Negócios

Recuo de vendas no varejo em maio é de 0,1%


Mas seis atividades tiveram crescimento e evitaram uma queda maior do setor no período, entre elas super e hipermercados, de acordo com pesquisa mensal do IBGE


  Por Agência Brasil 11 de Julho de 2019 às 09:58

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


O volume de vendas do comércio varejista no país recuou 0,1% na passagem de abril para maio. De março para abril, o setor já havia tido uma queda de 0,4%.

Segundo dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE, divulgada nesta quinta (11/07), o varejo também caiu 0,1% na média móvel trimestral.

Nos demais tipos de comparação temporal, no entanto, o comércio teve crescimento: 1% na comparação com maio de 2018, 0,7% no acumulado do ano e 1,3% no acumulado de 12 meses.

Na passagem de abril para maio, a queda foi puxada por apenas duas das oito atividades do varejo pesquisadas: outros artigos de uso pessoal e doméstico (-1,4%) e combustíveis e lubrificantes (-0,8%).

Por outro lado, seis atividades tiveram crescimento e evitaram uma queda maior do setor no período: hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,4%), tecidos, vestuário e calçados (1,7%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,9%), móveis e eletrodomésticos (0,6%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (2,2%) e livros, jornais, revistas e papelaria (0,4%).

O varejo ampliado, que também leva em consideração os setores de materiais de construção e de venda de veículos e peças, teve alta de 0,2% no volume na passagem de abril para maio, apesar das quedas de 1,8% dos materiais de construção e de 2,1% dos veículos, motos e peças.

O varejo ampliado cresceu 0,5% na média móvel trimestral, 6,4% na comparação com maio de 2018, 3,3% no acumulado do ano e de 3,8% no acumulado de 12 meses.

A receita nominal do varejo cresceu 0,8% de abril para maio, 0,5% na média móvel trimestral, 5,8% na comparação com maio do ano passado, 5% no acumulado do ano e 5,3% no acumulado de 12 meses.

Já a receita do varejo ampliado cresceu 0,9% na passagem de abril para maio e na média móvel trimestral, 10% na comparação com maio de 2018, 6,7% no acumulado do ano e 7% no acumulado de 12 meses.
 
ANÁLISE
 
A estabilidade nas vendas do varejo em maio, na comparação com abril, consolida um cenário em que a recuperação do comércio varejista, que vinha desde o fim de 2016, com a saída da recessão, deu uma parada em 2019. A avaliação é de Isabella Nunes, gerente da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Divulgada mais cedo, a PMC de maio mostrou que as vendas do comércio varejista tiveram ligeira queda de 0,1% em maio ante abril. Nas contas de Isabella, na comparação com o nível de vendas de dezembro de 2018, a alta é de apenas 0,1%, sinalizando para a parada na recuperação.

Segundo a pesquisadora do IBGE, a parada na recuperação das vendas é uma resposta às condições de consumo das famílias. Por um lado, o "elevado grau de incerteza deixa consumidor cauteloso", disse Isabella. Por outro, o "mercado de trabalho evolui com entrada muito grande de trabalhadores informais". O trabalho informal, geralmente, paga salários menores do que os empregos formais, com carteira assinada.

"Portanto, a renda média da economia está estável", afirmou Isabella. Segundo a pesquisadora, isso impede um avanço mais robusto da massa de rendimentos, que é o que importa para impulsionar as vendas no agregado. "A massa está crescendo, mas não é suficiente para estender o consumo para além de atividades básicos, como supermercados e farmacêuticos", completou Isabella

Com a parada desde o fim de 2018, as vendas no varejo estão 7,0% abaixo do ponto mais alto da série histórica do IBGE (iniciada em 2001), que foi registrada em outubro de 2014. Já as vendas do varejo ampliado, que inclui as atividades de comércio de veículos e de material de construção, estão 10,2% abaixo do pico, registrado em agosto de 2012.

POSIÇÃO DA ACSP

A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) repercute a leve alta de 1% do varejo restrito nacional em maio, na comparação com igual mês de 2018, conforme divulgado hoje pelo IBGE.

“Os dados são decepcionantes, abaixo das expectativas, primeiramente porque em maio de 2019 houve um dia útil a mais. Em segundo lugar porque a greve dos caminhoneiros de 2018 prejudicou o comércio, gerando uma base fraca de comparação. Por tudo isso, esperava-se um crescimento bem mais robusto”, diz Marcel Solimeo, economista da ACSP.

Ele chama atenção para a queda no segmento de supermercados (-1,2%), na variação anual, em função da greve dos caminhoneiros, que fez com que os consumidores fossem às compras e abastecessem alimentos em maio de 2018, gerando uma base forte de comparação.

“Esse desempenho fraco do varejo em maio vem também do contexto geral da economia, que é de desaceleração. O desemprego ainda é muito alto e os salários começam a cair. Além disso, o crédito destinado à pessoa física é praticamente o mesmo do ano passado. Tudo isso deixa o consumidor cauteloso, fazendo com que ele compre cada vez menos”.