Negócios

Páscoa terá ovos menores e preços mais altos


A crise econômica fez boa parte dos fabricantes nacionais diminuir os tamanhos dos chocolates, e reajustar os preços entre 7% e 10%


  Por Mariana Missiaggia 12 de Fevereiro de 2016 às 08:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Com menos dinheiro para gastar, os consumidores irão se deparar com ovos menores nas gondolas dos supermercados.

A mudança é, na verdade, uma estratégia dos fabricantes de chocolates para tentar superar a retração econômica, e levantar as vendas de Páscoa, deixando para trás números negativos como os do Natal, por exemplo. 

Em 2015, a Páscoa foi responsável por 19,7 mil toneladas de chocolate produzidas pela indústria de chocolates, o que correspondeu a cerca de 80 milhões de ovos de Páscoa em todo o País.

“O total ficou estável se comparado a 2014, quando foram produzidas 19,4 mil toneladas do alimento. O volume de 2016 ainda não está fechado, pois as indústrias ainda estão produzindo os ovos e outros produtos de chocolate”, disse, em nota, Ubiracy Fonseca, vice-presidente de chocolate da ABICAB (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim e Balas). 

LINHA DE PRODUÇÃO DA TOPCAU

Em média, os chocolates estarão de 7% a 15% mais caros nesta Páscoa. O aumento do dólar e também de componentes da cadeia de produção como açúcar, combustível e armazenagem foram apontados por Ubiracy como a principal razão para o reajuste. 

Com preços que variam de R$ 6,50 a R$ 590, a Chocolates Munik espera aumentar o volume de vendas em 5% na Páscoa ou pelo menos, manter os mesmos números do ano passado.

Seguindo a tendência de ovos menores, a marca reduziu seus produtos de 200 gramas para 130 gramas, e os de 470 gramas para 410 gramas. Já os lançamentos, que costumavam vir em tamanhos maiores, como 400 gramas e 500 gramas, esse ano variam entre 100 gramas e 300 gramas.

“Nosso reajuste foi de 7% - abaixo da alta do custo da matéria-prima de 15%”, diz Leila Detício, 57 anos, gerente comercial da marca.

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Com os ovos maiores, a matemática foi a mesma – reduzir o tamanho para manter o preço. Se a média de tamanho dos ovos era de 400 gramas em 2015, este ano será de 250 gramas.

 A Nestlé, por exemplo, diminui o tamanho dos clássicos Sensação, Prestígio e Especialidades para 240 gramas – antes oferecidos em 350 gramas e 750 gramas.

LACTA LANÇOU OVO SONHO DE VALSA EM VERSÃO MINI

Já a Lacta apostará em itens abaixo de R$ 30 sendo que mais da metade dos produtos estarão nessa faixa de preço. Entre seus lançamentos estão ovos recheados de 95 gramas nos sabores Sonho de Valsa e ao leite, que custarão menos de R$ 10.

LINHA INFANTIL

Tendência neste ano, os ovos menores sempre foram a aposta da TopCau que trabalha com tamanhos menores, até 160 gramas.

O formato foi escolhido para atender a um mercado específico, uma vez que 60% da produção são de produtos licenciados de personagens infantis, como Frozen, Kung Fu Panda, e Garfield, de acordo com a gerente de marketing, Alais Valentini Fonseca, 61 anos. 

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O repasse de 8% aos ovos foi inevitável justamente pelo item mais desejado pelas crianças – o brinde. Importados, eles ficaram 58% mais caros esse ano.

Vender para o mercado infantil é o que de fato, sustenta as vendas da marca, que distribuirá 11 milhões de ovos, com projeção de crescimento de 7% nas vendas em relação a 2015.

“Produzir ovos menores e ter produtos licenciados realmente é um diferencial, que garante um número bom de vendas”, diz.

O número de trabalhadores temporários também cresceu esse ano, apesar da crise. Serão 1400 promotores e outros 700 funcionários na produção, contra 1200 e 600, respectivamente em 2015.  

BRINDES DA TOP CAU: 58% MAIS CAROS

Após a Páscoa, o preço dos chocolates sofrerá mais um reajuste. Desta vez, por conta do aumento de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Com a mudança, a partir de maio, o doce passará a ser tributado da mesma forma que outros produtos sujeitos ao imposto - uma alíquota de 5%.

Segundo o Fisco, os chocolates estavam sujeitos a uma tributação de R$ 0,09 (chocolate branco) e R$ 0,12 (demais chocolates) por quilo. Com isso, se o preço de um chocolate for de R$ 6 (independente do seu peso), por exemplo, a tributação passará a ser de R$ 0,30.

Alais afirma que apesar da repercussão, a Páscoa passará ilesa por esse novo reajuste na TopCau, que conforme previsto pela lei, alterará os seus preços a partir de maio.

*Foto: Thinkstock





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