Negócios

Pedidos de recuperação judicial sobem 165% no trimestre


As pequenas empresas representam cerca de 88% dos pedidos de falências e 89% das falências decretadas, segundo dados da Boa Vista SCPC


  Por Redação DC 05 de Abril de 2016 às 12:06

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


 Os pedidos de recuperação judicial e as recuperações judiciais deferidas, no acumulado do trimestre, seguiram tendência de alta, registrando elevação de 165,7% e 172,3%, respectivamente, segundo balanço da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito).

O indicador elaborado pela Serasa Experian mostra um salto semelhante. Segundo dados da empresa, as solicitações de recuperação judicial avançaram 114,1% no primeiro trimestre de 2016 na comparação com igual período de 2015. Trata-se do maior valor já registrado no período em toda a série histórica, iniciada em 2006.

LEIA MAIS: Recuperação judicial não consegue salvar empresas em meio à crise

De acordo com a instituição, as micro e pequenas empresas, que são maioria no mercado, lideraram os requerimentos de recuperação judicial entre janeiro e março, com 229 pedidos, seguidas pelas médias, com 109, e pelas grandes companhias, com 71.

Segundo os economistas da Serasa, "o prolongamento e a ampliação do atual quadro recessivo da economia brasileira aliados à elevação dos custos operacionais e financeiros têm levado a recordes mensais consecutivos dos requerimentos de recuperações judiciais".

Na comparação com março de 2015, o total de pedidos de recuperação judicial cresceu 110,7%, de 75 para 158. Já na passagem de fevereiro para março, o avanço foi de apenas 1,9%, de 155 para 158 ocorrências.

Conforme explica a Serasa, o requerimento de recuperação judicial consiste na entrada do pedido em juízo por parte da empresa, acompanhado da documentação prevista em lei, que será analisada pelo juiz. Neste momento, o magistrado verificará se o pedido poderá ou não ser aceito.

LEIA TAMBÉM: Cresce fatia de grandes empresas em pedidos de recuperação judicial

Após esta etapa, o juiz analisa a documentação e, caso os requisitos sejam cumpridos, a solicitação é deferida e o processo segue para a etapa seguinte, que consiste na apresentação de um plano de recuperação. Só após a aprovação deste plano e o cumprimento de todas as exigências legais a recuperação judicial é concedida.

FALÊNCIAS

De acordo com a Boa Vista SCPC, os pedidos de falência registraram alta de 31,6% no 1º trimestre de 2016 em relação ao mesmo período de 2015. Em março, o número de pedidos de falências aumentou 13,5% na comparação mensal e 25,2% na comparação com março de 2015.

As pequenas empresas representaram cerca de 88% dos pedidos de falências e 89% das falências decretadas. Tanto nos pedidos de recuperação judicial como nas recuperações judiciais deferidas, as pequenas empresas também correspondem ao maior percentual, 91% em ambas.

LEIA MAIS: É melhor fechar as portas ou pedir recuperação judicial?

No 1º trimestre do ano, as falências decretadas subiram 6,6% em relação ao período equivalente do ano anterior. Na comparação interanual cresceram 17,2% e 28,9% ante o mês anterior.

Os números acumulados no primeiro trimestre de 2016 surpreenderam. A fraca atividade econômica e os elevados custos atingiram em cheio o caixa das empresas ao longo de 2015, e os pedidos de falência fecharam aquele ano com crescimento de 16,4%.

Sem previsão de mudança no cenário macroeconômico em 2016, os indicadores parecem conservar, de forma mais intensa, a tendência observada ao longo de 2015.

LEIA MAIS: Pequenos negócios fecham quase 20 mil postos de trabalho

Os indicadores da Serasa sinalizam o mesmo: de janeiro a março, os pedidos de falência subiram 14,3% em relação ao mesmo período de 2015. Apenas no mês de março, as falências requeridas somaram 158, avanço de 19,7% ante fevereiro e de 12,9% ante março de 2015.

FOTO: Thinkstock

*Com Estadão Conteúdo

Atualizado às 14h30






Publicidade


Publicidade



Publicidade



Publicidade




Publicidade



Publicidade




Publicidade