Negócios

O que os empreendedores buscam em sua feira de negócios


Evento com palestras reúne 420 estandes de micro e pequenas empresas e deve receber 140 mil visitantes


  Por Italo Rufino 10 de Abril de 2018 às 08:00

  | Repórter isrufino@dcomercio.com.br


O empreendedor paulista Junior Neves é fundador da Diving College, escola de mergulho que também oferece serviços de viagens e vende equipamentos para praticantes recreativos.

Nos últimos anos, a empresa sofreu com a crise econômica. Como parte de seus custos é calculado em dólar, como a compra de equipamentos importados, alterações cambiais repentinas podem corroer a margem de lucro.

Nos últimos meses, com o fim da recessão, o faturamento da Diving College parou de cair, mas a recuperação ainda será longa.

“Acredito que deve demorar mais alguns anos para o consumidor voltar a comprar a patamares pré-crise e o empresário se livrar das dívidas acumuladas nos últimos anos”, afirma Nunes.

E como preparar a empresa para o período de recuperação?

NUNES, DA DIVING COLLEGE: INSPIRAÇÃO
EM OUTROS MERCADOS

Para Nunes, o segredo é buscar inovações. Recentemente, sua loja passou a vender um novo equipamento que aumenta em três vezes a a autonomia dentro da água por meio da reciclagem do gás exalado pelo mergulhador.

E foi para conhecer mais tendências de mercado que o empresário foi até a Feira do Empreendedor do Sebrae, que começou no sábado (7/10) e se encerra nesta terça-feira, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, na capital paulista.

“Conheci modelos de franquias de serviços que podem me inspirar a atuar no setor, uma vez que o modelo é promissor e ainda não é explorado pela Diving College”, afirma Neves. 

Realizada anualmente, a Feira do Empreendedor é um dos eventos mais importante do calendário do empresariado brasileiro.

Neste ano, o evento oferece uma série de palestras com consultores do Sebrae e empresários convidados e reúne 420 estandes de micro e pequenas empresas e 26 espaços reservados para patrocinadores. A expectativa é receber 140 mil visitantes até o encerramento.

A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) é uma das entidades que está presente no evento. Em seu estande, a ACSP tem oferecido diversos serviços e produtos para os empreendedores, como análise de crédito, telefonia empresarial, certificado digital, sistema de gestão empresarial e atendimento exclusivo da Junta Comercial. 

As artesãs Christiane da Silva e Luciana Patrícia Amaro, que desenvolvem bolsas e tapetes, visitaram o estande da ACSP.

Elas são, respectivamente, professora e aluna do Instituto Bem Maior, entidade localizada no Brás que oferece cursos como corte e costura, informática e empreendedorismo. Na feira, junto a colegas do instituto, elas buscavam soluções para profissionalizar a gestão de seus micronegócios.

“O sistema de geração de nota fiscal eletrônica é bem útil e os encontros de relacionamento organizados pela ACSP podem nos ajudar a conhecer outros empresários para trocar informações e firmar parcerias para distribuição dos nossos produtos”, afirma Christiane.

Outro entusiasta do empreendedorismo que circulou pelos corredores da feira foi Hélio Souza. Profissional da área de vendas de uma mineradora, ele buscava modelos de franquias para realizar o sonho de ser dono de seu próprio negócio ao lado de sua esposa. Insatisfeito com o mundo corporativo, o casal acumulou capital e já se matriculou em cursos do Sebrae.

“Nossa ideia é focar no setor de alimentação ou desenvolver produtos decorativos feitos por meio de impressoras 3D”, afirma Souza.

MEGATENDÊNCIAS PARA O VAREJO

Adriana Stecca, head comercial e marketing da ACSP, proferiu palestra no terceiro dia da Feira do Empreendedor. Com o tema “Megatendências de Consumo e Varejo e seu Impacto nas Decisões de Negócios”, Adriana apontou fatores de comportamento de compra e consumo que deverão nortear a transformação do varejo.

Uma das tendências é a integração das experiências físicas e digitais no ambiente de loja. Para atender um consumidor cada vez mais conectado, as marcas precisarão adotar tecnologias que facilite a jornada de compra.

ADRIANA STECCA, DA ACSP: DE OLHO NO FUTURO

Um exemplo prático desse novo conceito é a loja da Beleza na Web, e-commerce especializado em cosméticos que inaugurou seu primeiro ponto físico em março de 2017.

No interior da loja, o consumidor pode escolher os produtos pelo aplicativo de seu próprio celular e ou recorrer à ajuda de vendedores munidos de tablets, que os auxiliam a montar seus “carrinhos”, indicando itens e oferecendo testes na hora.

Com tecnologia de realidade aumentada, o cliente pode visualizar a ficha técnica dos produtos ao apontar o celular para a prateleira. Displays espalhados pela loja também exibem tutoriais sobre como usar os itens.

E qual será o papel do vendedor na loja do futuro?

“Ele se torna um agente comercial, uma pessoa que ouve e desenvolve um relacionamento com o consumidor, pautado em transparência, e que não se limita a cumprir o seu papel”, afirma Adriana.

IMAGEM: Sebrae SP e Ricardo Matsukawa/Divulgação