Negócios

O rei dos carros do interior de São Paulo


Neste Dia do Comerciante (16), conheça a história de Jorge Aversa Junior (na foto) e de seu pai. Os pioneiros das concessionárias - com mais de 15 lojas no interior - contam o que fazer para superar a crise


  Por Thais Ferreira 16 de Julho de 2015 às 16:17

  | Repórter tferreira@dcomercio.com.br


A trajetória da Aversa – rede de concessionárias do interior de São Paulo – se confunde com a própria história da indústria automobilística brasileira. Tudo começou de forma amadora quando Jorge Aversa vendia carros usados numa praça em Piracicaba. Em 1969, ele decidiu montar a empresa. 

Esse era o período em que as grandes montadoras estavam se consolidando no Brasil, logo após os incentivos dados ao setor pelo presidente Juscelino Kubitschek. Os automóveis estavam se popularizando no país, agora acessíveis para a classe média. 

A primeira loja da Aversa foi aberta no centro da cidade – local que mais tarde se tornou a sede da empresa. Os negócios iam bem até que, em 1979, Jorge Aversa foi diagnosticado com câncer e teve de se afastar da concessionária. 

Seu filho assumiu os negócios da família. “Na época, eu tinha 17 anos e sonhava em fazer faculdade de agronomia. Desisti para ficar no lugar do meu pai”, diz Jorge Aversa Júnior. 

Após dois anos de tratamento, o fundador da Aversa estava curado e de volta ao trabalho. Júnior tinha pegado o gosto por comprar e vender carros e se tornou sócio de seu pai. 

Começaram os anos de expansão. Em 1994, a empresa iniciou uma parceria com a Honda, que acabava de montar sua fábrica de carros no país. Pai e filho abriram a primeira loja de motos da marca em Piracicaba. 

Do casamento com a empresa japonesa, surgiram outras sete concessionárias em Limeira, Americana, Sumaré, Araras e Rio Claro. Além das lojas de motocicletas em São Pedro, Sorocaba e Votorantim.

Quando a Mitsubishi veio para o Brasil, a Aversa comprou uma das concessionárias da marca em Campinas. Alguns anos depois, abriram lojas em Indaiatuba e Piracicaba. 

Mas vender duas grandes marcas japonesas não era o bastante. Nessa época, Jorge Aversa Junior ficou sabendo que a empresa coreana Hyundai estava vindo para o Brasil. 

Em 2008, Junior fez parte de uma comitiva que contava com representantes do poder público, associações comerciais e sindicatos de funcionários.  Eles apresentaram para os empresários coreanos um projeto para que a empresa se instalasse em Piracicaba. 

E deu certo. Em 2012, a Hyundai monta sua fábrica na cidade com capacidade para produzir 150 mil veículos por ano. A montadora emprega diretamente 5 mil pessoas. 

A Aversa passou a comercializar os carros da Hyundai e, hoje, tem duas concessionárias da marca coreana: uma em Piracicaba e outra em Limeira. 

A empresa está se encaminhando para a terceira geração. Pedro Paulo Aversa, de 16 anos, filho de Junior, começou a dar seus primeiros passos dentro das concessionárias. “Ele está ajudando na área de informática, algo que ele tem bastante facilidade”, disse Junior. O empresário cogita treinar o filho para substituí-lo nos negócios. 

São três gerações da mesma família no dia a dia dos negócios. O fundador Jorge Aversa, hoje com 87 anos, trabalha mais de oito horas todos os dias. “Meu filho e meu pai aprendem um com o outro. É um ótima experinência para os dois”, afirma Junior. 

CONCESSIONÁRIA DA AVERSA: A EMPRESA CRESCEU VENDENDO CARROS JAPONESES E COREANOS NO INTERIOR PAULISTA

CRISES

Nesse mais de 45 anos de história, Jorge Aversa Junior e seu pai já viram as vendas de carros oscilarem muito. Agora, assistem um momento bastante negativo para a indústria automobilística com fechamento de 250 concessionárias no país. 

De acordo com a Fenabrave, as distribuidoras de carros comercializaram 1,27 milhão de veículos novos no primeiro semestre deste ano, volume 19,7% menor do que o de igual período de 2014. Mas esse cenário não assusta os empresários da Aversa.

“Eu já comecei num momento de crise. O começo da década de 1980 foi um período de recessão, logo após, veio a hiperinflação”, afirma Junior. “Já passei por diversas épocas difíceis”. 

Com esses anos de experiência, o comerciante avalia que esses momentos ruins são cíclicos e que a atual crise dever ser mais curta que as demais. “Essa crise pegou todo mundo de calças curtas porque estávamos em momento de investir. Vamos ter um final de ano complicado, mas esse cenário deve mudar até o 2° trimestre de 2016”, disse Junior. 

O empresário afirma é nessa hora que os comerciantes devem pegar uma lupa e começar a descobrir gastos desnecessários. Ele afirma que é importante ver como estão os custos básicos, como água, luz, telefone e transporte. Além disso, esse é o momento de tentar renegociar o valor dos aluguéis e as dívidas no banco. 

“Cortar funcionários deve ser a última alternativa”, afirma Junior. “Demissões são ruins para um cenário de crise e enfraquecem os comerciantes quando houver uma retomada da economia”. 

FOTOS: Divulgação