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Preços na internet sobem 2,70% em setembro, diz Ibevar


Oito de dez itens avaliados no comércio eletrônico tiveram aumentos, segundo o Ibevar. Apesar de a Black Friday ser uma data de promoções, pressões inflacionárias podem influenciar as vendas esperadas


  Por Karina Lignelli 19 de Outubro de 2015 às 18:23

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Os preços de produtos comprados por meio do comércio eletrônico subiram 2,70% em setembro ante agosto, de acordo com o Índice de Inflação na Internet (e-flation), calculado pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar) em parceria com o Programa de Administração de Varejo (Provar).

Em 12 meses, os preços tiveram aumento de 2,33% na comparação com igual período do ano anterior.

Em relação ao mês de agosto, o índice apresentou avanço de 3,65 pontos percentuais (de -0,95% para +2,70%) e aumento de 2,78 pontos percentuais em relação ao mesmo mês do ano passado, quando houve deflação de 0,08%.

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Das dez categorias avaliadas, oito apresentaram inflação mensal: Brinquedos (1,41%), Cine e Fotos (1,46%), Eletrodomésticos (5,53%), Eletroeletrônicos (2,15%), Informática (0,61%), Livros (7,55%), Medicamentos (4,69%) e Perfumaria e Cosméticos (0,32%).

As demais categorias contabilizaram deflação: CDs e DVDs (-5,46%) e Telefonia e Celulares (-2,28%).

CENÁRIO INCERTO 

Se a Black Friday tem sido apontada por alguns como a “salvação do varejo” em 2015, a pressão de alta nos preços dos produtos pode mudar as perspectivas de vendas para a data. O principal impacto vem da alta do dólar e da própria inflação oficial, que tem influenciado uma menor renovação dos estoques

Os aumentos de preços têm aumentado a competição entre os varejistas, já que os consumidores estão comprando menos por conta de fatores como a queda na renda e a alta dos juros, afirma o professor Nuno Fouto, diretor do Ibevar. 

“Nesse ambiente de sensibilidade de preços, muitos consumidores que pretendem ou precisam comprar produtos mais caros (como eletroeletrônicos), e já têm alguma referência de preços, vão ficar atentos à Black Friday”, diz. 

Apesar da pesquisa da E-bit/Buscapé mostrar que há uma considerável intenção de compra para uma das maiores datas promocionais do varejo, as vendas não devem ser tão expressivas como se projeta. "Exceto se os consumidores anteciparem as compras de Natal", sinaliza o professor. 

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Final de ano, segundo lembra, é uma época na qual o gasto médio do consumidor aumenta muito. "Mas nesse ano, esse consumo deve ser menor, já que não há sobra no orçamento para grandes compras. Além disso, as pessoas não se sentem confortáveis para entrar no crediário”, afirma ele, que não vê espaço em 2015 para uma grande Black Friday. 

“Se repetir o ano passado, será espetacular. Mas, diante do atual cenário, vender um pouco já pode ser considerado bom.” 

FOTO: Thinkstock / *Com informações do Estadão Conteúdo