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Quase 70% dos carrinhos de eletroeletrônicos são abandonados


Estudo da Neoatlas e Abcomm mostra que 69,1% das compras geradas em lojas virtuais especializadas não são concluídas. O número é inferior à média geral de 82,3%


  Por Mariana Missiaggia 18 de Maio de 2018 às 13:30

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Problemas técnicos no site, falta de opções de pagamento, prazos de entrega e frete caro são algumas das razões que levam o consumidor a abandonar uma compra que estava prestes a ser efetivada pela internet.

Com a categoria de eletroeletrônicos não é diferente. Um estudo divulgado recentemente pela Neoatlas e Abcomm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico) mostra que 69,1% dos carrinhos gerados em lojas virtuais especializadas neste nicho são abandonados.

Pesquisas de empresas especializadas em comércio eletrônico indicam que a média geral (incluindo 25 categorias) de abandono no checkout é de 82,3%. Já a média mundial é de 50%, de acordo com a Forrester Research.

Outro agravante do mercado online de eletroeletrônicos se dá na média de recompra em e-commerce. Em geral, essa taxa é de 22,6%. No entanto, de acordo com a pesquisa, apenas 15% dos consumidores de eletroeletrônicos voltam a comprar no mesmo site.

Existem várias razões para esse cenário, de acordo com Ricardo Rodrigues, CEO da Social Miner, plataforma de engajamento que ajuda sites a aumentarem suas conversões. Uma delas é que a jornada de compra de um consumidor dessa categoria de produtos é mais longa.

Afinal, o valor do tíquete médio é bem mais alto. Por isso, o cliente investe em pesquisa e dificilmente, adquire algo por impulso. Além disso, o índice de rejeição desses e-commerces também é mais alto.

Esses fatores demonstram que é preciso entender melhor esse público, para fazer ofertas mais assertivas e fidelizar o cliente.

Para Rodrigues, a solução está em instruir o consumidor no processo de decisão, fornecendo mais informações sobre o produto desejado, conteúdos relevantes ou mensagens que o farão engajar com sua marca.

Maurício Salvador, presidente da Abcomm, concorda. Para Salvador, o processo de decisão de compras de eletrônicos, ainda que sendo nas lojas físicas, tem altíssima influência pelo online.

“Devemos admitir que o tráfego das páginas de lojas virtuais de eletrônicos, também gera tráfego e vendas nas lojas físicas”, diz.

PANORAMA DA CATEGORIA 

O estudo também traça um panorama do mercado de eletroeletrônicos no e-commerce brasileiro com base nos números apurados de 2017.

Na divisão regional, a região Sudeste representou 68,2% dos pedidos, liderando o ranking. São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Santa Catarina são os estados com a maior taxa de conversão, com respectivamente 1,7%, 1,7%,1,6% e 1,6%.

A participação dos gêneros na categoria tem uma predominância do público masculino: 58%. Já a faixa etária mais ativa neste tipo de transação é a de 25 à 34 anos (38% do total).

Seguindo o comportamento dos últimos anos, o cartão de crédito desponta como líder em opção de meio de pagamento, totalizando mais de 58,4% dos pedidos captados.

De acordo com a pesquisa, a forte cultura de parcelamento do brasileiro permite que as marcas possam trabalhar preços e promoções de maneira mais atrativa.

 

Outros destaques da pesquisa focada no mercado de eletroeletrônicos:

*A parcela de compras geradas exclusivamente via smartphones da categoria foi de 14%, inferior à média das demais categorias, que foi de 31%.

*O número de pedidos está mais concentrado no segundo semestre com 53,5% das vendas do ano de 2017.

*A categoria de eletroeletrônicos é muito dependente das buscas do Google para conquistar clientes. 56% das compras online acontecem após uma busca no buscador.

*O número de compras com mais de seis parcelas da categoria de eletroeletrônicos foi de 49%, muito superior à média das demais categorias, que foi de 13%.

*A taxa de conversão média da categoria é de 1,7%, levemente superior à do e-commerce geral, que é de 1,4%.

*Consumidores de eletroeletrônicos navegam 67% a mais da média geral dos e-commerces. A taxa de rejeição é de 56,7%, 7% a mais da média geral.

*Somente 2% de todos os pedidos são realizados através de um tablet.

FOTO: Thinkstock