Negócios

Pedidos de falência caem 5,2% em outubro


Também houve recuo de endividamento e inadimplência, de acordo com a CNC. Em outubro, 57,7% das famílias estavam endividadas no país


  Por Estadão Conteúdo 03 de Novembro de 2016 às 11:24

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Os pedidos de falência registraram queda de 5,2% em outubro frente a setembro, de acordo com a pesquisa da Boa Vista SCPC.

O recuo foi de 8,5% na comparação com o mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, porém, os pedidos sobem 13,7% ante igual intervalo de 2015.

Já as falências decretadas despencaram 20,2% em outubro ante setembro, mas registraram alta de 26,1% em relação a outubro de 2015. No acumulado dos dez primeiros meses do ano, a alta é de 13,0%.

Enquanto isso, os pedidos de recuperação judicial recuaram 45,2% no mês e cresceram 32,7% no ano, enquanto as recuperações judiciais deferidas caíram 37,3% em outubro ante setembro e subiram 15,2% em relação a outubro do ano passado.

De acordo com os analistas da Boa Vista, a mudança de tendência vista desde junho não deve ser suficientemente forte para tornar os números de solvência deste ano melhores do que os do ano anterior, deixando para 2017 os efeitos positivos da mudança de cenário econômico.

O indicador de falências e recuperações judiciais é construído com a apuração das informações mensais registradas na base de dados da Boa Vista SCPC, oriundas dos fóruns, varas de falências e dos Diários Oficiais e da Justiça dos Estados.

ENDIVIDAMENTO

Os consumidores brasileiros ficaram menos endividados e inadimplentes na passagem de setembro para outubro, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) mostra que 57,7% das famílias possuíam algum tipo de dívida em outubro contra uma fatia de 58,2% em setembro. Há um ano, esse porcentual era ainda maior, 62,1%.

"As altas taxas de juros e a fragilidade do mercado de trabalho têm limitado o consumo, provocando também a diminuição recente dos níveis de endividamento", justificou o economista da CNC Bruno Fernandes, em nota oficial.

Já a proporção dos entrevistados que relataram ter dívidas em atraso foi de 23,8% em outubro, ante 24,6% em setembro. O resultado, entretanto, é maior do que os 23,1% registrados em outubro de 2015.

O total de famílias que previam permanecer inadimplentes também diminuiu em relação a setembro: 9,4% dos entrevistados afirmaram na pesquisa de outubro que não têm como pagar as dívidas e, portanto, seguiriam inadimplentes. No mês passado, esse porcentual era de 9,6%. Há um ano essa fatia era menor, 8,5%.

A pesquisa considera como dívidas as contas a pagar em cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo, prestação de carro ou seguro.

Entre as famílias brasileiras, 21% têm mais da metade da renda comprometida com o pagamento de dívidas. O cartão de crédito permanece no topo da lista de contas a pagar, citado por 77,1% dos entrevistados. Os carnês estão em segundo lugar, com 14,1% de citações, seguidos pelo financiamento de carro, com 10,2%.

*IMAGEM: Thinkstock