Negócios

Pequenas feiras de nicho: um novo jeito de vender


Empreendedores aproveitam lacunas deixadas por grandes marcas organizando eventos em conjunto com produtos com identidade e origem


  Por Mariana Missiaggia 28 de Fevereiro de 2018 às 08:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Além das redes sociais, os empreendedores estão descobrindo uma nova forma para se relacionar com potenciais clientes.

Até recentemente, apenas grandes marcas tinham a oportunidade de expor seus produtos em eventos renomados do varejo. Isso está mudando.

Inspirados nas exposições que acontecem em grandes pavilhões, donos de pequenos negócios uniram forças para construir algo semelhante: as chamadas de pequenas feiras de nicho.

Focados em apenas um tipo de produto ou perfil de consumidores, esses encontros ganham cada vez mais espaço em São Paulo.

De um lado, estão os empreendedores em busca de espaço para divulgar seus produtos. Do outro, os clientes em busca de opções personalizadas, com identidade e origem.

Armando Campos Mello, presidente executivo da Ubrafe (União Brasileira de Feiras) diz que muitos produtores independentes e consumidores engajados encontraram nas pequenas feiras de nicho uma oportunidade para criar uma nova maneira de consumir.

Todos os anos, o Brasil sedia mais de duas mil feiras de negócios de grande porte, como, por exemplo, o Salão do Automóvel e a Bienal do Livro, que reúnem 800 mil pessoas. Somente em São Paulo, movimentam R$ 16 bilhões.

Já os acontecimentos menores, que reúnem de 500 a oito mil visitantes, devem representar cerca de 20% dos eventos que acontecem na cidade de São Paulo.

GRAZIELLA FUNDOU A BABYBUM PARA
REUNIR PEQUENOS EMPREENDEDORES

“Pode parecer pouco, mas a soma desses pequenos é muito importante para movimentar a economia local. Muitas vezes, são a porta de entrada para uma empresa se desenvolver e atingir grandes mercados”, diz Mello.

Há 13 anos, Graziella Soubhia, idealizadora da feira Baby Bum, teve a ideia de reunir suas descobertas do mundo materno em um evento dedicado ao segmento infantil.

Na época, a internet ajudou a identificar pequenas marcas e artesãos que produziam itens criativos e de qualidade, que não eram encontrados em lojas ou grandes centros de consumo.

Para dar forma à primeira edição da Baby Bum, Graziella locou uma diária em uma casa no Itaim Bibi, em São Paulo e convidou cerca de 30 marcas consideradas inovadoras.

Com itens de vestuário, decoração, gastronomia e acessórios para mães e bebês, tudo funcionava como um grande mercado com caixa único.

O visitante escolhia o que queria de cada expositor e pagava tudo em um caixa só. Assim, os pagamentos podiam ser parcelados e feitos em cartão de crédito ou débito.

A seleção de marcas deu certo e hoje, após 25 edições, a feira já passou pelo interior de São Paulo e Rio de Janeiro com mais de cem expositores. 

Na opinião de Graziella, feiras como a Baby Bum fomentam o mercado de feiras de negócios, e são uma oportunidade de crescimento para muitos empresários, como aconteceu com a Cookies Dreams Pijamas.

Com experiência no mercado de atacado e participando de feiras de varejo há nove anos, Letícia Ribeiro, diretora da Cookies, decidiu mudar o foco de sua marca há dois anos.

Na época, a empresária diz ter sentido um movimento de retração nas vendas em atacado e uma demanda crescente do vaejo. 

“O volume de produção (para atacado) deve ser grande. Porém, o custo é altíssimo e a margem de lucro muito pequena”.

Coincidentemente, neste período ela percebeu um interesse maior por parte das mães em peças de qualidade, como era o caso de sua marca, que trabalha com algodão pima.

Sem nenhuma relação com seu consumidor final até então, Letícia desistiu das vendas em atacado e passou a vender seus ítens utilizando as redes sociais.

Em paralelo, começou a participar de feiras como a Baby Bum para fortalecer um contato mais pessoal com seus seguidores das redes sociais.

A iniciativa deu certo, e a cada edição o número de vendas em seu espaço e a fidelização de clientes aumentava. Com o tempo, o stand da Cookies passou a ser sempre um dos mais visitados das feiras em que participava.

Foi durante um desses eventos que Letícia recebeu o convite para abrir uma loja no Shopping Cidade Jardim - proposta que ela ainda avalia, enquanto se prepara para inaugurar uma miniloja no Shopping Higienópolis.

"O convite (do Cidade Jardim) veio de um dos consultores da administradora que visitam essas feiras e ficam de olho nas marcas que trazem mais fluxo para o evento", diz.    

POR QUE PARTICIPAR DE UMA FEIRA?

Convém observar que participar desta modalidade de evento exige investimento e dedicação. Por isso, antes de se engajar em uma feira, a empresária aconselha refletir sobre alguns pontos: qual o perfil da feira? Que tipo de público atrairá? Qual a taxa mínima de venda exigida? 

Veterana, Letícia listou alguns motivos e o que considerar antes de se candidatar como expositor:

*Participar de feiras é importante para conhecer bem seu consumidor final, ou seja, entender o que os clientes querem e quais são os preços que eles estão realmente dispostos a pagar.

*Para quem não tem loja física, o evento funciona como uma vitrine temporária da marca para o mercado em geral.

*É também uma forma de fazer contatos e descobrir novas formas de comercializar seus produtos.

*Uma feira bem conduzida tem um equilíbrio entre as marcas expositoras e a gama de produtos ofertados. Os demais expositores devem estar em sintonia com o seu modelo de trabalho e a sua proposta de valor.

*Fique atento ao percentual de venda cobrado pelos organizadores do evento. "Isso costuma pesar muito para quem está começando, especialmente, se houver cobrança de taxa mínima", diz. 

Serviço:

Baby Bum Pocket 
De 1 a 3 de março, das 10h às 20hs
Rua Pamplona, 1754 - SP

Baby Bum 
De 24 a 26 de maio, das 10h às 20hs
Avenida Mofarrej, 1505 - SP

FOTOS: Divulgação