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Reabertura do comércio não salva vendas na 1ª quinzena de junho


Com declínio recorde por conta do novo coronavírus, o início de junho foi marcado pela reabertura do varejo, que na capital paulistana registrou queda de 69% nas vendas, segundo o Balanço de Vendas da ACSP


  Por Mariana Missiaggia 17 de Junho de 2020 às 09:50

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Frio, Dia dos Namorados e flexibilização. Nada disso foi suficiente para recuperar os números de vendas do comércio da primeira quinzena de junho, segundo dados do Balanço de Vendas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). 

De acordo com o levantamento, as vendas do comércio paulistano registraram queda média de 69% na comparação com igual período de 2019.

O movimento de vendas à prazo caiu 56,5% na comparação anual, enquanto as vendas à vista recuaram 81,4%. Já em comparação com a primeira quinzena de maio deste ano, o resultado das vendas à vista tiveram aumento de 16,3%, e de 9,4% nas vendas à prazo.

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“O consumidor empobreceu. Profissionais liberais, empregados CLT e informais perderam renda e estão consumindo suas reservas ou se endividando. Com a reabertura ou não do comércio, levará tempo até o consumidor recompor seu orçamento”, diz Marcel Solimeo, economista da ACSP.

Desde a última quarta-feira (10/6), o comércio de rua na capital paulista teve seu funcionamento parcial liberado, podendo operar entre 11h e 15h. E embora o levantamento da entidade considere o movimento do comércio contabilizando cinco dias da reabertura, a queda no consumo ainda é muito grande, segundo Solimeo.

Numa comparação dia a dia após o governo ter reduzido as restrições relacionadas ao covid para as empresas, Solimeo afirma que a atividade econômica ainda se deu de maneira muito fraca.

O Dia dos Namorados, comemorado no último dia 12, não se converteu em vendas, e o mesmo se repetiu no fim de semana, quando os comerciantes esperavam ver mais sacolas cheias.  

De acordo com Solimeo, não é possível traçar nenhuma expectativa de como o varejo irá se comportar, pois ainda não há nenhuma tendência definida. “A reação será gradual e tudo tem um começo. A reabertura já é um marco, mas até o último trimestre do ano deveremos ter um ritmo fraco”.

O Balanço de Vendas é elaborado pelo Instituto de Economia da ACSP, com base em amostra fornecida pela Boa Vista Serviços. 

FOTO: Divulgação