Negócios

'Os empresários estão no limite. Precisam de segurança para investir'


O desabafo é de George Pinheiro, presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil. A entidade realiza fórum para discutir os rumos econômicos do país


  Por Italo Rufino 21 de Junho de 2018 às 08:00

  | Repórter isrufino@dcomercio.com.br


Independentemente do nome que será escolhido em outubro, o novo Presidente da República precisará, urgentemente, liderar a aprovação das reformas da Previdência e política. Isso é o que espera a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB).

“Estamos no limite do limite”, afirma George Pinheiro, presidente da CACB. “Precisamos de uma estrutura política que dê segurança para o empresário - brasileiro e estrangeiro - investir, e que fomente o crescimento do pais.”

Nesta semana, a CACB promove o 5º Fórum Nacional CACB Mil, realizado entre 19 e 21 de junho, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.

Durante a abertura do evento, Pinheiro pediu atenção para uma agenda de inovação no Brasil. “Sair do atraso em que nos encontramos deveria ser a pauta principal de todos os debates.”

Na pauta do encontro, que reúne presidentes de federações e associações comerciais e associados, está o papel dos empresários no desenvolvimento local, liderança, os rumos econômicos do país e temas que permeiam o universo empreendedor, como sustentabilidade e inovação.  

5º FÓRUM NACIONAL DA CACB: PARTICIPAÇÃO DOS EMPRESÁRIOS NO RUMO DA ECONOMIA

Neste ano, o fórum reuniu lideranças da Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CE-CPLP), da Associação Iberoamericana de Câmaras de Comércio e da Câmara de Comércio Brasil-Portugal. A articulação internacional visa fomentar a participação de micro e pequenas empresas no comércio exterior.

“A participação dessas empresas em exportação e importação ainda é muito baixa”, disse Pinheiro.

Ter canais de venda internacionais pode ajudar a aumentar o faturamento, sem depender exclusivamente do cenário brasileiro, que passa por momentos de incertezas com a recuperação econômica patinando.

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EXPECTATIVAS PARA O VAREJO

De acordo com dados do IBGE, o crescimento acumulado do comércio varejista nos quatro primeiros meses de 2018 foi de 3%, na comparação com dezembro de 2017. O acumulado nos últimos 12 meses foi de 3,7% - em março, o acumulado foi de 3,8%. Em abril, houve 1% de avanço, em relação ao mês anterior. Assim, o setor completa 13 meses de alta seguidos.

Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o varejo deve crescer 5% em 2018 (em fevereiro, a entidade reduziu a estimativa em 0,2%). Na época, a CNC divulgou um comunicado que afirmava que “a recuperação do setor continua dependente, de forma mais ampla, da regeneração das condições de consumo"

Até o primeiro semestre havia mais boas notícias. A massa salarial cresceu 1,8% nos três primeiros meses do ano, em comparação com o mesmo período de 2017. Em março, a inflação oficial (IPCA) desacelerou e ficou em 0,09% - melhor patamar para o período desde 1994.

No entanto, aconteceu a greve dos caminheiros. Sem entrar no mérito da reivindicação e nem na habilidade (ou falta dela) do governo em dar celeridade às negociações, o fato é que a paralisação causou enormes prejuízos devido ao impacto na distribuição de bens, queda na produção e falta de combustível para consumidores e empresas.

A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) estima que, entre os dias 21 e 28 de maio, o comércio e o setor de serviços deixaram de faturar cerca de R$ 27 bilhões.

Nesta segunda-feira (18/06), foi divulgado pelo Banco Central o relatório Focus, que traz um levantamento feito na semana anterior com mais de 100 intuições financeiras – já considerando os efeitos da greve. De acordo com os analistas consultados, a previsão de crescimento do PIB caiu de 1,94% para 1,76% – a sétima queda seguida. No mês anterior, a expectativa era de 2,5%.

Ao mesmo tempo, a estimativa para inflação avançou para 3,88%. Foi a quinta alta seguida, mas a taxa ainda está abaixo da meta de 4,5% definida pelo Banco Central.  

Em relação a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil, o relatório aponta recuou de US$ 71 bilhões para US$ 70 bilhões.

Nesta terça-feira, 19/06, foi a vez da CNC divulgar a Intenção de Consumo das Famílias (ICF). O índice caiu 0,5% em relação ao mês anterior, apesar de ter crescido 12,4% na comparação com junho de 2017.

E como destravar esse nó?

Para a CACB, a solução não pode depender da mesma estrutura política baseada no “toma lá, dá cá”.

“O novo governo não poderá impor medidas”, afirma Pinheiro. “Mas sim, buscar criar uma liderança coesa para ter apoio no Congresso e conseguir aprovar soluções em prol da estabilidade econômica.”

IMAGEM: Sandro Damasceno