponibilidade do crédito e das maiores taxas de juros.

Tudo isso termina por diminuir a confiança do consumidor, levando à redução em sua intenção de compra", afirmam os economistas da ACSP em nota. 

PREÇO DEVE SER A ARMA DO VAREJO PARA VENDER 

Nem a perspectiva de presentear atraiu os consumidores brasileiros para as compras: no Natal de 2015, a participação em ações promocionais deshoppingscaiu 25% ante 2013. Os dados fazem parte de um estudo bianual do IBOPE Inteligência, realizado em janeiro de 2016 com 979 entrevistados em todo o país. 

Com menos dinheiro, o consumidor teve menos oportunidade de acumular cupons ou participar de mais de um tipo de promoção ao mesmo tempo – um exemplo das dificuldades atuais do varejo, afirma Márcia Sola, diretora executiva do instituto. 

“Nos shoppings, o fluxo de consumidores em dezembro sofreu redução de 4% em comparação ao ano anterior. Com menos pessoas nos corredores, caíram também as vendas e o tíquete médio, afetando a participação dos clientes nas promoções”, completa. 

Apesar de terem proliferado promoções do tipo “comprou-levou” e sorteios, e a data ter se caracterizado como o "Natal das lembrancinhas", o recuo significativo dos consumidores em ações do tipo se deve principalmente à queda na massa salarial, que foi de 8,5%, de acordo com Emílio Alfieri, economista da ACSP. 

A menor disposição para gastar tirou esses clientes dos shoppings, que foram levados a procurar itens com preços mais baixos em lojas de rua, ou a pesquisar ofertas na internet com a ajuda dos seus smartphones, diz o economista. 

A Black Friday, segundo ele, também prejudicou as vendas de Natal, já que o consumidor aproveitou os descontos para comprar antecipadamente. 

LEIA MAIS: Ânimo do consumidor para comprar é o mais fraco desde 2002

Se em anos anteriores os shoppings viveram sua "era de ouro' nas vendas, com o aumento dos custos fixos, como aluguel, condomínios e energia, o repasse para os preços levou o consumidor a procurar outras opções.

Portanto, Alfieri alerta que não adianta repassar custos: o consumidor foge, pois tem a informação ao alcance da mão, e vai comprar onde é mais vantajoso. "Agora, é a loja que tem de monitorar a concorrência", diz. 

Na opinião do economista, agora os shoppings, assim como outras áreas do varejo, precisam pensar em como reconquistar os clientes, seja renegociando contratos e aluguéis, cortando custos ou até trabalhando com marcas de segunda linha.

“No atual cenário, o preço é fundamental”, conclui.   

FOTO: Thinkstock /  *Colaborou Karina Lignelli





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