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O mineiro que acelera no e-commerce e nas urnas


Investimento em transformação digital marca a entrada do Grupo Zema no e-commerce, quase ao mesmo tempo em que o empresário Romeu Zema (foto), disputa o segundo turno para o governo de Minas Gerais


  Por Karina Lignelli 11 de Outubro de 2018 às 08:00

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Quase centenária, a varejista Zema acaba de entrar para o e-commerce. A rede, que antes mantinha um site para consulta de produtos das lojas Zema Eletro com limitação geográfica -o modelo conhecido por "venda assistida" -, agora passa por um processo de transformação digital que deve ampliar seu faturamento para R$ 5 milhões em 2019.

Praticamente ao mesmo tempo, um dos principais acionistas, Romeu Zema, 53, acaba de virar o jogo ao conquistar a dianteira e concorrer no segundo turno da eleição para governador de Minas Gerais pelo partido Novo, que disputará com o senador Antonio Anastasia (PSDB).  

Após atravessar um período amargo puxado pela crise, que lhe custou 60 lojas e 2,8 mil empregos, em 2017 a Zema voltou a operar no azul. Foi quando investiu R$ 3 milhões em seu novo site, que é parte de seu processo de expansão omnichannel, de olho em dois pontos: capilaridade e fidelização de clientes.

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“A comodidade, a facilidade de acesso, o funcionamento 24h por dia e a pesquisa fácil e rápida dos itens em estoque são alguns dos benefícios que ofereceremos ao consumidor”, diz César Donizete Chaves, presidente do grupo desde 2017, quando Romeu Zema se afastou da presidência do conselho de administração.

DETALHE DO E-COMMERCE: ESTRATÉGIA OMNICHANNEL

Mesmo sendo o e-commerce um mercado de margens muito apertadas e logística cara, segundo Wagner Bueno, diretor de marketing e e-commerce do grupo, o investimento surgiu da necessidade de atender um consumidor que procura cada vez mais o canal online.

“Demoramos para entrar, mas não podemos ficar de fora”, diz “Então, buscamos soluções de ponta para ter condições de competir em igualdade com os principais players.”  

Na fase inicial, o mix de produtos será o mesmo disponível nas lojas físicas da Zema Eletro, que vende itens como eletroeletrônicos, de telefonia, automotivos, de beleza, móveis, eletroportáteis e brinquedos, que agora deverão ser entregues em todo o Brasil, segundo Chaves.

“Em um futuro breve, a companhia pretende oferecer um mix exclusivo de produtos para o site”, afirma ele.

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O lançamento do varejo chega em um período promissor do grupo, que passa por um período de forte expansão e evolução e atua em outros setores, como concessionárias de veículos, serviços financeiros e combustíveis, como relata seu presidente.

“A transformação digital atinge todos os setores da economia, e o grupo quer promovê-lo em toda as suas frentes de negócio”, afirma. “No varejo, o e-commerce é o primeiro grande movimento nessa direção”, diz Chaves.

UMA OUTRA FRENTE

Fundado em Araxá (MG) em 1923 pelo avô de Romeu Zema, homônimo do neto, o grupo hoje é um conglomerado com faturamento anual de R$ 4,4 bilhões, 5,3 mil colaboradores e presença em mais de 800 pontos de venda nos setores em que atua.

Hoje, a rede Zema Eletro foca principalmente no varejo regional com 429 lojas de eletroeletrônicos e móveis em 10 estados, e maior concentração em Minas Gerais (301), seguida por São Paulo (56), Goiás (29), Bahia (24), Espírito Santo (18) e Mato Grosso do Sul (1).

LOJAS ZEMA ELETRO: TRANSFORMAÇÃO DIGITAL

Do total de lojas, 80% estão em cidades com até 45 mil habitantes – uma estratégia de capilaridade da rede que já rendeu ao hoje candidato Romeu Zema o título de “rei dos grotões”.

Em meio a militares, evangélicos e juristas, o empresário foi a surpreendente exceção da classe ao disparar na frente nas últimas horas da corrida eleitoral. Após anunciar apoio ao candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL), Zema alcançou 43% dos votos válidos ante 29% do adversário, Antonio Anastasia (PSDB).

Acionista da companhia, com 30% de participação, Zema foi um dos responsáveis pela forte expansão da rede a partir de 1991, quando assumiu o lugar do pai, Ricardo.

Há pouco mais de 15 anos, a varejista operava 46 lojas e faturava cerca de R$ 230 milhões anuais. Durante os tempos de boom do consumo no governo Lula, a Zema chegou a abrir 50 lojas por ano. 

Romeu Zema entrou na política defendendo ideias e valores alicerçados no liberalismo, meritocracia e mudanças na política, além de simplificação tributária e tributação de dividendos. Agora é ver se o empresário, estreante na política, posicionado em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto que acabou como o mais votado, repetirá a proeza no segundo turno.

FOTOS: Grupo Zema/Divulgação