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O salão dos carros elétricos vem aí


Modelos híbridos e elétricos, contudo, começam a aparecer nas ruas brasileiras e serão as estrelas da 30.ª edição do Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro


  Por Estadão Conteúdo 07 de Outubro de 2018 às 12:05

  | Agência de notícias do Grupo Estado


Eles ainda têm participação nanica de 0,2% no mercado, com apenas 2.754 unidades vendidas de janeiro a setembro de um total de 1,78 milhão de automóveis.

Modelos híbridos e elétricos, contudo, começam a aparecer nas ruas brasileiras e serão as estrelas da 30.ª edição do Salão do Automóvel de São Paulo, no próximo mês.

Mais de 20 automóveis de variadas marcas estão confirmados para a mostra, que ocorrerá entre os dias 8 e 18 de novembro no São Paulo Expo Exhibition.

Alguns poderão ser dirigidos pelos visitantes em área reservada para testes, entre os quais o BMW i3 e o i8 e Renault Twizy e o Zoe.

No primeiro dia do evento haverá uma carreata pela cidade com cerca de 30 carros movidos a eletricidade, promovida pela Abravei, associação de donos de veículos inovadores.

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Outra novidade do salão será um espaço para palestras sobre mobilidade, com temas voltados aos veículos eletrificados, conectados e autônomo.

"Vai ser o salão mais elétrico de todos", afirma o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale.

Um empurrão ao mercado de híbridos (com um motor elétrico e um a combustão) e elétricos (100% a energia) será dado a partir do próximo mês, com a entrada em vigor da nova tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados.

O IPI para híbridos vai variar de 7% a 20% e, para elétricos, de 7% a 18%, dependendo da eficiência energética e do peso do carro. Hoje é de 25%.

A medida vai aumentar a oferta de modelos menos poluentes ou totalmente limpos no País, "mas ainda não é suficiente para promover uma massificação", ressalta Megale. A indústria defendia IPI de 7% para todos os veículos "verdes", mesma alíquota dos carros 1.0.

Ainda assim, quase todas as montadoras devem mostrar no salão modelos importados que já estão à venda ou que serão lançados até o próximo ano.

A General Motors apresentará o Bolt, compacto 100% elétrico com autonomia de 400 quilômetros, e a Nissan o novo Leaf, ambos para início de vendas em 2019.

Dos 2.754 veículos "verdes" vendidos neste ano, apenas 158 são elétricos e os demais são híbridos. Em igual período de 2017 foram vendidos 2.352 veículos, sendo 111 elétricos e os outros híbridos.

Segundo Marcelo Cioffi, sócio da PwC do Brasil, no mundo todo a venda de modelos puramente elétricos ainda é pequena pois, além do custo elevado, é preciso infraestrutura para abastecimento.

Já as vendas de híbridos crescem mais rapidamente e o mesmo deve ocorrer no Brasil, mas no longo prazo. "O Brasil ainda é um país onde a maior parte dos carros vendidos é de modelos de menor custo e os elétricos têm alto custo."

A BMW levará ao salão três híbridos plug in, o i3 e o i8 - com preços entre R$ 200 e R$ 800 mil -, e uma novidade ainda não revelada. "A estratégia global da empresa é pela eletrificação e até 2025 teremos 25 modelos e certamente alguns virão para o Brasil", afirma Gleide Souza, diretora da empresa.

A Toyota trará o inédito Prius Híbrido Flex, que usa etanol no lugar da gasolina para gerar eletricidade. O carro foi testado em percurso de São Paulo a Brasília e agora passa por adaptações.

"Estamos avaliando a venda, mas primeiro será importado pois o mercado não tem volume que justifique a produção", diz Ricardo Bastos, diretor da companhia. O modelo na versão a gasolina custa R$ 125 mil. A Lexus, marca de luxo do grupo, vai mostrar o NX 300, que custa R$ 220 mil.

A Audi terá quatro híbridos no estande (A6, A7, A8 e Q8), a Ford duas versões do Fusion (uma delas plug-in), a Kia três (Soul EV, Optima e Niro) e a Volkswagen o Golf GTE.

Marcas que não participam do salão também têm projetos para ampliar vendas. A Volvo oferece os híbridos plug-in XC90, XC60 e S90T8. A BYD vende os elétricos E5 e E6 e em 2019 trará o Song. A Tesla tem as versões S e X, que custam R$ 1 milhão.

FOTO: Nilton Fukuda/Estadão Conteúdo