Negócios

Queda de 0,9% nas vendas do comércio paulistano em setembro


Com consumidores pressionados pelo orçamento e sem data comemorativa, desempenho das lojas ficou abaixo do mesmo mês em 2017, aponta Balanço de Vendas da ACSP


  Por Redação DC 02 de Outubro de 2018 às 10:31

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Sem data comercial para impulsionar o consumo, o movimento do comércio da capital paulista caiu em média 0,9% em setembro, frente ao mesmo período de 2017, de acordo com o Balanço de Vendas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

“Tradicionalmente setembro é um mês fraco para o varejo, pois não conta com data comemorativa. Além disso, neste ano o mês teve um dia útil a menos em relação ao ano passado, o que também prejudica o desempenho das lojas”, afirma Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

As vendas à vista ?que abrangem roupas, calçados, acessórios ?recuaram 3% em setembro na comparação anual, em função da temperatura irregular na cidade.

“Além disso, o consumidor não está propenso a renovar o guarda-roupa porque seu orçamento está sendo comprimido pela alta dos preços de tarifas públicas (luz, transporte, gasolina)”, avalia Burti.

Já o sistema a prazo cresceu 1,3%, “ainda beneficiado pela redução dos juros, uma vez que em setembro de 2017 a Selic estava praticamente três pontos acima do que está agora”, diz ele. O sistema a crédito inclui móveis, eletroeletrônicos e eletrodomésticos.

Variação mensal

Na comparação com agosto, o efeito-calendário foi aspecto preponderante para as diminuições de 16,7% e de 1,6% nas vendas à vista e a prazo, respetivamente, resultando em queda média de 9,8%.

Em setembro houve 24 dias úteis para as lojas paulistanas operarem e em agosto foram 27.

“Essa diferença de três dias foi um fator negativo a mais, visto que o recuo já era esperado, pois em agosto o comércio contou com o Dia dos Pais, fortemente apoiado nos presentes pessoais", diz Burti. "Contudo, a queda no sistema a prazo surpreendeu e pode ter refletido o baixo patamar da confiança do consumidor, que, inseguro diante de um cenário de incertezas na economia e na política, posterga compras de maior valor.”

Acumulado

No período acumulado (janeiro-setembro/2018), as vendas à vista caíram 1,8% no contraste anual, possivelmente impactadas pelo orçamento mais apertado das famílias diante da inflação de serviços públicos; assim, não sobram recursos para aquisição de roupas e calçados.

O sistema a prazo subiu 6,5%, beneficiado pela base fraca e pelo impulso dado pelas reduções dos juros e pelo alongamento dos prazos. A média dos dois sistemas foi de alta de 2,4%.

O Balanço de Vendas é elaborado pelo Instituto de Economia Gastão Vidigal da ACSP com amostra fornecida pela Boa Vista SCPC.