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Quem quer morar nos Estados Unidos?


Conheça o EB-5, modalidade de visto que concede Green Card a empresários que investem mais de US$ 500 mil em empresas americanas


  Por Italo Rufino 17 de Outubro de 2018 às 08:00

  | Repórter isrufino@dcomercio.com.br


Há dois meses morando em Bradenton, na costa do estado americano da Flórida, a tradutora Erika Stupiello está esperançosa. Seu filho Bruno, de 17 anos, está cursando o último ano do ensino médio – lá chamado de High School.

Ano que vem, o jovem pretende ingressar em um curso de aviação civil de uma universidade americana. Enquanto espera o application (um processo que equivale ao vestibular brasileiro), Bruno faz aulas de simulação de voo.

Nos momentos em que não está com as mãos em livros ou no manche de aeronaves, ele joga tênis, esporte que também pretende praticar na universidade.

A rotina de Erika também é cheia. Após levar o filho para a escola, é hora de correr – ela já disputou três maratonas. Durante a tarde, a professora licenciada da Unesp faz traduções técnicas e dá cursos onlines para clientes e alunos brasileiros.

ERIKA STUPIELLO, AO LADO DO FILHO BRUNO: ABERTURA DE FRANQUIA
APÓS A OBTENÇÃO DO GREEN CARD(Foto: Acervo Pessoal)

Nos próximos meses, o dia a dia da família deve mudar. Erika pretende empreender.

Na mira estão marcas de franquias de bem-estar ou alimentação saudável.

Só um detalhe separa ela da vida de empresária nos Estados Unidos: o Green Card.

Mas esse empecilho deve ser solucionado em breve.

Há quase dois anos, Erika, junto ao marido, engenheiro agrônomo de uma indústria açucareira que ainda vive no Brasil, solicitou o visto EB-5.

Um dos mais de 20 tipos de visto americano, o EB-5 é uma modalidade que concede o Green Card para pessoas que realizem aportes em empreendimentos com sede nos Estados Unidos.

O investimento precisa ser de US$ 500 mil dólares, num projeto com potencial de gerar e manter no mínimo 10 empregos por dois anos. 

O negócio também precisa estar numa área com taxa de desemprego superior à da média nacional.

A aplicação pode ser feita via um centro regional (agência credenciada ao governo americano que faz a intermediação dos investimentos).

Há também a possibilidade de um empresário investir na própria empresa, que precisa estar instalada nos Estados Unidos, ou realizar a aplicação de forma direta em um negócio de lá. Caso o investimento seja superior a US$ 1 milhão, não há restrição de área geográfica.  

Erika, por exemplo, investiu US$ 500 mil, via centro regional, em um empreendimento da rede de hotéis Four Sessons, que está sendo construído em Miami.

Batizado de Surf Club e localizada em frente ao mar, a expectativa é que o projeto imobiliário gere 45,9 empregos por investidor.

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CAPTAÇÃO DE RECURSOS GLOBAIS

De acordo com Ana Elisa Bezerra, vice-presidente da LCR Capital Partners, empresa americana com atuação em São Paulo que auxilia brasileiros a se qualificarem para o Green Card, atualmente, o Brasil é o país das Américas que mais recebe visto EB-5.

Desde 2010, 581 brasileiros receberam o Green Card por meio da modalidade, de acordo com dados do Departamento de Imigração dos Estados Unidos.

O número cresceu 15 vezes no período, passando de 17, em 2010, para 282 vistos emitidos em 2017.

Para Ana, entre os fatores que desencadearam a maior procura estão a instabilidade econômica e política do Brasil e interesse em investir em negócios nos EUA.

Entre as principais oportunidades de negócio via centro regionais estão projetos imobiliários, como hotéis, prédios corporativos, restaurantes e expansão de franquias.

“O EB-5 é uma forma do governo promover o emprego entre os trabalhadores locais ao mesmo tempo que proporciona captação de recursos de fontes globais para as empresas americanas”, afirma Ana.

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TRÂMITES LEGAIS

ANA ELISA, DA LCR: BRASILEIROS LIDERAM
OBTENÇÃO DE VISTOS EB-5 NAS AMÉRICAS

Após o escolher o EB-5 como melhor formato de visto, o empresário decide se a aplicação será direta ou via centro regional. Caso seja de forma indireta, escolhe o projeto que receberá os recursos.

“É necessário avaliar o histórico da empresa e informações de auditorias independentes”, diz Ana.

Ao mesmo tempo, é preciso contratar um advogado de imigração, que preparará a documentação e fará a petição inicial. Depois, é feito o investimento.

Em média, o prazo para ter aprovação é de dois anos. Incialmente, o Green Card será condicional, com validade de dois anos.

Neste período, a empresário trabalha para comprovar os postos de trabalho gerados. Tendo cumprido as exigências, ele ganha o Green Card permanente.

A partir daí, o empresário não será penalizado se o empreendimento der errado ou falir.

De acordo com Ana, os empresários brasileiros estão mais preocupados com a obtenção do Green Card do que com o retorno sobre os investimentos.

“Mas os projetos, que precisam estar sob risco, também costumam gerar retorno financeiros entre cinco e dez anos”, diz ela.

 IMAGEM: Thinkstock