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Pesquisa vai mapear polos de varejo de rua em SP


ACSP e Mackenzie assinaram um termo de cooperação para identificar os desafios de cada endereço e desenvolver propostas de política urbana


  Por Mariana Missiaggia 22 de Junho de 2018 às 11:28

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Brás, Jardins, Bom Retiro e Pinheiros são bairros de São Paulo que trazem consigo uma série de particularidades. Enquanto uns preservam características residenciais, outros possuem caráter comercial, vida noturna ativa e por aí vai.

No entanto, todos eles compartilham de um mesmo atributo – eles abrigam importantes polos comerciais de rua, ou seja, reúnem diversas lojas do mesmo tipo em alguns quarteirões.

Cada um à sua maneira, desde lojas de noivas até itens de cozinha. Seja de luxo, popular, de moda ou musical, esses bairros movimentam uma imensidão de consumidores para suas lojas diariamente.

O mesmo ocorre em tantas outras regiões com ruas de comércio especializado. Considerada a capital das compras, São Paulo tem mais de 60 ruas temáticas, estima a SPTuris.

No entanto, na tentativa de se tornar um verdadeiro shopping a céu aberto e atrair cada vez mais público, esses polos têm sofrido alguns desgastes.

Para tentar entender a dimensão deste cenário, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e a Universidade Presbiteriana Mackenzie firmaram na última quarta-feira, 20/6, um termo de cooperação técnica destinado a reconhecer os polos de varejo de rua de São Paulo e suas principais dificuldades do ponto de vista econômico e urbanístico.

Trata-se de um trabalho inédito, proposto pela arquiteta e urbanista Larissa Campagner, que também é coordenadora técnica do Conselho de Política Urbana (CPU) da ACSP e professora do Mackenzie.

Durante a pesquisa, serão levantadas as necessidades urbanísticas e econômicas de cada polo, como: acesso a transporte, calçada, estacionamento de carro e bicicleta, arborização, acessibilidade, mobiliário adequado (bancos, lixeiras). Já do ponto de vista econômico, o estudo levantará número de lojas, ramos, faturamento, perfil do consumidor e de cada polo. 

A ideia é melhorar a qualidade dos espaços públicos e facilitar o acesso dos cidadãos aos pontos comerciais. Já o empresário que pretende abrir ou expandir um negócio terá informação para escolher o melhor ponto comercial e o público que quer atingir.

A assinatura do termo de cooperação que oficializa a parceria foi realizada por Alencar Burti, presidente da ACSP, e Benedito Guimarães Aguiar Neto, reitor da Universidade Mackenzie.

“Com essa união com o Mackenzie, que tem mais de um século de experiência, vamos ajudar a melhorar problemas estruturais do município e dar uma imensa contribuição para a sociedade. O projeto abre um precedente para parcerias futuras”, diz Burti.

O encontro também contou com a presença de Milton Flávio Moura, presidente do MackPesquisa, José Inácio Ramos, diretor-Presidente do Mackenzie, José Paulo Fernandes Júnior, diretor de finanças da Instituição, Lucas Fehr, coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo e Valter Caldana, professor da universidade.

Larissa diz que a pesquisa foi motivada a partir da constatação de que a política urbana tem muita dificuldade de se relacionar com o varejo. Ela cita que a maioria das propostas desenvolvidas pelos planos urbanísticos da cidade são ligadas, especialmente, ao mercado imobiliário e que pouco contemplam o comércio de rua.

“Queremos entender o que pode ser feito para que esses polos de rua ganhem mais estrutura. A ideia é trazer informações, levantar o que é importante para essa manutenção, identificar quais polos estão bem ou não, e os reais motivos para isso”, diz.

A primeira etapa (até fevereiro de 2019) deste mapeamento inédito irá reconhecer os polos existentes e a partir disso, será feito um recorte para diagnosticar as características de três endereços, que se tornarão o objeto de estudo da pesquisa.

Com base nessas informações, a proposta da arquiteta é transformar todo o material em indicativos para futuros projetos e políticas públicas que venham a ser desenhados para esses espaços.

Pelo acordo, durante dois anos, ACSP e Mackenzie irão compartilhar informações, dados e reflexões que contribuam para a intervenção urbana nas áreas comerciais em questão.

O superintendente institucional da ACSP, Marcel Solimeo, ressaltou a importância da aproximação entre as áreas empresarial e acadêmica na busca de informações e soluções para o desenvolvimento do varejo e da economia.

“O Mackenzie tem longa tradição no campo dos estudos e do urbanismo e a ACSP tem uma história de mais de 100 anos de apoio ao empreendedorismo e ao comércio. Vamos unir os dados acadêmicos do Mackenzie com a prática dos empresários da ACSP”.

Para Antonio Carlos Pela, vice-presidente da ACSP e coordenador do Conselho de Política Urbana da Associação, a finalidade é reconhecer os polos varejistas trazendo oportunidade, experiência e instrumentos para enfrentar os desafios urbanos.

“O acordo é um passo importante para o comércio de ruas especializadas em São Paulo. Temos muito a contribuir para que os órgãos responsáveis se utilizem de um verdadeiro banco de dados que será formado com essa pesquisa”, diz Pela.

“Tudo com muita relevância técnica e urbanística para que os futuros projetos se tornem, na prática, mais próximos da realidade paulistana. Para os comerciantes, o estudo também trará informações importantes de mercado.”

A parceria nasce de um projeto de fomento à pesquisa denominado “Conhecendo os polos varejistas das ruas de São Paulo. Oportunidade, experiência e instrumento frente aos desafios urbanos da cidade contemporânea”, alocado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) do Mackenzie.

FOTO: Thinkstock