Negócios

Quando é hora de migrar do chat para o e-commerce?


Pequenos negócios que começam vendendo pelo whatsapp e redes sociais precisam de novas ferramentas para ganhar escala. Sem capital para investir, o e-commerce pode ser um bom aliado


  Por Mariana Missiaggia 24 de Abril de 2018 às 08:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Vender pela internet é uma oportunidade para quem quer começar a empreender sem correr tantos riscos. A facilidade e o alcance proporcionado por chats como Whatsapp, Messenger do Facebook e Direct do Instagram atraem muitas marcas para as redes sociais.

Seja qual for a plataforma escolhida, os recursos permitidos para quem possui um perfil empresarial possibilitam aos consumidores a experiência de comprar por meio de fotos e vídeos.

O Instagram, por exemplo, possui 15 milhões de perfis comerciais e 80% dos usuários seguem alguns destes negócios espontaneamente. A maior parte dessas empresas é composta por pequenos e médios empresários que estão apostando em sua primeira empreitada.

Atraídos principalmente pelo custo zero e pela simplicidade do manuseio, muitos empresários vendem unicamente nestes canais e acabam direcionando muito tempo para o atendimento de clientes.

Há cinco anos, a doceira Anne Schuartz fazia das redes sociais como seu principal canal de vendas. E embora sempre tenha funcionado bem, a ferramenta lhe demandava um pouco mais do que na verdade, ela gostaria.

Em datas comemorativas, como Natal e Páscoa, Anne recebia centenas de mensagens solicitando orçamentos ou tirando dúvidas sobre os tamanhos, sabores e versões dos produtos que prepara. Muitas mensagens se convertiam em vendas, outras sequer eram lidas - um tempo precioso desperdiçado.

Situações como a de Anne são vivenciadas diariamente por outros tantos empreendedores. Ao mesmo tempo em que agilizam a comunicação e a conclusão de uma negociação, esses aplicativos também limitam a possibilidade de crescimento do negócio, justamente, por se tratar de uma alternativa manual.

De acordo com Denis Casita, CEO da Performa Web, o uso das redes sociais para prospectar clientes é válido para qualquer tipo de negócio, mas é preciso ficar atento.

De acordo com Casita, muitos empreendedores acabam migrando das mídias sociais para o e-commerce quando eles percebem que aquele modelo de negócio não possui mais ferramentas para sustentar um volume maior de pedidos.

“Tudo é feito de forma manual. Não há ferramentas de pós-venda, trocas, avaliação, e isso tudo complica o operacional. Pelas redes sociais, é possível vender para uma rede mais restrita. Se o objetivo é escalar um pouco o negócio, é preciso de soluções que deem conta”, diz.

Entender novas necessidades e perceber que um negócio está em expansão podem ser bons motivos para criar um e-commerce para sua marca. Mas, afinal quando é a hora de tomar essa decisão?

Este ano, Anne decidiu que sua Páscoa seria diferente. Para ter mais tempo para se dedicar aos pedidos, à escolha de ingredientes e ao desenvolvimento de novos sabores, ela resolveu criar um site para incorporar tecnologia a seu negócio que é totalmente artesanal.

COM E-COMMERCE, A DOCEIRA ANNE AUMENTOU
SUAS VENDAS DE PÁSCOA EM 70%

Além disso, queria entender se o seu modelo de negócio era adaptável ao mundo virtual. Um dos receios da doceira era perder vendas, pois no atendimento pessoal, ela tinha a opção de oferecer docinhos para quem comprava um bolo ou vice-versa. 

Por isso, o modelo de e-commerce escolhido por Anne foi um tanto diferente. Os pedidos são feitos e finalizados pela loja virtual e retirados na loja física da doceira -a exemplo do que fazem alguns grandes varejistas e um processo semelhante ao estabelecido por aplicativos de gastronomia.

O consumidor consegue visualizar o cardápio com todos os preços e coloca no carrinho aquilo que deseja comprar. De lá, os pedidos vão direto para o Whatsapp de Anne, que agora consegue lidar de forma mais organizada com suas encomendas, que na última Páscoa, cresceram 70%.

"Prefiro receber pelo Whatsapp porque ainda consigo manter um atendimento personalizado aos clientes e ter controle daquilo que realmente sou capaz de produzir. Mas, todo aquele tempo tirando dúvidas e passando orçamentos foi eliminado”, diz.

A decisão de migrar das vendas por chat para um e-commerce mais estruturado depende muito de cada empreendedor e de cada projeto. A boa notícia é que já existem muitas plataformas a preços bem acessíveis. A opção de Anne, por exemplo, custou em torno de R$ 4 mil. 

De acordo com Casita, as ferramentas da internet evoluem muito rápido e o tempo todo surgem novos formatos de mídia. Desta forma, estar bem é uma excelente maneira de estar sempre na frente da concorrência.

Uma dica apontada pelo especialista é ficar atento ao nível de sobrecarga que o empreendedor carrega. “Se a pessoa está fazendo tudo no limite e já não tem mais tempo para criar é preciso automatizar a gestão", diz.

MARKETPLACE X E-COMMERCE PRÓPRIO

Outra decisão que antecede a criação de uma loja virtual é a escolha do modelo de negócio a ser seguido: e-commerce ou marketplace? Para Casita, cada modelo guarda suas próprias características - positivas e negativas.

Para alguns especialistas, escolher entre um marketplace e um e-commerce é o mesmo que optar por uma loja no shopping ou na rua.

Assim como os shoppings, os marketplaces geram grande tráfego de visitantes e isso pode facilitar a vida de marcas pouco conhecidas e que não possuem força de vendas para manter os custos de uma loja virtual sozinho, além de driblar a concorrência.

Por outro lado, fica mais difícil se fortalecer como marca porque normalmente, os consumidores creditam a qualidade do seu produto à loja em que está inserido.

Começar um novo negócio sempre demanda algum investimento e decisões. No e-commerce próprio, o empresário se torna responsável por contratar uma plataforma, verificar a ferramenta de pagamentos, desenvolver a identidade visual e estratégias de marketing.

No marketplace, existe uma empresa que se ocupa dessas atividades. Tudo o que empresário precisa fazer é aceitar a percentagem embutida no contrato e passar a vender pelo shopping virtual. Temas como segurança, pagamento, política de privacidade –tudo isso é de responsabilidade do marketplace.

FOTOS: Thinkstock e Divulgação