Negócios

Pesquisa revela que consumidor tenta manter fidelidade às marcas


Um resultado que causa surpresa nestes tempos de crise: 65 de cada cem consumidores não substituíram marcas de alimentos e bebidas por outras mais baratas


  Por Fátima Fernandes 09 de Julho de 2015 às 06:00

  | Editora ffernandes@dcomercio.com.br


Os consumidores ainda resistem em abrir mão das conquistas feitas no período de expansão econômica, época em que milhões de brasileiros passaram a ter acesso a produtos e marcas que até então só cobiçavam nas prateleiras.

Levantamento do Sincovaga (Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios de São Paulo), que representa cerca de 40 mil supermercadistas, revela que 65% dos entrevistados se mantêm fieis às marcas tradicionais de alimentos e bebidas, independentemente do preço. No caso de produtos de higiene e limpeza, esse percentual sobe para 70%.

A pesquisa também identificou que 78% dos  entrevistados aceitam pagar até uma “pequena diferença” de preço para adquirir as marcas preferidas, no caso de alimentos e bebidas.A pesquisa foi realizada entre os dias 24 e 26 de junho na cidade de São Paulo, com consumidores com renda familiar mensal de até R$ 7 mil.

Os resultados surpreenderam a diretoria do Sincovaga. O aumento da inflação, das taxas de juros e do desemprego tem impacto direto no orçamento dos consumidores. Os diretores do sindicato esperavam que, com o agravamento da crise econômica, a troca de marcas mais caras por mais baratas, comportamento conhecido como downtrading, estivesse muito mais evidente.

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“As pessoas que ascenderam socialmente estão tentando manter o padrão de consumo, pois qualquer mudança nos hábitos de compra pode dar a sensação de derrota. É isso o que observamos com essa pesquisa”, diz Álvaro Furtado, presidente do Sincovaga

“Acredito que, com o agravamento do desemprego, haverá uma propensão maior para a troca de marcas”, afirma Fábio Pina, consultor do Sincovaga.

Para o grupo de consumidores que já está trocando de marcas, os produtos mais afetados são os da linha de higiene e limpeza, alimentos básicos (arroz, feijão, macarrão e carnes), molhos e temperos, frios e laticínios e bebidas.

A sondagem do Sincovaga também constatou nos depoimentos dos clientes que a troca de marcas tradicionais por mais populares, quando ocorre, é gradativa.

“O consumidor opta por avaliar substitutos mais baratos, porém de marcas também consideradas de primeira linha”, diz Furtado. Quase 60% dos consumidores afirmaram ter trocado as marcas tradicionais por concorrentes de primeira linha.

O levantamento também identificou que os consumidores estão divididos em relação à confiança nos produtos com marcas próprias dos supermercados. Para 46% deles, esses produtos têm preços mais baixos e a mesma qualidade das marcas tradicionais. Para 47%, essas marcas são mais em conta porque possuem qualidade inferior.