Negócios

O varejo em mutação


A Retail Conference reuniu empresários e especialistas em Campinas para debater tendências do setor com exemplos inovadores como a Blink.me (na foto), que vai além de comercializar cosméticos


  Por Mariana Missiaggia 26 de Abril de 2019 às 15:45

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Depois de enfrentar a pior recessão da história com uma taxa de desemprego que chega a 12%, ver a confiança do consumidor abalada e eleger um novo governo, é chegada a hora do varejo brasileiro estabelecer novas metas.

Uma boa localização, seja na rua ou no shopping, preços atrativos e mercadoria de qualidade já não garantem mais bons resultados de vendas.

Além de funcionários bem informados e treinados, lojas atraentes, facilidades de pagamento e opções de entrega e retirada de produtos, o consumidor ainda quer algo a mais.

ADRIANA FLOSI, DA ACIC, FALA SOBRE A IMPORTÂNCIA
DE SE INSPIRAR EM CASES DE SUCESSO

"É preciso crescer e se reinventar", diz Adriana Flosi, presidente da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic). Nas palavras de Adriana, é preciso ter preparo e rapidez para se inspirar em exemplos de sucesso.

Na última quinta-feira (25/4), a Retail Conference, promovida pela Acic, reuniu empresários e especialistas para discutir tendências e necessidades do segmento.

A aplicação de tecnologia no ponto físico, exemplos de negócios inovadores, arquitetura de lojas e a interação com startups que estão revolucionando o consumo foram alguns dos temas discutidos para tentar responder a grande pergunta do varejo: Como promover uma experiência de compra relevante e vender mais?

TECNOLOGIA, UMA ALIADA DO VAREJO

Questões relacionadas ao fluxo e à logística, por exemplo, já podem ser facilmente desvendadas com base em dados de comportamento de consumidores a partir de aplicativos de navegação de trânsito.

O Waze, aplicativo que ajuda os motoristas a se locomoverem pelo trânsito das cidade, tem facilitado a organização de muitos negócios, a partir dos dados gerados pelos usuários.

De acordo com Fernando Belfort, diretor do Waze Local, plataforma de anúncios da empresa, as datas sazonais também impactam o uso do aplicativo.

Dias pré-feriados, por exemplo, aumentam em 29% as visitas a farmácias; Carnaval aumenta em 52% as visitas a supermercados; e Dia das Mães aumenta em 54% as visitas a lojas de moda.

Com um recorte na categoria de farmácias, um levantamento do Waze mostra que 40% dos usuários do app costumam ir a farmácias pelo menos uma vez por semana.

Muitos deles costumam ir às compras na volta pra casa, depois do trabalho: entre 17h e 18h em dias de semana. Nos fins de semana, o horário de pico é entre as 10h e 11h.

A época do ano também influencia a rotina dos consumidores: os usuários do aplicativo costumam ir mais à farmácia no inverno, entre maio e agosto.

Com base nessas informações, os comerciantes conseguem oferecer um serviço mais preciso, planejar melhor o número de funcionários em horário de pico, rever a exposição de produtos e fazer ofertas direcionadas.

"O Waze ajuda as marcas a se conectar com os clientes de uma forma mais efetiva e natural. Não somente auxilia o motorista a encontrar os melhores caminhos, mas também em suas necessidades diárias", diz Belfort.

STARTUPS VOLTADAS AO VAREJO

Os comerciantes estão cada vez mais interessadas em oferecer algo próximo do que tem sido feito ao redor do mundo no que se refere a tecnologia.

O impacto que empresas como a Alibaba, Apple e Amazon trouxeram ao varejo levaram os consumidores a quererem que todos os serviços lhes sejam prestados com igual simplicidade e personalização.

Helio Biagi, cofundador da OasisLab, diz que há uma tendência do varejo em buscar essa transformação digital.

BIAGI, DA OASISLAB, DIZ QUE INOVAÇÃO
NÃO É SINÔNIMO DE TECNOLOGIA

Ele cita uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo(SBVC), que aponta que 54% dos varejistas tratam esse tema como prioridade, fazendo parte do desenvolvimento de planos estratégicos, com investimentos e ações definidas.

De acordo com Biagi, ainda há uma certa dificuldade de distinguir o que está sendo feito no mundo e o que de fato, serve para cada lojista.

Existem muitas soluções disruptivas e programas de aperfeiçoamento sendo desenvolvidos por startups que ajudam o ecossistema empreendedor a evoluir.

“O importante é saber conectar soluções e negócios, e entender que inovação não é sinônimo de tecnologia. Inovação é cultura, processo, pessoas – toda uma jornada”, diz.

Mais que diferentes canais, os consumidores querem soluções para os seus problemas em determinado momento.

LOJA, SOLUÇÃO E EXPERIÊNCIA

Dez minutos de férias por dia. Esse é o efeito que a Blink.me, uma superloja de cosméticos, quer causar em seus consumidores, no Morumbi Town, na zona sul de São Paulo.

A ideia é oferecer tudo o que o cliente possa precisar em termos de beleza e bem-estar, mas de um forma que o consumidor não se sinta exatamente fazendo compras, e sim, adquirindo conhecimento enquanto relaxa e resolve -uma inovação no mercado nacional e um conceito cada vez mais globalizado.

O negócio foi citado por Julio Takano, especialista em formatação de conceitos para o varejo, como um bom exemplo de reinvenção do varejo. Nesse cenário, Takano diz que o desafio dos empresários é criar experiências sensoriais que gerem ao consumidor uma forma de auto-compensação pelo esforço na rotina do dia-a-dia.

“Experiências cristalizam indulgências e geram desejo, fidelização e incremento de vendas, bem como soluções para a construção de um branding icônico, capaz de atrair o consumidor, satisfazer seus anseios de consumo e ainda assegurar uma relação duradoura com ele”, diz.

CLIENTES SÃO RECEBIDOS COM SHIATZU EM MEGALOJA
DE COSMÉTICOS

No caso da Blink.me, o espaço é dividido em duas grandes áreas: salão de beleza e loja de cosméticos. O cliente caminha entre as prateleiras, escolhe o que quer comprar e se quiser pode testar na hora. São mais de quatro mil itens e o processo é diferente dos salões tradicionais, onde o cliente é induzido a fazer tratamentos e usar uma única marca, parceira do profissional.

No salão há dez estações de cabeleireiros, dez manicures e cinco lavatórios com poltronas que oferecem massagem shiatsu.

“Quando o cliente deita nessa poltrona, ele passa alguns minutos olhando para o teto, onde há telas exibindo fotos dos lugares mais lindos do mundo. Um momento totalmente relaxante”, diz Takano.

São perfumes, maquiagens, esmaltes, cuidados para corpo e cabelos, eletrobeleza, acessórios, produtos para estética masculina e presentes.

Com conceito openfront, em que a loja toda funciona como uma grande vitrine, o sistema de exposição é modular, conferindo flexibilidade ao visual merchandising, que pode aumentar e diminuir conforme a necessidade.

Outras duas áreas inovadoras para esse segmento completam o layout. O Blink.me Lab foi desenvolvido especialmente para abrigar eventos, lançamentos e workshops. E o Blink.me Studio, onde a é possível tirar foto depois dos tratamentos feitos no salão de beleza e postar nas redes sociais.

FOTOS:Divulgação