Negócios

Raia Drogasil compra rede Onofre


Segundo Marcílio Pousada (foto), presidente da companhia, o canal de e-commerce da Onofre é um dos mais competitivos do setor, com preços mais agressivos do que os da concorrência


  Por Estadão Conteúdo 27 de Fevereiro de 2019 às 09:35

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Líder em farmácias no País, a rede Raia Drogasil anunciou a aquisição da Onofre, marca que estava nas mãos da gigante americana CVS Health desde 2013. O valor do negócio não foi revelado.

As conversas entre as companhias começaram um pouco antes do Natal. Seis anos depois de entrar no Brasil, a companhia americana não conseguiu ganhar escala e ainda se envolveu numa disputa com os antigos controladores da Onofre, a família Arede. O processo arbitral está tramitando na Câmara Arbitral Brasil-Canadá.

Com 50 unidades, sendo 47 em São Paulo, a rede Onofre, que faturou R$ 479 milhões no ano passado e dava prejuízo, era pouco significativa para a CVS, que faturou em 2018 cerca de US$ 200 bilhões. Por isso, a companhia começou a oferecer o ativo para potenciais interessados, incluindo rivais e fundos de investimento.

LEIA MAIS: A saga de uma família no mundo do varejo

Líder no varejo farmacêutico no Brasil, com 1.849 unidades em 22 Estados, a Raia Drogasil viu oportunidades na Onofre. Segundo Marcílio Pousada, presidente da companhia, o canal de e-commerce da rede é um dos mais competitivos do setor, com preços mais agressivos do que os da concorrência. 

"Compramos a Onofre por um preço competitivo. Sabemos que é um caso de 'turnaround' (virada), mas a Raia Drogasil tem o que aprender com o comércio eletrônico da Onofre", afirma.

O negócio ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Pelo acordo, a Raia Drogasil não vai herdar o processo entre a CVS e a família Arede. "Independentemente da decisão, não vamos ser envolvidos." A CVS teria pago cerca de R$ 700 milhões para comprar a Onofre, segundo fontes. Após a compra, teria encontrado passivos trabalhistas e fiscais não listados pelos antigos donos.

LEIA MAIS: Vendas nas redes de farmácia crescem bem acima do varejo

A Raia Drogasil ainda não definiu se o grupo vai manter a marca Onofre ou se vai converter a bandeira para Raia. "Começamos a negociar recentemente e acabamos de fechar o negócio. Não deu tempo de pensar nesta estratégia", afirmou Pousada. O executivo reconhece que as duas bandeiras têm sobreposição de lojas - mas ressalva que esse problema pode ser contornado.

"Se sobreposição fosse problema, não teríamos feito a fusão da Raia com Drogasil", afirmou Eugênio De Zagottis, diretor de relações com investidores do grupo. A fusão da Raia com a Drogasil ocorreu em 2011. No mesmo ano, a Drogaria São Paulo se fundiu a com a rede Pacheco, criando a DPSP.

"A Onofre foi a primeira aquisição (de uma rede) pela Raia Drogasil desde a fusão. Antes, tínhamos comprado 27 lojas da Santa Marta, que estava em recuperação judicial", afirmou Pousada. O grupo, segundo ele, vai continuar dando prioridade à expansão orgânica da rede. 

Nesta terça, a Raia Drogasil divulgou que encerrou 2018 com receita líquida de R$ 14,8 bilhões, aumento de 12% em relação a 2017.

O lucro líquido da companhia ficou em R$ 548,6 milhões, alta de 7% sobre 2017. As ações da rede fecharam em alta de 3,29%, a R$ 60,94.

FOTO: Divulgação/Lide