Negócios

Raí, craque nos gramados, sucesso como empreendedor social


Raí pendurou as chuteiras em 2000, mas sua marca segue faturando muito. É sócio da Fundação Gol de Letra, garoto-propaganda da Caixa e da rede francesa de hotéis Accor, além de contratado pela France Telecom, GNT e ESPN Brasil


  Por Wladimir Miranda 14 de Setembro de 2016 às 13:00

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


De família simples, mas que sempre deu importância à cultura  -seu pai, Raimundo, leitor voraz de obras sobre a Grécia, queria dar a ele o nome de Xenofonte - Raí Souza Vieira de Oliveira é um homem de bem com a vida.

A marca Raí, rende hoje ao ex-jogador em torno de R$ 300 mil mensais, quase a mesma quantia que recebia em 22 de julho de 2000, quando disputou a sua última partida como profissional de futebol, pelo São Paulo.

O Raí bonitão que, aos 51 anos mantém o porte atlético de seus tempos de jogador e é muito assediado pelas mulheres onde quer que vá, tem uma vida profissional intensa. E lucrativa.

Há onze anos a Caixa Econômica Federal aposta nele como o seu principal trunfo para anunciar feirões de imóveis nas emissoras de rádio e, principalmente, de televisão.

O retorno do dinheiro investido no galã é certo, segundo o Departamento de Marketing da Caixa que, no entanto, se recusa a divulgar detalhes do contrato e os valores pagos ao ex-jogador em suas campanhas publicitárias.

A verdade é que, se a Caixa mantém Raí em seu elenco de anunciantes é porque o lucro e, principalmente, a credibilidade são garantidos.

Por ter jogado cinco anos, de 1993 a 1998, no clube francês Paris Saint-Germain, Raí deixou um excelente relacionamento na França.

E ótimos contatos, que continuam lhe rendendo contratos lucrativos. Como o que ele mantém há quatro anos com a Rede de Hotéis franceses Accor e com a France Television.

A marca Raí é sinônimo de ganhos para o craque também nos meios de comunicação, do Brasil e do exterior.
 
Raí é dinâmico. Viaja constantemente para a Inglaterra. Atualmente faz um curso de mestrado em gestão esportiva em Londres, para onde vai a cada dois meses.

“Fiz questão de voltar a estudar. E dei prioridade a este curso em Londres. É renovador viajar, principalmente para a Europa”, afirma.

Raí gosta de ser chamado de empreendedor social.

GOL DE LETRA.

Justifica plenamente o adjetivo com o trabalho com crianças carentes que realiza na Fundação Gol de Letra. Fundou a instituição, junto com o também ex-jogador Leonardo, quando ainda calçava chuteiras como jogador profissional.

“Era meu sonho ter uma instituição que desse apoio às crianças necessitadas. Ainda jogava no Paris Saint-German, quando consegui realizar o sonho.”

A Fundação Gol de Letra é uma realidade, reconhecida no Brasil e no Exterior. Atende 2,1 mil crianças, adolescentes e jovens, nas unidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

Raí e as crianças da Fundação Gol de Letra

O empreendedor social Raí se dá muito bem com o Raí comunicador.

Não se incomoda quando é abordado na rua por alguém que quer comentar suas opiniões nas emissoras de televisão onde já trabalhou ou trabalha.

Raí foi comentarista de futebol na Rádio CBN, do sistema Globo. Foi correspondente da emissora em Londres, mesmo sem ser jornalista formado.

LEIA MAIS: O futebol e os salários dos executivos

“Procuro unir o trabalho com os cursos que faço na Europa. Paguei o período sabático que tive em Londres com o que ganhei como correspondente da Rádio CBN”, lembra ele.

Antes dos Jogos Olímpicos Rio-2016, Raí foi contratado pelo GNT, canal a cabo do Sistema Globo, para fazer uma série de programas em Londres, sede dos Jogos Olímpicos de 2012.

E não é só isso. Ele é embaixador, contratado e com salário, que não revela de quanto é, da France Telecom, televisão estatal da França, e da ESPN, emissora do Grupo Disney, especializada em esportes e que opera no mundo todo, inclusive no Brasil.

“Em 2002, o Raí recebia em torno de setenta propostas por mês para fazer comerciais ou dar palestras.

Hoje, ele recebe cerca de 800 propostas para palestras, aqui e no Exterior, participa de eventos e para fazer anúncios publicitários. Não aceitamos todas. Aliás, aceitamos conversar apenas a respeito de algumas propostas.

Zelamos muito pela imagem do Raí. Queremos vê-la associada a produtos que tenham a ver com o seu perfil de educador e muito ligado à cultura. E posso garantir que os ganhos do Raí hoje são relevantes”, diz Paulo Velasco.

Raí está na lista de top 10 das celebridades que mais aparecem nas telas da tv em comerciais. Até 2014 fazia comericiais da Volkswagen, Veja Multiuso e Sony.

RAÍ + VELASCO

Velasco cuida da imagem de Raí e de outros ex-atletas, como o ex-goleiro Zetti, que era companheiro de Raí no grande time do São Paulo comandado por Telê Santana na década de 1990, da Magic Paula, jogadora consagrada de basquete.

