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Petrobras pode sair de atividades fora de suas especialidades


Companhia desenvolve atividades que não são naturais, nem atraem retorno", diz Roberto Castellio Branco (na foto), que vai presidi-la no governo Bolsonaro


  Por Estadão Conteúdo 19 de Novembro de 2018 às 20:30

  | Agência de notícias do Grupo Estado


Roberto Castello Branco, anunciado nesta segunda-feira (19/11), pela equipe econômica do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) como futuro presidente da Petrobras, disse que a petroleira tem de focar somente em atividades que tem competência para fazer. 

"A Petrobras desenvolve outras atividades que não são naturais e que não atraem retorno. O melhor exemplo disso é a distribuição de combustíveis. A estatal ainda é dona da BR Distribuidora. A BR é uma cadeia de lojas, no fim das contas. A competência da Petrobras é na exploração e produção de Petróleo." 

Segundo o futuro presidente da estatal, a Petrobras tem tecnologia e bom estoque de capital humano, altamente especializado. 

"É claro que não consegue fazer tudo sozinha. O ideal é que você tenha um mercado competitivo. Além das medidas de compliance, a competição é o melhor remédio contra corrupção. A corrupção tem oportunidade de se manifestar onde existe monopólio: nos preços, nas relações políticas, pelos favores...Para a Petrobras, a competição será um antídoto permanente contra esse tipo de coisa que a sociedade não tolera mais."

De acordo com o executivo, não faz sentido uma única companhia ter 98% de uma atividade no Brasil, que é o refino de petróleo. "A Petrobras pode rever o monopólio nessa área. A competição é favorável a todos: à Petrobras e ao Brasil", disse.

Castello Branco afirmou que, nos próximos dias, vai preparar seus planos para a estatal. "Pedro Parente fez um ótimo trabalho de compliance e redução de custos.  Esse trabalho deve ser permanente, porque se trata de uma empresa de commodities, cujo principal papel é ter custos baixos Isso vale para a mineração, onde eu trabalhei muitos anos, e também para a indústria de petróleo."

O futuro presidente da Petrobras disse que vai dar continuidade ao processo de redução de dívidas da empresa (desalavancagem). "A empresa já andou muito nessa direção e vai continuar firme."

O escolhido para comandar a estatal também afirmou que é totalmente a favor do livre mercado, e não do controle de preços - política que marcou a gestão da ex-presidente Dilma Rousseff, que segurou os preços dos combustíveis para manter a inflação dentro da meta.
 
Castello Branco disse que vai avaliar caso a caso os ativos que a companhia terá de vender. A Liquigás, por exemplo, será uma dessas empresas. 

A estatal tentou vendê-la no passado recente para o grupo Ultra, mas o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) barrou a operação.

Quem é

Ex-diretor do Banco Central e da Vale, Castello Branco fazia parte do time de especialistas que Guedes reuniu durante a campanha para debater a formulação de propostas econômicas para o então presidenciável.

Castello Branco é visto como homem de confiança de Guedes e seu nome já vinha sendo cogitado para o posto. Mas, como o trabalho de Monteiro à frente da Petrobras era bem avaliado pelo futuro ministro da Economia, havia disposição para que ele seguisse no comando da petroleira.
 
Monteiro mostrou-se, contudo, reticente em permanecer por mais um período na estatal. De acordo com relato feito à reportagem do Estado, ele argumentou a Guedes que o trabalho de reestruturação financeira já havia sido feito na companhia e descreveu o desgaste a que se submeteu nos últimos anos como empecilho para sua confirmação.

Para Guedes, o desenho ideal é ter Castello Branco na Petrobras e Monteiro, que fez carreira no Banco do Brasil, no comando da instituição financeira.
 
Como Guedes, Castello Branco tem formação na Universidade de Chicago, onde concluiu seu pós-doutorado, e já vinha contribuindo com propostas para o programa do futuro governo na área de óleo e gás. Ex-presidente do IBMEC e professor da FGV, ele chegou a fazer parte do conselho da Petrobras durante o governo de Dilma Rousseff.