Negócios

Petz é a nova dona da Zee.Dog


Aquisição traz novas avenidas de crescimento para a Petz, além do desenvolvimento de produtos exclusivos e uso de tecnologia. Operação foi avalia em R$ 700 milhões


  Por Redação DC 03 de Agosto de 2021 às 14:22

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


A Petz, maior ecossistema pet brasileiro, com 144 lojas, anunciou a aquisição de 100% da Zee.Dog, plataforma líder do setor no Brasil e presente em 42 países, referência em branding e inovação. Uma operação avaliada em R$ 700 milhões.

Em comunicado, a companhia afirma que, em 2021, o faturamento bruto estimado da Zee.Dog é de R$ 228 milhões, representando um crescimento esperado de 83% em relação ao ano anterior.

O canal digital deve representar 59% das vendas totais, o qual inclui o app Zee.Now, e os sites Zee.Dog no Brasil e no mundo, que também foram adquiridos pela Pet Center na operação.

Cerca de 30% do faturamento da Zee.Dog é internacional, incluindo também vendas em grandes grupos mundiais do segmento pet como Pets at Home, no Reino Unido, e Chewy, além da recente parceria com a rede de lojas de departamento Nordstrom, nos Estados Unidos.

O comunicado afirma que a transação representa um movimento único de transformação e consolidação do mercado pet, e fundamental para o Petz ser mundialmente reconhecido como o melhor ecossistema do segmento pet até 2025.

A Petz espera usar a experiência da Zee.Dog em gestão de marca e desenvolvimento de produtos exclusivos, além de tecnologia e sua rede de distribuição para pequenos pet shops no Brasil e exterior para criar novos nichos de crescimento.

VEJA COMO FICOU O ECOSSISTEMA DA PETZ

 

O INÍCIO DA ZEE.DOG

A marca fundada em 2011 pelos irmãos Thadeu e Felipe Diz beirou a falência logo no início do negócio, após receber um aporte milionário.

Isso porque os sócios achavam que estavam ricos. Mas perceberam a tempo que o faturamento da empresa não crescia no mesmo ritmo dos custos fixos, e conseguiram dar a volta por cima.

A Zee.Dog começou quando a dupla se viu diante de um nicho de mercado mal explorado. Em 2009, estavam insatisfeitos com o que encontravam nas prateleiras de um pet shop na Califórnia, nos Estados Unidos.

Na época, eram estudantes de hotelaria e Thadeu queria comprar uma guia para o vira-lata que ele e o irmão tinham acabado de adotar.

"Percebemos que a experiência de compra de produtos pet era péssima. E se era assim nos Estados Unidos, no Brasil deveria ser pior", disse Thadeu.

Terminaram os estudos, e paralelamente cursaram aulas de marketing e empreendedorismo. De volta ao Brasil, em 2011, procuraram dois amigos de infância especializados em finanças.

Montaram um plano de negócios e levantaram US$ 10 mil por meio de um site de crowdfunding – financiamento coletivo – entre amigos e desconhecidos que apoiaram a ideia da Zee.Dog, uma loja de acessórios pet de luxo, como guias, coleiras, brinquedos, comedouros e outras coisas.

Juntos, estudaram um mercado que começava a despontar - mas que além de pequeno, era muito pulverizado.

LEIA MAIS: Quer crescer no mercado pet? Então saiba para onde caminha esse setor

O apelo do negócio era oferecer peças com design que conectassem os acessórios dos donos a tudo que seria utilizado pelos cachorros. Ou seja, a bandana do cachorro combinando com o skate do dono. A coleira do animal com a mesma estampa da mochila da dona e por aí vai.

No final daquele ano, o quarteto passou a se dedicar exclusivamente à Zee.Dog, que já estava com seu e-commerce no ar.

Sobrevivendo com as economias que restavam e com as contas praticamente no vermelho, eles já consideravam a possibilidade de desistir quando conseguiram, em 2012, um aporte de R$ 2 milhões do fundo carioca DXA Investments.

Thadeu conta que a sensação era a de que tinham acabado de ganhar na loteria. Nos meses seguintes, os jovens empresários não economizaram. Construíram um escritório próprio e deixaram o espaço onde trabalhavam dentro do fundo de investimentos, que lhes subsidiava, contrataram um número de funcionários muito além do que precisavam e abriram quiosques da marca em shoppings do Rio de Janeiro.

Em pouco tempo, o faturamento já não crescia como antes e eles começaram a usar o cartão de crédito pessoal para pagar alguns custos. Naquele momento, entenderam que além de terem passado dos limites, não estavam preparados para assumir o comando da empresa sozinhos.

"O que sabíamos fazer bem era criar produtos. Por isso, contratamos uma ex-executiva da Nestlé por um salário maior que o nosso para alavancar nossas vendas e enxugamos a equipe", diz.

Nessa reformulação também sentiram que necessitariam de novos fornecedores e os melhores estavam na China. Mesmo sem saber nada de mandarim, Felipe viajou para o país com a missão de fechar negócios. 

"Uma das poucas pessoas que Felipe encontrou falando inglês se tornou nossa diretora de operações de exportações".

Com uma das colaboradoras fora do país, eles tiveram a ideia de ter um diretor de inovação na Espanha para estar mais próximo das tendências europeias e do mercado digital internacional. No Brasil, a equipe do escritório foi reduzida a 12 funcionários.

De 2013 a 2014, a marca cresceu 300% e começou a exportar para 19 países da Ásia e Europa, e os itens passaram a ser vendidos também em outros pet shops, além de lojas próprias.

Em 2013, o mercado de pet decolou. Segundo Thadeu, na época, ainda eram poucas as empresas com diferenciais estratégicos no setor. A Zee.Dog, por exemplo, além de focar em itens de moda para os bichinhos, pratica o que muitos chamam de engajamento no varejo. A marca apoia instituições acolhedoras de cães e gatos e promove a adoção de animais.

"Ao tocar nessa questão, nos mostramos como uma marca engajada e fazemos de nossa marca um propósito. E isso fideliza clientes", afirma Thadeu.

Outra percepção dos fundadores sobre a experiência de compra veio a partir do volume de carrinhos abandonados. Uma simples pesquisa on-line feita com uma parcela dos visitantes da página mostrou que muita gente desistia da compra por não saber o tamanho exato de cada peça para o animal de estimação.

Logo em seguida, os sócios catalogaram todas as raças de gatos e cachorros e disponibilizaram os tamanhos indicados para cada faixa etária na página da marca. Reduziram o abandono de carrinhos em 30% competindo com megalojas e estabelecimentos de bairro.

 






Publicidade


Publicidade



Publicidade



Publicidade




Publicidade



Publicidade




Publicidade