Negócios

Segmento de casa e construção puxa faturamento das franquias


Alta foi de 7% ante igual período de 2018, segundo o ABF, com destaque para redes do segmento como a iGUi Piscinas (acima). Novos modelos, franqueados multiunidade e e-commerce ampliaram participação


  Por Karina Lignelli 15 de Maio de 2019 às 14:16

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Com as expectativas positivas para a economia no início do ano, o setor de franquias encerrou o primeiro trimestre de 2019 faturando R$ 41,4 bilhões - uma alta de 7% no faturamento e superior aos 5,1% registrados em igual período de 2018. No acumulado em 12 meses (abril/2018 a março/2019), o crescimento ficou em 7,5%.

Os dados são da Pesquisa Trimestral de Desempenho da Associação Brasileira Franchising (ABF) divulgados nesta quarta-feira (15/05). A variação de crescimento de alguns segmentos puxou o resultado positivo - como o de casa e construção, que teve alta de 12,9% no faturamento comparado a 2018.

André Friedheim, presidente da ABF, diz que o número expressivo reflete "não só a expansão de unidades (7,4%), mas o aumento da demanda de reparos e melhorias nos imóveis."

Entre as redes do segmento, o destaque foi a iGUi Piscinas, considerada a maior fabricante, comercializadora e prestadora de serviços de reparos em piscinas, com alto nível de internacionalização, que cresceu 34% no primeiro trimestre de 2019, segundo o seu fundador e presidente Filipe Sisson.   

Em sua avaliação, os resultados são reflexo da gradativa retomada do poder de compra, confiança dos consumidores e soma dos esforços da marca, iniciados no período anterior.

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“Nosso bom indicativo de vendas no primeiro trimestre é prova do quão represado estava o desejo do brasileiro em construir ou reformar. Além disso, não medimos esforços para investir em novas campanhas, na rede franqueada e na constante melhoria no acesso aos meios de pagamento", afirma. 

Em segundo lugar, ficou o segmento de serviços automotivos, que cresceu 12,7% no mesmo período - resultado impulsionado pela recuperação do mercado automotivo de forma geral, segundo Friedheim. 

Também apresentaram bons resultados os segmentos de Comunicação, Informática e Eletrônicos e Serviços e Outros Negócios, com crescimentos de 9,7% e 9,6%, respectivamente.

De acordo com Vanessa Bretas, gerente de inteligência de mercado da ABF, no primeiro  destacaram-se serviços de manutenção e reparo de eletroeletrônicos e de marketing e design digital. No segundo, foram as franquias de logística e serviços administrativos. 

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Voltaram ao grupo dos segmentos que mais crescem o de Saúde, Beleza e Bem Estar, com uma taxa de 9,2% e expansão em unidades de 6,7%, puxado pelo crescimento das óticas e dos serviços médicos e odontológicos. 

André Friedheim lembra que todos os segmentos que mais cresceram estão relacionados a serviços. "É uma área que está passando por uma fase de profissionalização, e são as redes de franquia que têm aperfeiçoado esse modelo junto aos seus franqueados", afirma.

Apesar do cenário econômico complexo, com o agravamento de indicadores importantes como o desemprego e o baixo crescimento do PIB, os ajustes realizados pelas redes de franquias nos últimos três anos - como o desenvolvimento de modelos de negócio mais enxutos e a diversificação de canais de venda, produtos e consumidores - ajudaram a puxar o crescimento, segundo o presidente da ABF. 

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O levantamento também apontou saldo positivo no movimento de abertura e fechamento de unidades, que ficou em 2,5%. O número é maior que o dobro do 1º trimestre de 2018, já que o total de aberturas foi 3,7% maior e o de fechamentos 1,2% - totalizando 156.693 unidades franqueadas no país. 

“Depois de um período de maior conservadorismo, tanto entre redes como entre investidores, notamos uma disposição maior na área de expansão", diz Friedheim. Outro indicador positivo diante do cenário adverso foi o de emprego, que cresceu 2,05% e empregava mais de 1,3 mil trabalhadores no período.

Vale lembrar que os resultados refletem o cenário do início do ano, quando as expectativas para a economia se mantinham no campo do otimismo.

GANHANDO ESPAÇO

Para se adaptar ao novo momento do mercado, e a um consumidor mais exigente e conectado, o franchising tem se expandido por meio de novos modelos, pontos de vendas e formatos. Pelo levantamento da ABF, após alguns anos de queda, cresceu a participação dos shoppings como ponto de venda, de 21,5% em 2018 para 24,9% em 2019.

“Desde o ano passado, os shoppings esboçam uma reação que começa a aparecer em nossos números. A vacância e a mudança do mix, com mais lojas de alimentação e entretenimento, criaram boas oportunidades para o franchising”, afirma Vanessa Bretas.

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Esse movimento, porém, não reverteu outra tendência dos últimos anos - o crescimento dos pontos alternativos, com destaque para o home office, cuja participação passou de 4,9% em 2018 para 6,7% em 2019. 

NA ALL NET, MAIORIA DOS FRANQUEADOS OPERA MÚLTIPLAS UNIDADES
ALL NET: MAIORIA DOS FRANQUEADOS 
OPERA MÚLTIPLAS UNIDADES

Quanto aos modelos de operação, cresceu o quiosque (de 6,5% em 2018 para 8,6% em 2019), mas outras modalidades alternativas tiveram maior participação - caso do home-based (6%) e atendimento em domicílio (2,1%).  

No primeiro trimestre de 2019, o volume de redes que possuem franqueados com mais de uma unidade (ou multiunidade) aumentou, subindo para 82%, contra 74,5% em 2018. Exemplo disso é a All Net, rede de cursos profissionalizantes com 10 multifranqueados em suas 29 unidades. 

Bruno Padrão, diretor de operações da rede, afirma que os multifranqueados da All Net são pessoas que abriram a primeira escola, comprovaram os resultados e abriram a segunda, a terceira e assim por diante. 

“Temos casos, inclusive, de ex-colaboradores da empresa que se tornaram franqueados, decidiram abrir sua própria unidade e hoje possuem mais de uma escola em funcionamento", afirma. "Além de ser algo muito rentável - algumas conseguem chegar até a 40% de lucratividade."  

Já os franqueados multimarca (ou seja, que geram mais de uma unidade de mais de uma marca) tiveram maior estabilidade, com 40% das redes relatando que têm franqueados com este perfil em 2019 (contra 43% em 2018), sendo que a maioria deles trabalha com uma média de de 2 a 4 marcas. 

ESTRATÉGIA DIGITAL 

Pela primeira vez a ABF incluiu no levantamento dados sobre a estratégia de e-commerce das redes. De acordo com a pesquisa, 61,1% delas afirmaram que utilizam as vendas online como canal, ante 42,3% em 2018. Já as que afirmaram que os franqueados participam da estratégia subiu de 30,1% em 2018 para 48,1% em 2019.

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O formato de participação dos franqueados mais utilizado é a de comissão sobre as vendas (79,2%), seguido de loja virtual do franqueado (9,1%) e app de delivery (7,2%).

“São dados bastante reveladores, que mostram que o franchising brasileiro está se adaptando à transformação digital", afirma André Friedheim. "Porém, precisamos ir mais fundo: a retirada em loja franqueada de produtos adquiridos no e-commerce, uma grande oportunidade, é adotada apenas por 0,9% das redes”, finaliza. 

FOTOS: Divulgação