Tinha contrato com Sócrates, saudoso craque que deixou saudades nos corações de todos os corintianos, irmão de Raí. A Raí + Velasco também cuida da imagem do arquiteto e designer de móveis brasileiro Ruy Ohtake. Raí e Paulo Velasco são sócios e amigos.

Raí é um amante de cinema.

Viu recentemente o último filme dirigido por Woody Allen, Café Society, e diz que adorou. E por gostar tanto da Sétima Arte, Raí tem até um cinema.

Trata-se do Cine Sala, que fica em Pinheiros, na Zona Sul de São Paulo. Em 2014, Raí e Paulo Velasco decidiram restaurar uma velha sala de cinema. O valor gasto na reforma, não revelado por Raí, veio de apoio de empresas parceiras e dos investimentos da dupla.

Não se arrependeram. O Cine Sala, que resgata as antigas salas de cinemas de ruas de São Paulo - atualmente a grande maioria das salas de projeção fica dentro de shoppings centers em São Paulo e em todo o país-, é um dos xodós do empreendedor social Raí. Inaugurada em outubro de 2014, foi eleita em 2015 a sala de cinema mais confortável da cidade pela Folha de S. Paulo.

Outra ideia que foi viabilizada pela dupla Raí/Velasco, e que é motivo de orgulho, é a Sala Raí.

Raí e seu sócio e amigo Paulo Velasco/Divulgação

Fica no Estádio do Morumbi e transformou-se num dos camarotes mais frequentados do estádio são-paulino. É lá que Raí recebe amigos e  patrocinadores. O espaço não funciona apenas em dias de jogos. Está à disposição de empresas que queiram fazer lá seus eventos também nos grandes shows musicais.

A Sala Raí, com 180 m², é um excelente espaço para a realização de eventos para a realização de eventos sociais, culturais e corporativos.

“Muitas propostas para o Raí dar palestras ou então fechar contratos publicitários acontecem na Sala Raí. É importante dizer que não temos obsessão em gerar receitas. O que nos impulsiona é manter a nossa performance financeira.

Queremos qualidade, ligada ao perfil do Raí, e não quantidade”, afirma Paulo.

Raí é um sujeito despojado.

Adora andar a pé pelas ruas de São Paulo. Também é usuário do metrô. Adquiriu o hábito quando jogava na França. Lá, usava o transporte coletivo para ir treinar. Trouxe o hábito para São Paulo. Não tem carro. E garante não sentir a menor falta.

“Posso dizer para você que a única coisa que me irrita na vida é o trânsito. Eu não gosto de dirigir. Fiquei sem carro um período e percebi que me senti melhor. Percebi que era feliz sem dirigir.

Vendi o caro e me livrei das multas. Hoje, com metrô e a prioridade que está sendo dada para o transporte coletivo, carro, para mim, não faz falta. E quando você precisa usar o táxi basta acionar o aplicativo da Uber”, lembra.

Raí diz que anda de metrô sem problemas. Não é assediado. “Dificilmente sou abordado. Acho que muitas pessoas me reconhecem, mas ficam com vergonha de chegarem perto”, afirma.

TURMA DO INFINITO

Outro orgulho de Raí foi ter escrito um livro infantil. "Turma do Infinito", gênero ficção, foi publicado em 2011 pela Editora Cosac Naify.

Consagrado nos gramados _ veja em destaque os títulos que conquistou pelo São Paulo, Seleção Brasileira e PSG _, Raí teve quatro livros publicados sobre sua vida e seus feitos.

Em, 2005, as jornalistas Milly Lacombe e Soninha Francine escreveram “Para ser jogador de futebol – Raí", pela Editora Senac Rio. O jornalista André Plihal escreveu 1992 - O Mundo em três cores (2012) - Editora: Panda Books.

A obra contou a façanha sãopaulina na conquista do título Mundial Interclubes em 1992, na vitória sobre o Barcelona, por 2 a 1.

Como gostar de esporte (2013), uma publicação da Editora: Abril e Raí Auto foto, livro de imagens do craque, publicado pela Editora Olhares.

Raí não diz quanto acumulou como jogador de futebol. “O suficiente para ficar tranquilo”, diz.

Em 1999, aos 33 anos, Raí já era avô. A primogênita Manuela, do casamento com Cristina, de quem hoje é separado, aos 16 anos, deu à luz a menina Naíra. Raí encarou o fato de ser avô tão novo com naturalidade.

XENOFONTE

Sempre foi um líder, dentro e fora do gramado. Como Xenofonte, de quem poderia ter herdado o nome.

Quem evitou que ele se chamasse Xenofonte foi sua mãe, Guiomar. Raimundo, o pai, queria que o filhão fosse registrado com o nome do grego, que combateu na Pérsia na Guerra do Corinto (-395/-387). Raimundo lia tudo o que podia sobre a história da Grécia.

Assim, não pensou duas vezes para colocar os nomes de Sócrates, Sófocles e Sóstenes nos irmãos de Raí, que nasceram antes dele.