Negócios

Receita das micro e pequenas empresas cai 11,9% em agosto


No acumulado de 12 meses, setor de serviços contribuiu para o resultado negativo no Estado de São Paulo


  Por Rejane Tamoto 19 de Outubro de 2015 às 14:35

  | Editora rtamoto@dcomercio.com.br


A recessão econômica tem atingido com mais força o caixa das micro e pequenas empresas paulistas.

Em agosto, o faturamento real (descontada a inflação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor) desses negócios caiu 11,9% na comparação com igual mês de 2014. Esta foi a oitava queda consecutiva, segundo a pesquisa Indicadores Sebrae-SP

As pequenas empresas faturaram R$ 46,2 bilhões em agosto, o que corresponde a R$ 6,2 bilhões a menos do que o apurado no mesmo mês do ano passado. No acumulado deste ano, a retração foi de 11,2% em relação ao mesmo intervalo de 2014. 

A pesquisa mostra que esse recuo de dois dígitos foi influenciado pela queda na receita do setor de serviços, que foi de 20,3% sobre agosto do ano passado. 

O resultado foi puxado pela redução da demanda por serviços prestados a empresas. De acordo com o Sebrae-SP, foi o maior recuo mensal acumulado em 12 meses para a receita das pequenas empresas de serviços desde maio de 2002. 

"Naquele ano, tínhamos acabado de sair de um racionamento de energia elétrica e a inflação estava elevada e com oscilação cambial abrupta por causa da moratória da Argentina. Havia um quadro de incerteza forte, como o que existe hoje", afirma Marcelo Moreira, coordenador da área de pesquisas do Sebrae-SP.

Ele avalia que o setor de serviços conseguiu resistir por um bom tempo a esse cenário adverso, no qual predomina a queda do consumo. 

O segundo setor que mais registrou perdas foi a indústria, com queda de 11% no faturamento em agosto sobre igual mês de 2014. 

Nesse mesmo período, a receita do comércio recuou 3,8%. A pesquisa mostra que o desempenho do setor não foi pior por causa da base fraca de comparação. Em agosto de 2014, o faturamento real das micro e pequenas varejistas havia caído 16,6% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. 

A retração em serviços levou o faturamento das empresas da Região Metropolitana de São Paulo para baixo. O recuo nessa região do Estado foi de 16,6% em agosto ante o mesmo mês do ano passado. Só não foi maior do que no município de São Paulo, onde a crise está forte e levou a uma redução de 22,3% no faturamento das empresas. 

Nas pequenas empresas do Grande ABC e do Interior, houve retração de 11,7% e de 6,8%, respectivamente. 

"2015 pode ser considerado um ano perdido para as micro e pequenas empresas. O setor de serviços foi o último a cair, mas a crise já estava instalada na indústria e no comércio. O que aconselhamos nesse cenário é que o empreendedor sobreviva e fique atento às oportunidades e mudanças de cenário em 2016, para decidir os rumos de seu negócio", conclui. 

EXPECTATIVAS NEGATIVAS 

A crise já fez as micro e pequenas empresas do Estado a reduzir as folhas de salários em 1,3%, em termos reais. O rendimento médio dos empregados encolheu 1,7% de janeiro a agosto deste ano sobre igual período de 2014. 

Por outro lado, nesse intervalo, houve aumento de 1,7% no total de pessoal ocupado nesses negócios - considerando sócios-proprietários, familiares, empregados e terceirizados. 

"Os pequenos podem trocar dois funcionários por um e trazer familiares para o negócio, de forma a reduzir o gasto", diz Moreira. 

O levantamento feito com 2,7 mil proprietários de micro e pequenas empresas do Estado mostra que houve uma deterioração nas expectativas.

Em setembro, 60% deles disseram esperar que o faturamento da empresa fique estável nos próximos seis meses e apenas 20% esperam um aumento na receita nesse período. No ano passado, essa relação era de 56% e 28%, respectivamente. 

A parcela dos que acham que a economia vai piorar chegou a 38% no último mês, ante 22% que tinham expectativa idêntica no ano passado. 

“O cenário econômico atual é de incerteza, com inflação e desemprego em alta, queda no consumo e no faturamento dos pequenos negócios. Hoje, a preocupação de um dono de micro ou pequena empresa é manter-se vivo no mercado, e aguardar por oportunidades no mercado ou por uma melhora da economia no futuro. Nesse contexto, é importante manter uma boa gestão do empreendimento para conseguir contornar o mau momento”, afirmou em nota Bruno Caetano, diretor-superintendente do Sebrae-SP.

FOTO: Thinkstock






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