Negócios

Prejuízos com enchente ultrapassam R$ 1 bilhão


Associação Comercial de São Paulo (ACSP) vai reivindicar do poder público isenção de IPTU e redução de impostos estaduais e federais para empresas atingidas


  Por Wladimir Miranda 02 de Abril de 2019 às 19:30

  | Repórter vmiranda@dcomercio.com.br


O temporal do dia 10 de março, que provocou a morte de 14 pessoas na Grande São Paulo, ainda é um tormento para comerciantes e donos de indústrias da Mooca e Ipiranga, os bairros mais atingidos pelas inundações na região metropolitana situados, respectivamente, nas zonas Leste e Sudeste.

A maioria das pequenas, médias e grandes empresas continua com suas atividades paralisadas. Uma das mais atingidas pela inundação, a Sudeste Armazéns Gerais, teve seu galpão de 10 mil metros quadrados inundado pelas águas. Ali estavam depositadas mercadorias de 68 empresas, parte delas de lojas de armarinhos.

De acordo com Marcos Vianna, diretor comercial da Sudeste Armazéns Gerais, os prejuízos da empresa oscilam entre R$ 35 milhões e R$ 40 milhões. Em reportagem da Rede Globo, ele disse que 70% a 80% das mercadorias estocadas foram totalmente perdidas. 

A Novalata Embalagens Metálicas também contabiliza prejuízos. Sua fábrica ficou submersa e paralisada por cinco dias. Foram 3 mil toneladas de aço danificadas pelas enchentes, além de computadores e equipamentos .

“Nunca tivemos água dentro da empresa. E, pelo que conversei com outros empresários, foi a primeira vez que a região foi inundada dessa maneira”, disse ao Diário do Comércio  Rodrigo Seixas Guerrero, diretor comercial da Cyberglass Indústria e Comércio.

Fundada em 1925, e localizada na avenida Henry Ford, a Cyberglass fatura R$ 3,3 milhões mensais com o beneficiamento e distribuição de vidros e está na região desde 2002.

A área de serviços, sala de reuniões, o setor de estoques, todos os departamentos produtivos, o refeitório, tudo ficou inundado. As águas chegaram a atingir três metros de altura. Os estragos foram tantos, que a empresa está até hoje sem poder operar.

“É impossível funcionar normalmente, pois tivemos de lavar todo nosso estoque, mais de 17 mil chapas de vidro, o que representa 130 mil m2 de vidro”, afirma Guerrero.

O maior problema da Cyberglass é que todas as máquinas são importadas (italianas e austríacas) e as placas e inversores ficaram submersos.

Assim, o estrago foi grande, pois tiveram seus componentes queimados. As placas não têm reposição nacional. A importação das peças demora 45 dias. A previsão de retorno ao trabalho na Cyberglass é até o final da próxima semana, totalizando 35 dias sem atividade.

Segundo Rodrigo, o prejuízo da empresa, só de lucros cessantes, até o momento é de R$ 950 mil. “Ainda não temos como fechar a conta para saber de quanto é o nosso prejuízo total. Até porque, ainda estamos comprando equipamentos como placas, drivers e outros, mas posso adiantar que nossas perdas financeiras ultrapassam os R$ 2 milhões”, afirma Guerrero.

Também localizada na avenida Henry Ford há seis meses, a Effeto Logística estocava 25 mil garrafas de vinho importado no dia da enchente. “Perdemos todo o estoque", diz Fernando Arganese, sócio da empresa. "Nosso prejuízo chega a R$ 1 milhão e, apesar de termos seguro, a a seguradora já avisou que não cobre prejuízos por causas naturais”, disse Fernando.

Trata-se de uma empresa de pequeno porte, que emprega quatro funcionários. A maior parte de seus colaboradores é formada por representantes comerciais.

De acordo com estimativas, os prejuízos já ultrapassam a casa de R$ 1 bilhão. As mais de 300 empresas atingidas pelas águas exigem isenções tributárias (IPTU e ICMS entre elas), para minimizar as perdas.

A pergunta que os empresários fazem é: quem vai pagar os prejuízos? As distritais da Mooca e do Ipiranga da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)  promoveram reuniões com os empresários da região para debater a questão.

Nesses encontros, a entidade solicitou que os empresários fizessem um levantamento dos danos financeiros causados pelas inundações.

Com base na documentação, a entidade reivindicará das autoridades municipais, estadual e federal tratamento diferenciado para as empresas prejudicadas -redução ou isenção de impostos como IPTU, ICMS e ISS.

IMAGENS: Divulgação