Negócios

O outro lado da moeda dos negócios de impacto social


Esses empreendimentos podem ajudar a reduzir desigualdades sociais e têm potencial de crescer nas regiões periféricas do país


  Por Agência Sebrae 04 de Agosto de 2016 às 16:30

  | Informações do Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena empresa


Os negócios de impacto social podem contribuir para a redução das desigualdades existentes no país, mas também representam oportunidades para os pequenos empresários. A avaliação é de Heloisa Menezes, diretora-técnica do Sebrae, que participou de um fórum sobre o tema na quarta-feira (03/07).  

O detalhe é que esses negócios não podem ser vistos somente como um nicho de mercado, mas também devem ganhar uma abordagem transversal. 

“O tamanho do desafio é enorme. É um tema que envolve empreendedorismo, inovação, investimento e crédito, penetrando em vários setores”, disse.

 Para a diretora, os negócios de impacto social oferecem um grande campo de oportunidades de atuação, sobretudo pela riqueza e complexidade dos instrumentos que são necessários para que esse tipo de empreendimento alcance sucesso.

O painel Negócios de Impacto: criando oportunidades para a população da base da pirâmide contou com a presença da diretora-técnica e ainda de Matheus Cardoso (Moradigna), Maurício Prado (Plano CDE) e teve a moderação de Lina Useche (Aliança Empreendedora). 

Durante o debate, Heloisa destacou que o Sebrae tem de adotar estratégias diferentes quanto se tratam de negócios de impacto social e de empreendimentos desenvolvidos pelos moradores que estão na base da pirâmide e decidem empreender localmente. 

No segundo caso - em empreendimentos localizados na própria residência -, o trabalho do Sebrae está mais focado na questão da capacitação dos empreendedores.

Heloisa lembrou ainda que há medidas desenvolvidas e apoiadas pelo Sebrae que podem atrair investimentos para negócios de impacto social. 

Por exemplo, o capítulo do projeto Crescer Sem Medo, que define a participação do investidor-anjo nas micro e pequenas empresas, reduzindo seus riscos. 

Outro incentivo é o edital de Inovação, lançado recentemente pelo Sebrae, que pode ser utilizado por empresas com esse perfil.   

Um exemplo de negócio de impacto social foi apresentado por Matheus Cardoso, um dos sócios e idealizador do Moradigna, que promove reformas de residências no Jardim Pantanal, bairro da zona leste de São Paulo. 

Morador do bairro, Cardoso contou que a prioridade é reformar os cômodos mais precários das casas e que representam um custo mais elevado. 

A empresa realiza parceiras com empresas que fornecem os materiais de construção e parcela o pagamento das reformas, que são feitas com mão de obra exclusivamente local. A ideia é ampliar a atuação da empresa para outros bairros da periferia de São Paulo e outras cidades.          

Maurício Prado apresentou estudos sobre o perfil de consumo e empreendedorismo das classes C, D e E. 

Ele lembrou que as dificuldades de logística são um fator de estímulo ao empreendedorismo nas regiões mais periféricas do país

“É uma opção, por exemplo, para as mulheres que enfrentam uma jornada tripla de trabalho e têm dificuldade em arrumar um emprego formal distante do seu bairro”, afirmou ele.     

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