Negócios

Produtores temem que embargo à carne afete acesso a novos mercados


Avaliação é que a decisão do governo norte-americano causa mais impacto à imagem do produto brasileiro que ao bolso do exportador


  Por Agência Brasil 23 de Junho de 2017 às 18:37

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


Produtores de carne do país temem que a decisão dos Estados Unidos de embargar o produto brasileiro in natura (carne fresca) prejudique o acesso do Brasil a novos mercados.

A preocupação foi revelada pelo vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Hélio Sirimarco, para quem a decisão do governo norte-americano causa mais impacto à imagem do produto brasileiro que ao bolso do exportador.

“A preocupação é mais com a imagem do país como exportador e produtor de pecuária do que com a parte financeira, porque os Estados Unidos não são um importador importante de bovinos in natura”, disse o dirigente da SNA.

Em nota, outra entidade, a Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec), manifestou a crença de que as exportações possam ser retomadas em curto prazo, com base no comunicado norte-americano.

A suspensão da importação foi decidida porque 11% da carne exportada pelo Brasil desde março não passou em testes de qualidade nos Estados Unidos.

Sirimarco lembrou que a venda de carne desse tipo para aquele mercado é recente, mas admitiu que a atitude do governo norte-americano pode ter repercussões sobre outros países, uma vez que o Brasil está tentando abrir novos mercados, como Japão e Coreia.

Sirimarco afirmou que o Brasil é o único exportador de carne vacinada contra a febre aftosa para o mercado norte-americano.

O que ocorreu, segundo ele, foi alguma reação à vacina nos bovinos, que provocou “calombos” na carne, mas nada que altere a qualidade do produto.

Os Estados Unidos têm, porém, normas rigorosas de controle que detectam esses processos e, na dúvida, visando à proteção do consumidor, “eles simplesmente embargam” a importação, comentou.

O dirigente destacou que o Ministério da Agricultura já havia sido comunicado do problema e tinha tomado providências, como a suspensão da exportação de carne para os EUA de cinco frigoríficos, esta semana, como uma medida preventiva.

O ministério, reforçou o vice-presidente da SNA, já está sinalizando a adoção de nova metodologia de inspeção na carne nos frigoríficos, mais rigorosa.

De janeiro a maio, as exportações de carne in natura do Brasil para os EUA atingiram 4,68 mil toneladas, algo em torno de US$ 18,9 milhões.

No mesmo período, a China importou 52,88 mil toneladas. “Ou seja, a importação dos Estados Unidos não chega nem a 10% da [compra da] China e a estimativa para este ano do Brasil, de [exportação de] carnes bovinas, incluindo produtos industrializados, está em 1,5 milhão de toneladas”.

CARNE FRACA

Após a Operação Carne Fraca, mercados como os dos Estados Unidos e da Comunidade Europeia determinaram a fiscalização de 100% da carne brasileira.

"Nós esperamos reverter essa suspensão o mais rápido possível. O primeiro passo é responder essa carta das autoridades americanas já na próxima semana", disse Novacki.

"O mercado dos Estados Unidos é importante não só pelo volume e o que significa, mas porque serve de referência para vários outros mercados", acrescentou.

Foram 17 anos de negociações para que o Brasil conseguisse exportar carne fresca para os Estados Unidos. As exportações começaram a ser feitas em setembro do ano passado.

Novacki atualizou para 15 o número de plantas frigoríficas que exportavam carne in natura para os Estados Unidos. Antes eram 13, sendo que cinco dessas plantas já estavam com as exportações suspensas pelo próprio ministério.

Essas plantas acumularam, de janeiro a maio, US$ 49 milhões em exportação. "Se nós observarmos as projeções poderíamos chegar a US$ 100 milhões até o final do ano", estimou o secretário.

Hoje os EUA representam até 2,79% das exportações de carne bovina fresca brasileira.

A pasta acredita ainda que pode existir uma certa resistência nos Estados Unidos ao produto brasileiro, uma vez que é bastante competitivo.

O mercado brasileiro está aberto aos Estados Unidos, mas eles não conseguiram ter uma grande penetração devido ao preço. O secretário diz que o Brasil foi surpreendido com a decisão dos Estados Unidos de suspender as importações, que ocorreram logo após a suspensão de exportações feita pelo próprio Brasil.

O Serviço de Inspeção e Segurança de Alimentos dos EUA inspeciona todos os produtos de carne que chegam do Brasil e desde março recusou a entrada para 11% da carne fresca.

“Esse valor é substancialmente superior à taxa de rejeição de um por cento das remessas do resto do mundo”, diz a nota do governo americano.

Desde o aumento da inspeção, foi recusada a entrada de 106 lotes de produtos bovinos brasileiros, devido a problemas de saúde pública, condições sanitárias e problemas de saúde animal.

A nota dos Estados Unidos diz que o governo brasileiro se comprometeu a resolver essas preocupações.

FOTO: Thinkstock