Negócios

O papel das mulheres


No 2º Congresso Estadual da Mulher Empresária, Presidentes das associações comerciais de Campinas e São José do Rio Preto discutem a participação das mulheres no mundo dos negócios


  Por Thais Ferreira 18 de Setembro de 2015 às 16:00

  | Repórter tferreira@dcomercio.com.br


A empresária Adriana Neves, como grande parte das mulheres brasileiras, acumula diversas funções. Além das muitas atribuições de sua vida pessoal, ela é diretora da Conebel – distribuidora de bebidas do interior de São Paulo –, presidente da Associação Comercial e Empresarial de São José do Rio Preto (ACIPR) e diretora da Confederação Nacional de Revendas Ambev.

Nesta sexta-feira (18/09), Adriana Neves subiu ao palco do 2º Congresso Estadual da Mulher Empresária, no Anhembi, na zona norte de São Paulo. Ao seu lado estava sua xará Adriana Flosi, presidente da Associação Comercial e Industrial de Campinas e vice-presidente da FACESP.

Em comum, elas têm uma história ligada ao associativismo e o comprometimento em ajudar as suas cidades a crescerem. Juntas debateram as cotas para mulheres no ambiente corporativo.

LEIA MAIS: Sete programas de empreendedorismo para mulheres decididas a ter sucesso

POR MAIS ESPAÇO

Adriana Flosi, casada e mãe de três filhos, sempre foi comerciante. Junto com o marido abriu uma rede de pet shops em Campinas. O primeiro envolvimento em uma associação foi na de pais e mestres da escola de seus filhos. “Eu percebi que podia fazer mais do que ficar atrás do balcão da minha loja”, afirma Adriana Flosi. 

Ela começou a participar de atividades políticas e foi convidada para fazer parte da Associação Comercial de sua cidade. Após ser diretora, se tornou a primeira mulher a presidir a entidade, que já tem 90 anos de história. Recentemente, Adriana foi nomeada vice-presidente da FACESP, onde também foi pioneira entre as mulheres – a primeira em 52 anos. “ É importante que tenhamos mulheres nos conselhos e nas diretorias”, disse Adriana Flosi.

Durante sua trajetória, ela muitas vezes percebeu que as mulheres não tinham as mesmas possibilidades que os homens. Por isso, se engajou na luta por cotas para mulheres em cargos de liderança.

De acordo com uma pesquisa recente, há apenas 6% de mulheres em conselhos de grandes empresas na América Latina. Nos últimos dez anos, o crescimento do número dessas profissionais nesses cargos foi de 1%. Se mantivermos o mesmo ritmo, a paridade entre os sexos será alcançada em 80 anos. 

“As cotas para as mulheres são uma questão de justiça para que homens e mulheres tenham as mesmas oportunidades”, afirmou Adriana Flosi.

As cotas são uma realidade em diversos países. De acordo com os dados da Credit Suisse, na Noruega, onde sistema de cotas foi implantado em 2008, o número de mulheres em cargos de liderança cresceu 21% nos últimos quatros anos. O mesmo aconteceu na França em que o número subiu 14%.

Nos países sem cotas para mulheres, o crescimento foi menor:  6% nos Estados Unidos e 1% no Japão. “Quando temos uma política de cotas é possível evoluir mais rápido”, afirma Adriana Flosi. “Eles não são melhores e nem nós não somos melhores. Somos apenas diferentes. Queremos uma realidade diferente para as próxima gerações.”

Atualmente está tramitando no Brasil o projeto de lei que prevê uma cota para mulheres, a PL 112/2010.

ASSOCIAÇÕES

Adriana Neves, começou a trabalhar com 14 anos na Conebel, empresa da sua família. Um ambiente predominantemente masculino.  “No começou, eu tinha resistência a contratar mulheres como vendedoras porque era um trabalho muito pesado”, afirmou Adriana Neves. “Percebei que isso era puro preconceito.”

Em 2006, foi convidada para participar da Associação Comercial e Empresarial de São José do Rio Preto (ACIRP). E após participar da diretoria, se tornou presidente.

Durante a palestra, ela ressaltou a importância do associativismo.  “Precisamos terrepresentatividade para seremos escutados pelo poder público”, afirmou Adriana Neves. “E para conseguirmos isto, precisamos ter um grande número de associados.”

A empresária também defendeu que as associações têm que ter uma causa e oferecer benefícios para seus associados.

Fotos: Newton Santos/ Hype