Negócios

Preços do e-commerce caem 0,21% em outubro


Segundo o Ibevar, a alta foi de 2,78% no acumulado do ano. A queda no mês passado mostra que o comércio eletrônico já está realizando liquidações, antes mesmo da Black Friday


  Por Karina Lignelli 12 de Novembro de 2015 às 17:45

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Em outubro, os preços na internet tiveram queda de 0,21% ante setembro, quando a alta foi de 2,7%, aponta o Índice de Inflação na Internet (e-flation), medido pelo Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo) e divulgado nesta quinta-feira (12/11).

O que puxou os preços para baixo no mês passado foi a maior ocorrência de promoções no comércio eletrônico para atrair um consumidor que pesquisa mais e está trocando marcas, em busca de preços baixos. 

Mesmo com queda de preços em cinco das dez categorias mais vendidas – perfumes e cosméticos (-5,85%), brinquedos (-4,27%), cine e foto (-2,3%), livros (-1,84%) e informática (-0,69%) - no acumulado do ano a inflação no comércio eletrônico foi de 2,78%. 

De acordo com o professor Nuno Fouto, diretor do Ibevar, por categoria, a disparidade nas reduções de preços foi grande. Enquanto há lojas que fazem promoções, alguns clientes substituem marcas por outras mais baratas - caso de cosméticos - ou não têm comprado mesmo itens de maior valor agregado, como produtos de informática. 

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Por outro lado, categorias como eletroeletrônicos tiveram alta de 3,95% no mês e de 8,3% no ano e, neste caso, o lojista não tem como fazer promoções porque o preço dos produtos dependem da cotação do dólar

Os medicamentos subiram 0,32% em outubro, mas acumulam alta de 11% no ano, devido às variações de preços motivadas por longos períodos sem reajuste ou altas próximas, determinadas pelo governo. 

Mas o que mais chamou atenção, segundo o especialista, foi a queda de preço dos brinquedos que, em períodos sazonais, como o Dia das Crianças, costumam ter um movimento de alta.  

“Houve uma expectativa de melhora no Dia das Crianças, mas o consumidor está sem renda para isso – o que mostra que a situação realmente não está muito boa”, afirma Fouto.  

Mesmo com a capacidade menor de compra do consumidor, o diretor do Ibevar espera uma Black Friday um pouco melhor, por conta das promoções. Por outro lado, a data pode prejudicar as vendas do Natal - principalmente nos produtos cujos preços dependem da variação do dólar.

“O consumidor está endividado, não vê solução a curto prazo e percebe que a crise econômica atinge cada vez mais emprego, salário e provoca a alta da inflação. O dinheiro está curto, e o que sobra está restrito. Por isso, ele continuará a segurar (as compras)”, finaliza. 

Foto: Thinkstock