Negócios

Para 54% dos lojistas, Dia dos Namorados será pior que Dia das Mães


Mesmo assim, 45% criaram novas promoções, e outros 44% estímulos de compra nas redes sociais para puxar vendas, diz Boa Vista. Já o comércio do interior paulista projeta altas de até 40%


  Por Karina Lignelli 09 de Junho de 2021 às 17:40

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


A flexibilização das restrições de funcionamento do varejo acaba de ser adiada para dia 30 de junho. Mas o comércio paulista, em especial do Interior, que responde por 15% do consumo do país, tem se movimentado para tentar incrementar as vendas do Dia dos Namorados, que cairá no próximo sábado (12/06). 

Pesquisa da Boa Vista aponta que a maioria dos empresários, 54%, está pessimista em relação às vendas da data, e acreditam que o desempenho será pior do que o verificado no Dia das Mães.

Apesar do pessimismo, a projeção para este ano ante igual período de 2020 é melhor, já que, naquela ocasião, apenas 30% esperavam incrementos nas receitas no Dia dos Namorados, em relação à data anterior. 

Mesmo assim, apenas 20% afirmaram que farão investimentos para impulsionar as vendas, criar novas promoções (45%), estímulo de consumo nas redes sociais (44%) e a criação de e-commerce (25%). Para 64% do grupo, a expectativa é que os consumidores façam a maior parte das compras fisicamente, e não on-line.

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Na opinião de 25% dos entrevistados, o setor de alimentos e bebidas é o que irá registrar maior volume de vendas no Dia dos Namorados, seguido por varejo de itens de uso pessoal (21%), lazer (17%) e eletrônicos (15%).

Já os gastos com presentes terão tíquete médio de R$ 100 para 48% dos empresários consultados, entre R$ 100 e R$ 200 para 35% deles, e outros 17% acreditam que os valores sejam maiores do que R$ 200.

A percepção do empresariado é de que haverá uma retração dos gastos pelos consumidores na data: segundo a pesquisa, 67% acreditam que as pessoas irão manter ou diminuir o nível de consumo em relação a outros momentos do ano. Em 2020, porém, esse fator era apontado por 86% dos entrevistados

Para Flávio Calife, economista da Boa Vista, ainda que o PIB no 1° trimestre deste ano tenha avançado 1,2% ante o trimestre anterior, os impactos da crise na confiança de empresários e consumidores prevalecem.

"Até porque os efeitos dessa elevação no indicador ainda não foram percebidos em diversos setores, mas principalmente nas classes de menor renda", destaca. 

OTIMISMO NO INTERIOR PAULISTA

Mesmo com a base de comparação fraca, já que em 2020 a quarentena começou a ser flexibilizada em junho, as associações comerciais (ACs) do Interior, ligadas à Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e espalhadas na região com maior potencial de consumo do país, estão otimistas com a data. 

Como a Associação Comercial e Industrial de São Bernardo do Campo (Acisbec), que espera alta de 40% nas vendas do comércio da cidade comparada a igual período do ano passado. Com a temperatura mais baixa, artigos de inverno, como vestuário e calçados, devem puxar as vendas, segundo o presidente Valter Moura. 

Cosméticos, flores e eletroeletrônicos que, em sua avaliação, terão grande apelo de vendas, devem alavancar o faturamento este ano, já que em 2020 os lojistas dependiam de vendas on-line ou drive-thru. 

"Além disso, as pessoas tinham mais medo do que hoje, sem saber o que iria acontecer. Ninguém queria pensar em presente,” afirma o presidente, justificando as boas expectativas para a data este ano. 

Em Marilia, as projeções da ACIM (associação comercial e industrial da cidade) batem com as da Confederação Nacional do Comércio (CNC) para o Dia dos Namorados, de alta de até 30% nas vendas.  

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Em outras regiões do estado, mesmo com boas expectativas, as projeções são menores. Em Campinas e região, por exemplo, a ACIC (associação comercial e industrial da cidade) prevê alta de 4,1% nas vendas para a data em relação a 2020, quando o comércio local registrou perdas de 40% em comparação a 2019. 

De acordo com o economista e diretor da ACIC, Laerte Martins, uma pesquisa regional aponta para alta de 4,2% no valor médio do presente, que deve ter tíquete médio de R$ 125. Mas o e-commerce deve puxar o faturamento. “A expectativa de expansão é de 10% sobre 2020, podendo chegar a R$ 24 milhões”, sinaliza. 

Uma pesquisa da Associação Comercial de Sorocaba (ACSO) em parceria com a Athon Ensino Superior, aponta que 39% dos consumidores já compraram presentes dos namorados, ante 49% em 2020. Outros 18% estão indecisos, mas 66% afirmaram que comprarão no comércio local, dando preferência a lojas com delivery.  

A grande maioria (47%) vai presentear com itens de vestuário e acessórios, e 23% devem comemorar em casa. Com base nesse cenário, a expectativa da ACSO para a data é mais modesta, de alta de 2% nas vendas. 

PARA CHAMAR VENDAS

Algumas ACs apostam em promoções e sorteios para incentivar os namorados a presentear - o que bate com a pesquisa da Boa Vista. Mesmo sem projeções, a Associação Comercial e Industrial de Limera (ACIL) impulsionou o comércio com a promoção "Raspadinha Premiada", que vai sortear 10 vales-compra de R$ 100. 

A Associação Comercial e Empresarial de Guarulhos (ACE Guarulhos) vai sortear cinco casais para ganhar prêmios como almoço e noite romântica, dia de beleza, ensaio de fotos e uma cesta de café da manhã. 

Horários especiais de abertura de lojas, mais o sorteio de seis jantares delivery em restaurantes parceiros é a estratégia da Associação Comercial e Industrial de Assis (ACIA) para quem se cadastrar em seu app. 

Em Jales, onde a ACIJ estima aumento das vendas entre 10% e 12% ante igual período de 2020, a aposta é na promoção "Vale do Amor", que sorteará jantares, ensaios fotográficos e até um fim de semana num resort. 

"Estamos sentindo uma movimentação maior nas últimas semanas no comércio jalesense - o que deixa o empresário bastante otimista com o aquecimento do setor", diz o presidente da ACIJ, Leandro Rocca. "Nossa vocação é o comércio, então resolvemos apostar mais uma vez em promoção", finaliza. 

Foto: Freepik






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