Negócios

Sebrae lança movimento para incentivar o consumo nas MPEs


O dia 5 de outubro, quando serão celebrados 16 anos do estatuto da micro e pequena empresa, será a data oficial do “Compre do Pequeno Negócio”


  Por Karina Lignelli 05 de Agosto de 2015 às 19:11

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


"Não basta ter uma ‘pegada’ de cidadania: a ideia é que o mercado reaja". É com esse espírito, reforçado pela frase do presidente Luiz Barretto, que o Sebrae lançou nesta quarta-feira (05/08), o “Movimento Compre do Pequeno Negócio”, em parceria com a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) e a ABF (Associação Brasileira de Franchising). 

Para incentivar o consumo nos 10 milhões de pequenos negócios, que representam mais de 95% do total de empresas brasileiras, o movimento vai se valer de cinco argumentos: 

1) é perto da sua casa; 
2) é responsável por 52% dos empregos formais; 
3) o dinheiro fica no seu bairro; 
4) o pequeno negócio desenvolve a comunidade 
5) comprar do pequeno negócio é um ato transformador.  

Além de promover uma onda favorável, principalmente no atual cenário recessivo, o movimento, segundo Barretto, terá um conjunto de ações de mobilização até dia 5 de outubro. O dia foi escolhido como data oficial por marcar o lançamento do Estatuto da Micro e Pequena Empresa, há 16 anos.  

Como incentivo para participação das MPEs, o Sebrae fará campanhas na mídia, no Facebook e no Twitter, além de distribuir kits de identificação junto aos consumidores. 

O site conta com uma área de georeferência, por meio do qual as pequenas empresas se cadastram para que o consumidor consulte o ponto de venda mais próxima de sua casa. Desde quarta-feira, quando foi lançado o site, 180 empreendedores haviam se cadastrado, informou o Sebrae.   

A próxima ação será realizada de 21 a 26 de setembro, quando o Sebrae promoverá uma semana de capacitação em todo o Brasil, com consultorias e orientações sobre controle de custos e atendimento ao cliente.  A meta é realizar 300 mil atendimentos do “Sebrae na Rua” ao longo dos cinco dias. 

“A expectativa é que o movimento se torne uma referência para a sociedade, assim como a campanha do Câncer de Mama ou do Dia sem Carro. Não terá data para terminar, e será parte de um processo de mudança de hábito para estimular os pequenos negócios.” 

EM SÃO PAULO, O SUPERMEI    

Em São Paulo, onde operam 2,7 milhões de MPEs, mais de 99% dos CNPJs e 48% dos empregos com carteira assinada no setor, serão realizadas três tipos de ações para incentivar a compra nos pequenos negócios.

A meta é capacitar 1 milhão de pequenos empresários paulistas em todo o Estado, de acordo com Bruno Caetano, superintendente do Sebrae-SP. 

A primeira ação será um programa de educação à distância, em que consultores do Sebrae farão um diagnóstico da empresa para prescrever uma treinamento personalizado ao estágio de cada uma.

A segunda consiste em feirões do empreendedor e encontros de negócios, espaços nos quais pequenos empreendimentos poderão expor seus produtos e serviços.

Mas a grande novidade será o novo programa SuperMei que, segundo Caetano, será lançado até o final do mês, com o objetivo de capacitar o microempreendedor individual para conquistar mercado. A expectativa é de realizar 40 mil atendimentos de MEIs ao longo da semana. 

A recepção do consumidor paulista é tão grande que, segundo um levantamento, 37% declaram comprar dos pequenos negócios. Desse total, 75% afirmam conhecer sua importância para a economia, diz o superintendente.

“Por isso, queremos treinar os pequenos para que influenciem cada vez mais a decisão de compra do consumidor com preço, qualidade, limpeza e organização”, diz Caetano.  

MANTENHA O RESPEITO

O setor de bares e restaurantes, maior gerador de postos de trabalho entre as MPEs, emprega 6 milhões de funcionários em 1 milhão de estabelecimentos no país.

A cada R$ 1 gasto, R$ 2,34 são gerados em setores como móveis utensílios, indústria de alimentos e bebidas. É neste universo que mudanças de hábito já vêm sendo observadas, diz Paulo Solmucci, presidente da Abrasel.   

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“Nos bares e restaurantes, é mais fácil vender produtos dos pequenos do que dos grandes, e o importante agora é garantir sua qualidade”, afirma. Como exemplo, Solmucci cita as microcervejarias, que hoje enfrentam as grandes marcas de igual para igual.

Em relação às franquias, Cristina Franco, presidente da ABF, lembra que os pequenos negócios são a grande maioria, por estarem enquadrados no Simples (faturamento anual de R$ 3,6 milhões).

Impulsionados pela padronização e profissionalização, só no primeiro semestre de 2015, o setor cresceu 11,2% -acima dos 7,7% registrados no ano passado.

“O resutlado mostra que o pequeno negócio faz a lição de casa e funciona bem em qualquer momento da economia”, diz.  

“Esse é um ano de dificuldades, mas ainda mais importante: é o momento de olhar para dentro, se tornar mais eficiente e conhecer melhor seu mercado”, afirma Barreto, ao acrescentar que 729 mil pequenos negócios foram abertos no primeiro semestre. 

Segundo ele, foram 116 mil vagas geradas nas MPEs no primeiro semestre, ante 450 mil que desapareceram nas indústrias de médio e grande porte. "Isso significa que o investimento no pequeno negócio é fundamental para o crescimento do país.”  

Foto: Divulgação/Sebrae             Arte: William Chaussé