Negócios

Para não ter dor de cabeça ao investir em franquias


Nos últimos anos, o setor cresceu a passos largos. Por mais atrativo que seja, o modelo de negócio possui armadilhas que podem causar arrependimento ao empreendedor


  Por Redação DC 19 de Outubro de 2016 às 21:30

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


Investir em um modelo de negócio que tem crescido bem acima do PIB e passado à margem da crise é uma ideia tentadora. 

De acordo com a Associação Brasileira de Franchising (ABF), no primeiro trimestre de 2016, o setor de franquias cresceu 7,6% -- enquanto a economia despencou 5,4%, em comparação com o mesmo período de 2015. 

No entanto, antes de transformar o valioso dinheiro da poupança e do FGTS em capital empreendedor, é necessário pesar os pontos positivos e negativos de abrir uma franquia. 

Para elucidar questões sobre o tema, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) promoveu, nesta quarta-feira (19/10), uma palestra com Renata Rondon, diretora jurídica e de operações da US Franchising, especializada em projetos de estruturação e comercialização de franquias que gerencia mais de 80 redes brasileiras. 

Conheça os prós e contras do modelo. 

MARCA CONHECIDA 

Um dos maiores ativos de uma empresa é a sua marca. Um negócio que opera em modelo de franquia já nasceu sob uma imagem corporativa moldada, que pode ser um diferencial em mercados nos quais a competição se dá entre pequenas empresas sem reputação. 

Geralmente, as redes de franquias possuem um sistema de marketing cooperado, no qual cada franqueado paga uma taxa destinada a ações de marketing. As peças de comunicação, por exemplo, podem ser veiculadas em mídias inviáveis para pequenos negócios, como jornais e revistas. 

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NEGÓCIOS SEM VALIDAÇÃO

Motivadas por ambição de rápido crescimento, muitas empresas iniciam uma operação de venda de franquias sem validar o próprio modelo de negócio. 

De acordo com Renata, há casos de empresas que iniciam venda de franquias sem posicionamento estratégico e registro de marca e logotipo. Neste caso, o azar é de quem compra a ideia leviana.  

RENATA RONDON, DA US FRANCHISING: FRANQUIA TEM A VANTAGEM DE SER UM MODELO TESTADO NO MERCADO

IMPLEMENTAÇÃO ÁGIL 

Ao decidir abri uma loja por conta própria, o empreendedor precisa contratar arquitetos para criar um ambiente aconchegante, escolher fornecedores de produtos de qualidade e encontrar confiáveis prestadores de serviços, para as áreas de segurança e limpeza, por exemplo. 

No modelo de franquia, a estrutura da loja segue padrões que fazem com que a implementação seja mais ágil – até a cor da tinta da parede segue uma norma. 

Geralmente, os franqueadores também fornecem aos franqueados uma lista de fornecedores homologados. Por meio de compras e contratos coletivos, os preços podem ser menores que a média de mercado. 

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NEGÓCIOS DA MODA

Você se lembra da onda das lojas de paletas mexicanas, aqueles sorvetes recheados que ganharam fama entre 2013 e 2014? 

Para muitos empreendedores, o doce é inesquecível, principalmente para aqueles que perderam dinheiro. De acordo com um estudo da Rizzo Franchise, das 29 franqueadoras do segmento, 18 fecharão as portas até o fim de 2016. 

O gosto amargo das paletas é devido a uma moda passageira que foi fomentada por franqueadoras. 

“Uma das principais armadilhas de quem investe em franquias é considerar apenas o cenário atual e não analisar a tendência de crescimento do mercado no futuro”, diz Renata. 

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CONSULTORIA EM GESTÃO

Ao operar uma franquia pode não ser necessário extraordinário conhecimento em administração. 

A pouca experiência administrativa é compensada por meio de cursos de curta duração que a franqueadora oferece aos franqueados – geralmente treinamentos em gestão, vendas e produto. 

Há franqueadoras que possuem um consultor de campo, um profissional que audita as unidades com o intuito de encontrar possíveis inconformidades de contrato, mas que também oferece consultoria, identificando necessidades e fornecendo orientações para aumentar a rentabilidade da unidade. 

POUCA IDENTIDADE COM O SEGMENTO

Periodicamente, associações e consultorias elencam os setores e marcas de franquias que mais crescem. Há segmentos que costumam aparecer com frequência, como alimentação, calçados, acessórios de moda e turismo. 

No entanto, investir em franquias apenas pelo seu potencial de lucratividade é um erro. Se não gosta de bichinhos, nada de abrir uma franquia do mercado pet – por mais que o retorno sobre o investimento seja muito vantajoso.