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Produção de veículos contribui para avanço da indústria


Em abril, produção de veículos automotores subiu 40,6% em abril em relação a abril do ano passado, de acordo com o IBGE


  Por Estadão Conteúdo 05 de Junho de 2018 às 12:52

  | Agência de notícias do Grupo Estado


A produção de veículos automotores subiu 40,6% em abril em relação a abril do ano passado, de acordo com os dados da Pesquisa Industrial Mensal divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Houve crescimento na produção e automóveis e caminhões.

A atividade deu a principal contribuição positiva para o avanço de 8,9% registrado pela indústria brasileira no período, junto com o segmento de produtos alimentícios, que teve expansão de 12% impulsionada pela fabricação de açúcar, derivados de soja e carnes de bovinos.

Outras contribuições positivas relevantes sobre o total nacional em abril em relação a abril do ano anterior foram de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (32,8%), de máquinas e equipamentos (9,6%), de metalurgia (7,4%), de bebidas (11,6%), de produtos de borracha e de material plástico (8,6%).

Outros aumentos também foram registrados em produtos de metal (9,5%), de celulose, papel e produtos de papel (5,2%), de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (7,9%), de confecção de artigos do vestuário e acessórios (8,6%), de outros equipamentos de transporte (15,0%), de produtos de madeira (12,5%), de móveis (13,5%), de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (5,6%), de outros produtos químicos (2,6%), de produtos de minerais não-metálicos (3,7%) e de perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal (7,2%).

Na direção oposta, houve perdas nas atividades de produtos do fumo (-5,6%) e de impressão e reprodução de gravações (-1,3%).

Na comparação com o mês imediatamente anterior, na série com ajuste sazonal, a produção de veículos automotores cresceu 4,7% em abril.

A maior fabricação de automóveis puxou a alta de 2,8% em bens de consumo duráveis no período, junto com as motocicletas. Já os caminhões ajudaram no avanço de 1,4% registrado pelos bens de capital em abril ante março.

AINDA FALTA MUITO

A alta registrada pela indústria em abril mostra uma mudança positiva no ritmo de produção em relação ao que vinha sendo observado neste início de 2018, avaliou André Macedo, gerente na Coordenação de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, o bom desempenho ainda não recupera as perdas registradas nos meses anteriores.

"De fato abril aparece com resultado diferente do que vinha ocorrendo na série com ajuste sazonal", ressaltou Macedo. "A alta de abril é importante, mas ainda insuficiente para compensar a queda desde dezembro. Mesmo com resultado ainda positivo, indústria está 1,3% abaixo do patamar de dezembro de 2017", completou.

Em dezembro ante novembro de 2017, a produção industrial tinha crescido 2,9%. Em janeiro, houve recuo de 2,1%, seguido por ligeiro avanço de 0,1% em fevereiro, e queda de 0,1% em março. 

Segundo Macedo, a menor intensidade da demanda doméstica ainda atrapalha a indústria. Embora as exportações estejam ajudando a impulsionar alguns setores industriais, ele acredita que um nível mais elevado de produção depende de uma maior absorção de pessoas pelo mercado de trabalho, o que aumentaria também a massa de salários em circulação na economia.

"O mercado de trabalho ainda está com dificuldade de absorção de pessoas que estão fora dele. Claro que você não pode imaginar um nível maior de produção sem que você tenha um mercado interno caminhando de forma mais vigorosa. A demanda doméstica ainda está muito enfraquecida", observou o gerente do IBGE.

A indústria operava em abril 14,6% abaixo do pico de produção registrado em maio de 2011.

"Esse distanciamento já foi maior, atingiu 20,9% em outubro de 2016. Então isso mostra que a gente já teve algum tipo de ganho. Mas essa distância também já foi um pouquinho menor, como, por exemplo, em dezembro do ano passado, quando era de 13,4%. Essa diferença entre o patamar de abril e de dezembro deve-se justamente a essa perda que a indústria está tendo neste início de 2018", justificou Macedo.

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