Negócios

Pequenos negócios de brasileiros decolam lá fora


Facilidade para abrir empresas, moedas valorizadas e brasileiros vivendo fora do país são algumas das razões para o sucesso de empreendimentos


  Por Mariana Missiaggia 05 de Março de 2018 às 08:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


De malas prontas para embarcar rumo ao exterior. É assim que muitos empreendedores veem suas empresas. Com a economia ainda fragilizada, vendas em lenta retomada e o poder de compra reduzido, há cada vez mais gente interessada em empreender fora do país.

Há outro fator que justifica a decisão de se mudar. A burocracia brasileira imposta a quem deseja empreender também pesa muita nesta decisão. 

Um levantamento feito pela Wharton School, da Universidade da Pensilvânia, e pela empresa BAV Consulting, no segundo semestre de 2017, mostra que o Brasil está longe de ser um dos melhores países para se abrir uma empresa

O topo do ranking é dividido entre países da Europa (Alemanha), Ásia (Japão) e América do Norte (Estados Unidos), respectivamente. O Brasil aparece na posição 29, atrás de países como Arábia Saudita, Malásia e Singapura.

Acesso a capital, ambiente empreendedor, mão de obra especializada e segurança jurídica. Essas são algumas das condições de um país que influenciam no resultado final de um negócio, de acordo com a pesquisa.

FAZENDO ACONTECER

Há quem diga que a maior burocracia para abrir uma loja no exterior é o conhecimento. O paulista Diego Utiyama, 30 anos, concorda.

DIEGO UTIYAMA FUNDOU UM E-COMMERCE DE SAPATOS NO JAPÃO

Ele e sua mulher, a mineira Aline Sakamoto Utiyama, 28 anos, ganham a vida como empreendedores. Juntos, fundaram a Amora.jp, um e-commerce de sapatos brasileiros voltado exclusivamente para estrangeiros radicados no Japão.

A ideia veio de Aline, que sempre gostou de sapatos brasileiros, mas não encontrava as marcas preferidas fora do Brasil.

O e-commerce, que entrou no ar em agosto de 2015, vende botas, sandálias, chinelos e outros calçados de marcas como Beira Rio, Dakota, Moleca e Vizzano. A marca tem acordos de exclusividade com essas fabricantes no Japão.

Metade do público da loja é composto por clientes brasileiras e 30% das compras são feitas por consumidores de outras nacionalidades.

O tíquete médio obtido pelo site é de cinco mil ienes (R$ 150 na cotação atual). No ano passado, a empresa faturou R$ 900 mil.

Em 2015, o Japão facilitou as condições para estrangeiros que pretendem abrir um negócio no país. Antes, o registro jurídico necessário para qualquer atividade comercial, só poderia ser solicitado por estrangeiros residentes no país.

Quem vivia fora do Japão precisava ser representado por um japonês para conseguir entrar com o processo de registro antecipadamente.

Com o novo procedimento, ficou mais fácil obter o visto de permanência e, mesmo à distância, os estrangeiros conseguem solicitar documentos empresarias e tratar de outros detalhes do negócio.

BARBA, CABELO E CACHORRO-QUENTE  

Em outra cidade japonesa, Minokamo, Fábio Tanaka, 39 anos, inaugurou a Matadouro Barbershop, uma barbearia inspirada num estilo em alta no Brasil.

NO JAPÃO, FABIO TANAKA SE INSPIROU NAS
BARBEARIAS BRASILEIRAS

Há algum tempo Tanaka acompanha a consolidação do segmento de longe. Mais especializados, esses estabelecimentos se tornaram um espaço de socialização masculina e adicionaram serviços diferenciados. Tudo bem diferente do que é proposto pelos profissionais japoneses.

Hoje, além de brasileiros, o barbeiro atende muitos nativos que se adaptaram ao novo jeito de cortar o cabelo e aparar a barba. 

 

ONDE ESTÃO OS BRASILEIROS

Um levantamento feito pelo Itamaraty estima que 1,4 milhão de brasileiros vivam nos Estados Unidos. Esse número corresponde a 48% da população que reside no exterior - cerca de três milhões de pessoas. 

A Europa vem em segundo lugar com 24% desta população. Na sequência, a América do Sul (17%).

FOTO: Thinkstock