Negócios

Pizzarias entregam 500 redondas por dia em um único endereço


A massa, que custa R$ 10, é comercializada em oito pedaços, recheada de muçarela e calabresa na porta dos estádios. Motoqueiros também percorrem os bairros anunciando a promoção


  Por Mariana Missiaggia 16 de Fevereiro de 2018 às 08:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Em São Paulo, a moda do preço único não se restringe às lojas de roupas e utilidades domésticas.

Há algum tempo, empresários do ramo de pizzarias também investiram nesta modalidade e, aos poucos, consolidam uma nova maneira de vender o produto.

Funciona da seguinte maneira: o motoqueiro se abastece com capacidade máxima, em torno de dez pizzas, buzina, grita pelas ruas e as pessoas acenam para checar as opções disponíveis e comprar.

Pelo preço único de R$ 10, normalmente, os sabores oferecidos são de muçarela, calabresa, milho e frango com catupiry. A pizza é padronizada e leva uma quantidade menor de recheio em relação às tradicionais.

Em meio às seis mil pizzarias paulistanas, que produzem 570 mil redondas a cada dia, Dirceu Campos, dono da Big House, na Zona Norte, se considera um dos pioneiros neste tipo de comercialização.

Em 2013, um de seus clientes encomendou seis pizzas –três de calabresa e outras três de muçarela. Cada uma delas custaria pouco menos de R$ 20. Mas o entregador não encontrou o endereço e retornou com o pedido.

Para não perder o produto, Campos colocou as redondas de volta na motocicleta e saiu vendendo pelas ruas da redondeza, na região da Vila Guilherme. Para tornar a oferta atraente, decidiu anunciá-las por R$ 10.

Em menos de cinco minutos, conseguiu um comprador para o lote todo. Durante algumas semanas, Campos seguiu estudando como poderia transformar aquela ideia bem-sucedida em algo habitual e lucrativo para a pizzaria.

Sair vendendo pelas ruas, como fez da primeira vez, ainda não lhe parecia a melhor estratégia. Ele queria estar em algum lugar em que houvesse massa de público.

MOTOBOYS AGUARDAM FINAL DE PARTIDA COM PIZZAS

“Tive a ideia de fazer um teste durante um jogo do Corinthians, em Itaquera”, diz.

Acertou em cheio. Em menos de uma hora, as 50 pizzas que havia levado estavam vendidas e ele ainda deixou de atender a muitos clientes.

A cada partida, o empresário dobrava o número de pizzas dentro dos isopores e o número de motoboys.

Hoje, ele vende, em média, 250 pizzas por jogo. Mas, em partidas finais e às quartas-feiras, as vendas já ultrapassaram 500 unidades.

Para Campos, em tempos de crise, comprar uma pizza por R$ 10 se tornou para muitas famílias uma maneira econômica de driblar os aumentos recorrentes nos preços da alimentação fora do lar.

Bruna Mendes, gerente da Super Pizza, em Guarulhos, também aderiu à moda das pizzas por R$ 10.

Ela utiliza os mesmos ingredientes da pizza tradicional, que é vendida em média, por R$ 30, porém em menor quantidade.

De acordo com Bruna, uma pizza de muçarela tradicional tem um custo médio de R$ 7. Para as de R$ 10, o custo cai para R$ 3,50.

Diferente da Big House, a Super Pizza não vende em estádios. Os motoboys passam de rua em rua seguindo uma escala organizada pelo proprietário.

Desde que começaram o esquema, há cerca de oito meses, o negócio aumentou o faturamento em 60%. A venda de pizzas de R$ 10 já responde por uma fatia de 80% do faturamento.

PIZZAS SÃO VENDIDAS POR R$ 10
 

“Multiplicando por 1,4 mil pizzas, que é o que normalmente vendemos por semana, a margem de lucro é ótima”.

A proposta é considerada uma saída criativa na opinião de Wilson Borges, consultor do Sebrae –SP. Por se tratar de um segmento muito concorrido, todas as iniciativas são válidas para aumentar o número de vendas.

No entanto, o consultor alerta que é preciso atenção para equilibrar custo baixo e alto giro. As compras devem ser constantemente reavaliadas para que a margem de lucro não seja reduzida.

Além disso, se alguma dessas pizzarias deseja crescer é importante planejar muito bem qualquer movimentação relacionada à expansão. Pois, como toda moda, essa também poder ter um prazo de validade e não necessariamente funciona em qualquer bairro ou cidade.

FOTO: Thinkstock