Negócios

Produção industrial volta a cair em março


Setor recuou 0,1% na comparação com fevereiro, de acordo com o IBGE. Na comparação anual, houve alta de 1,3%


  Por Estadão Conteúdo 03 de Maio de 2018 às 13:33

  | Agência de notícias do Grupo Estado


A produção industrial brasileira teve um recuo de 0,1% de fevereiro para março deste ano. De acordo com os dados da Pesquisa Industrial Mensal, divulgados nesta quinta-feira (03/05) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Já na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a indústria cresceu 1,3% - a 11ª taxa positiva do indicador.

No ano, a produção industrial acumula aumento de 3,1%. No acumulado de 12 meses, o crescimento é de 2,9%. Na média móvel trimestral, foi registrada queda de 0,7%.

De acordo com o IBGE, com o resultado de maio, a indústria brasileira ainda se situa num patamar 15,3% inferior ao recorde registrado em maio de 2011.

De fevereiro para março, entre as quatro categorias econômicas, foram registradas altas de 2,1% na produção de bens de capital (máquinas e equipamentos), de 1% nos bens duráveis e de 0,2% nos bens semi e não duráveis. A única categoria em queda foi a de bens intermediários, isto é, os insumos industrializados usados no setor produtivo, que recuaram 0,7%.

Quatorze dos 26 ramos industriais pesquisados pelo IBGE tiveram queda na produção, com destaque para as bebidas (-3,6%), produtos farmacêuticos (-4,2%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-4,2%), produtos de metal (-3,2%) e produtos de madeira (-6,1%).

Entre os 12 ramos com alta na produção, os principais destaques foram indústrias extrativas (3,9%), perfumaria, sabões e produtos de limpeza (4,7%), veículos automotores, reboques e carrocerias (1,8%), máquinas e equipamentos (2,8%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (4,9%).

RITMO MENOR 

A queda de 0,1% na produção industrial em março ante fevereiro, na série com ajuste sazonal, sugere que a indústria começou 2018 num ritmo abaixo do fim de 2017, disse André Macedoo coordenador de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ao comentar os dados da Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física (PIM-PF) divulgada nesta quinta-feira (03/05).

"Em termos de ritmo da produção, a produção vem mostrando algum arrefecimento na intensidade", afirmou. 

Para o pesquisador, o cenário de inflação controlada e alguma recuperação do mercado de trabalho explicam a recuperação da indústria, mas a perda de ritmo estaria relacionada a um desemprego ainda elevado.

"A consolidação do ritmo (de avanço) da produção está condicionada à melhora do mercado interno", disse Macedo.

De acordo com sua avaliação, os dados das médias móveis trimestrais deixa claro a perda de ritmo neste início de ano.

O recuo de 0,7% na média móvel trimestral da produção industrial de março foi registrado em 20 dos 26 ramos pesquisados pelo IBGE. É o menor índice de difusão na ótica da média móvel trimestral desde outubro de 2016.

"Desde outubro de 2016 a gente não via um numero tão reduzido de taxas móveis trimestrais no positivo", disse Macedo.

O pesquisador destacou que os dados confirmam a recuperação da indústria, mas ressaltou que as perdas durante a recessão ainda estão longe de serem superadas. Macedo lembrou que a alta de 3,1% na produção do primeiro trimestre, em relação a igual período do ano anterior, foi a quinta seguida nessa base de comparação, mas interrompeu longo período de queda.

"A sequência de cinco trimestres de alta interrompeu 11 trimestres de queda", afirmou. "A gente recuperou uma parte, mas ainda existe uma parte maior a ser recuperada", completou o pesquisador.

DESVALORIZAÇÃO

É cedo para estimar qual será o efeito geral da desvalorização recente do real sobre o ritmo de crescimento da produção industrial ao longo do ano, disse Macedo.

Segundo ele, a alta do dólar atinge a indústria de "forma diferenciada", conforme o ramo industrial. Há reflexos positivos sobre determinados segmentos industriais, especialmente aqueles voltados à exportação, enquanto outras atividades podem ser atingidas negativamente.

"Os efeitos vão precisar ser contrabalançados para entender melhor para onde caminha a produção industrial", afirmou Macedo. "Agora, todo tipo de incerteza traz reflexos importantes sobre confiança para investimentos e consumo das famílias", ponderou.

FOTO: Thinkstock / *Atualizada às 14h20