Negócios

Plié aposta em franquias para se conectar com as consumidoras


Original da indústria, marca de lingeries modeladoras que se ajustam a todos os biotipos femininos migrou para o varejo em 2020, cresceu 40% e planeja chegar a 50 lojas até o final de 2022


  Por Karina Lignelli 14 de Outubro de 2021 às 06:30

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Respeito às curvas. Com esse slogan, a Plié, marca fabricante de lingeries modeladoras (ou shapewears) há mais de 20 anos no mercado, conquistou um público fiel às suas peças confeccionadas em microfibra sem costura e diferentes graus de compressão, destinadas aos mais diferentes biotipos femininos. 

Foi na pandemia que a indústria de capital e fabricação 100% nacionais deu o passo definitivo rumo ao varejo via franchising: o projeto de expansão, iniciado em 2019, gerou, até agora, 11 lojas próprias em shoppings, para sentir o mercado, três unidades franqueadas, e projeção de chegar a 50 até 2022. 

A mudança de rota aconteceu pois, mesmo exportando para 54 países, presente em mais de 5 mil lojas multimarca e no e-commerce desde 2016, as coleções estavam crescendo muito em variedade e diferenciais, segundo o diretor Ron Horovitz. Em suma: o mercado de lingeries estava ficando 'pequeno demais' para a Plié.

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"Era um grande problema, fazíamos testes positivos no e-commerce, mas percebemos que nas multimarcas não havia espaço para expor toda a gama de produtos. E a consumidora acabava não comprando."

Com as franquias, a estratégia foi outra. Além do controle maior sobre exposição dos produtos, de dar à rede condições comerciais diferentes e o acesso a coleções exclusivas, como as linhas Fitness e Shades (para a noite), a ideia principal seria conectar indústria e as consumidoras para melhorar sua experiência.  

Resultado: lojas com guide shop, área que permite o acesso a todo o mix de produtos com modelagens diversas e experiências diferenciadas, transformando-as em um 'ponto de encontro' com a consumidora. 

"Nosso conceito de diversidade, de respeitar todas as curvas das mulheres, significa oferecer um produto para cada momento, respeitando todos os biotipos, do tamanho PP ao plus size", explica. 

ESTOQUE INTELIGENTE

Outro diferencial, testado antes nas lojas próprias para facilitar a operação dos franqueados, é o 'estoque inteligente'. O sistema de reposição automática de acordo com as vendas, no qual a Plié investiu cerca de R$ 2 milhões, não demanda grandes compras nem entregas semanais, segundo Horovitz. 

DETALHE DA LOJA: EXPERIÊNCIA NO GUIDE SHOP

Como 90% dos produtos são perenes (como as linhas Basic e Maternity), não é preciso se preocupar com as peças que entram e saem de acordo com as novas coleções. 

"Isso faz com que o franqueado tenha um melhor controle dos custos referentes ao estoque", destaca. 

Horovitz reforça que o plano de expansão da Plié, a princípio, visa pontos localizados em shoppings centers nas principais capitais ou cidades estratégicas. 

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Com uma flagship (loja-conceito) em Moema, a franqueadora espera que entre 25% e 30% das unidades sejam implantadas como lojas de rua, tanto nas capitais como no interior. 

Tudo sem pressa, escolhendo o melhor ponto, diz. Afinal, não adianta trabalhar só a abertura de lojas para 'dizer que abriu' pois, principalmente agora, isso deixou de ser viável.

"O ponto é o diferencial para obter vendas expressivas e garantir o rendimento do franqueado", afirma. "Essa, aliás, foi uma das principais lições que a marca tirou da pandemia."  

Para 2021, a Plié planeja fechar o ano com alta de 10% no faturamento, e 10 unidades franqueadas. 

SHAPEWEAR, NÃO UNDERWEAR 

Respirabilidade, estímulo à circulação, redução de efeitos da celulite, microbarbatanas para correção postural, tecidos antibacterianos e até uma linha chamada Make Up Skin (algo como 'maquiagem da pele').

Esses são alguns diferenciais das lingeries modeladoras desenvolvidas pela Plié que, apesar da concorrência consolidada, garante substituir modelos tradicionais do dia a dia (underwears) pelos que trazem 'benefícios' (shapewears), com atributos como beleza, conforto e alto valor agregado, segundo Horovitz. 

E põe valor agregado nisso: o tíquete médio da marca é R$ 300, em todos os canais de venda, já que o carro-chefe da Plié é a microfibra de poliamida que promete se ajustar a qualquer tipo de corpo feminino.  

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"Antes havia muito preconceito com esses produtos de compressão", conta Horovitz. "Mas depois do trabalho de diferenciação da marca, a ideia foi desenvolver uma tecnologia com qualidade impar no mercado, e muito diferente do que já existia no Brasil em relação ao conforto." 

Essa diferenciação do portfólio de produtos envolve linhas destinadas à prática de exercícios físicos (‘Fitness’), gestantes (‘Maternity’) e ao pós-operatório, conceito reforçado pela Plié para impulsionar as vendas em 2020.

Como as clientes da marca não buscam preço em primeiro lugar, mas os benefícios quanto à estética, redução de medidas e o conforto - algo importante na pandemia - a Plié cresceu 40% em faturamento puxada pelo e-commerce, que sozinho avançou 80%, e pelas novas lojas.

Sem apelar para táticas do tipo cashback ou cartões-fidelidade, a marca conquistou uma clientela fiel ao oferecer um produto que não só promete "disfarçar imperfeições" sem ser desconfortável, mas principalmente realçar os pontos fortes de cada corpo feminino, destaca Horovitz. 

FOTOS: Fabiano Pedrollo






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