Negócios

Portugal e Espanha na mira do franchising brasileiro


De olho na troca de expertise e inovação, parceria dos grupos Bittencourt e Your pretende fomentar negócios nacionais e também europeus que querem expandir globalmente a partir desses países


  Por Karina Lignelli 12 de Fevereiro de 2021 às 07:00

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Não é de agora que as franquias brasileiras conquistaram o exterior. Levantamento da Associação Brasileira de Franchising (ABF) aponta que, em 2019, havia 163 marcas brasileiras operando em 107 países - uma alta de 12% ante 2018. Como principais destinos, Estados Unidos (67), Portugal (44) e Paraguai (36).  

Para levar o modelo de inovação dessas franquias para o mercado europeu, o Grupo Bittencourt, com mais de 30 anos de experiência em franchising, e o grupo português de consultoria em gestão Your, acabam de se associar para ampliar o ecossistema de negócios brasileiro a partir de países como Portugal e Espanha. 

O plano de internacionalização nasce no momento em que a economia global caminha para um processo de incipiente recuperação dos efeitos da pandemia, com a ampliação da vacinação em escala mundial.  

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Além de desenvolver a gestão e expansão de redes de negócios e franchising, o objetivo é fomentar o intercâmbio entre os três países, segundo Lyana Bittencourt, CEO do grupo. 

"A aproximação de mercados em período de recuperação é uma prática comum em todo o mundo. Tem se falado muito na ampliação de ecossistemas com parceiros, e estamos indo ao encontro dessa tendência.”  

O Brasil é um dos países mais desenvolvidos do mundo no sistema de franchising, ocupando a 4ª posição do ranking mundial do World Franchise Council em redes, e a 6ª em número de unidades franqueadas. 

Com tamanha expertise, segundo a especialista, o franchising brasileiro tem muito a contribuir com o europeu em termos de profissionalização e boas práticas em desenvolvimento, gestão e expansão.  

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Além de missões internacionais e projetos de internacionalização, os grupos desenvolverão em conjunto conceitos e avaliação dos canais para expansão que incluem o franchising. “É um mindset totalmente voltado para o cliente, e quando se somam expertises, a entrega é ainda melhor", acredita a CEO,

Ao unir programas especializados em Portugal e na Espanha que envolvem, além do desenvolvimento e expansão, a identificação e implementação da melhor estratégia de canais de venda e distribuição e a formatação de sistemas de franquias, a perspectiva é alcançar um crescimento deste mercado. 

PRONTA PARA IR AO MERCADO PORTUGUÊS, AÇAÍ DA BARRA ESPERA CRISE PASSAR

A operação inicia agora em fevereiro, e a parceria entre os grupos deve fomentar tanto negócios europeus quanto brasileiros que desejam expandir além das fronteiras. 

O intercâmbio também prevê impulsionar a transformação dos negócios, além da criação de oportunidades de investimento. 


 

"Em cenário recessivo, empresas ficam mais favoráveis a se associar e tendem a ir mais longe. Ao alavancar negócios com parceiros de fora da organização, a agilidade da retomada é maior", diz Lyana. 

Para Sara do Ó, fundadora e CEO do Grupo Your, a aliança disponibilizará novas soluções aos clientes. “Essa parceria constituirá mais um elemento de valor acrescentado para as empresas em Portugal e na Espanha, tornando-se um importante apoio ao desenvolvimento e expansão das redes de franquias e negócios."

À ESPERA DA RETOMADA 

Além de ter o idioma como um dos grandes facilitadores dessa aproximação entre Brasil, Portugal e Espanha, os três têm proximidade cultural maior e tendem a aceitar melhor produtos e serviços 'de fora', segundo Lyana Bittencourt. E claro, podem encurtar caminhos para mercados maiores, como China ou Oriente Médio. 

A cultura brasileira é admirada em muitos países da Europa, e os gostos e os sabores também são bem aceitos, explica. No caso do açaí, por exemplo, há um grande mercado importador da fruta nativa.

"Aos poucos, essa cultura do açaí ganhou o mundo com apelo de produto da Amazônia e de suas características funcionais e voltadas à saudabilidade", explica. 

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Com 94 unidades em todo o país e uma fábrica, a rede Açaí da Barra, fundada em Barra Bonita (interior de São Paulo), exemplifica esse modelo de negócio. Após um amplo processo de prospecção realizado com apoio do Grupo Bittencourt, a marca decidiu explorar o mercado externo a partir de Portugal.    

Autodenominada 'o primeiro self-service de açaí do Brasil', com 10 variedades no portfólio, 40 tipos de sorvetes, sanduíches naturais, tapiocas e milk-shakes, a ideia de expansão no exterior surgiu com a procura de interessados em virarem franqueados da marca em outros países, diz o sócio-fundador Everaldo Putti. 

A internacionalização foi a aposta para fortalecer o posicionamento de sua marca no mercado interno, a princípio, pois ir para o exterior é um trabalho de longo prazo até trazer resultados expressivos à franqueadora. "E no mercado interno, a visibilidade de estar lá fora traz esses resultados no curto prazo." 

LYANA BITTENCOURT: DIVERSIFICAÇÃO PARA ABRIR MERCADOS

Porém, com a chegada da pandemia, o processo está em suspenso. Será que o mercado como um todo paralisou? Como fomentar a expansão para o exterior no atual contexto recessivo? 

Colocando em prática a velha máxima 'é na crise que surgem as oportunidades', Lyana Bittencourt explica que há duas abordagens sobre os motivos para diversificação em outros mercados.

Em especial, no momento em que a pandemia continua presente - e, dependendo do mercado, de forma mais severa que na primeira onda.   

A pessimista, claro, tem foco no risco. "Isso pode acarretar numa retomada mais lenta, e de um consumidor mais reticente em consumir, destaca a especialista. 

Já a otimista se baseia em diversificação para diluir riscos e abrir novas frentes, com flexibilidade para negociar com fornecedores. Inclusive no real estate, e no consumidor ávido por voltar à rotina – e às lojas. 

Portanto, o que muda é a estratégia de cada marca. "Ela pode ser mais voltada a se proteger. Ou à aceleração e busca de novas oportunidades que se abriram por conta da pandemia", afirma Lyana. 

No caso da Açaí da Barra, a opção foi focar o trabalho no mercado interno. Pelo menos por enquanto. 

"Aqui, já temos experiência em operar", destaca Putti. "Por isso a retomada acontecerá somente quando houver melhora expressiva do mercado e da pandemia", finaliza o empresário.

FOTO: Divulgação / ARTE: Will Chaussê





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