Negócios

“O mercado de brinquedos está deslocado da crise”


A afirmação é de Synésio Batista da Costa, presidente da Abrinq. Beneficiada com o dólar alto, a indústria nacional de brinquedos espera crescer 12% este ano


  Por Thais Ferreira 08 de Junho de 2016 às 10:00

  | Repórter


O mercado de brinquedos vai bem, obrigado. Essa é a conclusão de Synésio Batista da Costa, presidente da Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos). 

Em meio a uma crise econômica que prejudica a indústria nacional – com queda na produção de 10,5% em 2016 –, o setor nada contra a corrente e deve crescer por volta de 12% neste ano. 

OS BICHOS DE PELÚCIA DA SUNNY, PERSONAGEM DO FILME PROCURANDO NEMO

SUBSTITUIÇÃO DE PRODUTOS

A explicação está no dólar. Com a alta da moeda americana, os preços do produto nacional ficaram mais atraentes. Em tempos de dinheiro curto, tanto os varejistas quanto os consumidores estão trocando as bonecas e carrinhos importados por similares brasileiros. 

De acordo com dados da Abrinq, os produtos estrangeiros representavam 70% desse mercado entre 2011 e 2013 e agora representam com uma fatia bem menor: apenas 45%. 

As diferenças de preços são grandes: uma boneca simples de marca importada é vendida em média por R$ 99. Uma similar nacional custa entre R$ 34 e R$ 49. Os carrinhos de controle remoto fabricados no Brasil estão por volta R$ 99, já os importados custam cerca de R$ 199. 

“Mesmo que minhas filhas queiram os produtos que aparecem nos comerciais de televisão, sempre acabo comprando opções mais baratas, que quase sempre são nacionais”, diz Maria do Anjos Nunes, mãe duas filhas, enquanto fazia compras em uma loja de brinquedos na rua 25 de março, em São Paulo.

A Estrela, a maior fabricante de brinquedos do país, percebeu essa tendência e reduziu o número de importados e investiu na produção própria. “Há alguns anos, quando o dólar estava mais baixo, 60% dos produtos que vendíamos eram nacionais. Hoje, esse número representa 85%”, afirma Aires Fernandes, diretor de marketing da Estrela. 

Sharon Czitrom, diretora de marketing da empresa da Sunny, importadora de brinquedos, acredita que os produtos estrangeiros não perderam tanto espaço no mercado. “O ticket médio do consumidor baixou, porém ele continua preferindo os importados”, afirma. 

Mesmo declarando que a venda de produtos importados está estabilizada, a empresa também investe na fabricação própria de bichos de pelúcia. A estratégia é tornar o preço final mais competitivo e aumentar a margem de lucro. 

“É esperado que as pelúcias, que tem volume de produção inicial de 300 mil peças no ano, representem entre 10% a 15% do faturamento da empresa”, diz Sharon. 

Os fabricantes, assim como a Abrinq, acreditam que a recessão não deve afetar o setor.  “Por mais que a crise encolha o consumo, algumas famílias consideram o presente do filho como artigo de primeira necessidade”, afirma Fernandes. “Alguns pais deixam de comprar roupas para eles mesmos ou eletrodomésticos para dar brinquedos para as crianças.”

A Estrela espera um crescimento das venda de 9% neste ano. Já a Sunny espera um aumento de 20% com a criação dos novos pordutos. 

O NÚMERO DE PRODUTOS LICENCIADOS ESTÁ AUMENTO NOS ÚLTIMOS ANOS 

O QUE AS CRIANÇAS QUEREM

Para aproveitar o bom momento da indústria, a Estrela irá promover o lançamento de cerca 200 produtos no segundo semestre. 

As grandes apostas para o dia das crianças e para o Natal – períodos responsáveis por cerca de 70% das vendas de brinquedos – são os produtos que fazem a convergência com o mundo digital. 

Um exemplo é jogo de tabuleiro Detetive – em que os participantes têm que juntar pistas para desvendar um crime. 

O jogo sofreu algumas modificações para se adaptar as novas gerações que já nascem conectadas.  Os jogadores recebam pistas por meio de um aplicativo. Mudanças similares foram realizadas em outros jogos clássicos da empresa, com o Banco Imobiliário e o Jogo da Vida. 

Além de trazer os brinquedos clássicos para o mundo digital, de tempos em tempos a empresa, lança os jogos clássicos com novas temáticas. Neste ano, por exemplo, foi lançado o Banco Imobiliário especial das olimpíadas.  

As vendas desse tipo de brinquedo aumentam principalmente no período de férias. “Com as crianças cada vez mais solitárias nos vídeo games, computares e tablets, os jogos de tabuleiro se tornaram uma forma importante de socialização”, afirma Fernandes. 

O licenciamento de personagens de filmes e programas de televisão também são uma grande aposta dos fabricantes. A Sunny investiu na fabricação de pelúcias das Meninas Super Poderosas e dos personagens Procurando Dory. Entre as novidades da Estrela, estão os produtos do Show da Luna e Masha e o Urso. 

Os produtos licenciados não são nenhuma novidade, mas os números desses brinquedos se multiplicaram nas lojas de brinquedos nos últimos anos. “As crianças estão cada vez mais antenadas aos meios de comunicação, essa mudança de comportamento fez com que os produtos licenciados aumentassem consideravelmente”, afirma Fernandes. 

Os brinquedos que ajudam a criança a usar a criatividade e a criar algo com as próprias mãos, como a fábrica de pulseiras e marshmallow, também são uma aposta para o segundo semestre. 

Foto:Thinkstock






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