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O Facebook está perdendo os seus ovos de ouro?


Queda em postagem de conteúdo pessoal preocupa a rede social, segundo a agência Bloomberg. E pode colocar em risco sua maior fonte de faturamento, a publicidade móvel


  Por Inês Godinho 11 de Abril de 2016 às 17:54

  | Jornalista especialista em sustentabilidade e gestão, a editora atuou no Estadão, na Editora Abril e na Folha de S. Paulo


O Facebook teve 1,6 bilhão de usuários em 2015, segundo publicou em seu relatório anual de desempenho, dos quais dois terços acessariam a rede diariamente. Este resultado fabuloso, no entanto, esconde um fenômeno que pode se transformar em uma péssima notícia. 

Fontes identificadas apenas como ‘familiarizadas’ com a empresa, citadas em reportagem da agência de notícias financeiras Bloomberg, revelaram que a empresa vem apresentando uma queda constante nas postagens de conteúdo original e pessoal de sua gigantesca audiência. 

Exatamente nesse conteúdo está o maior tesouro do FB, o qual ele soube monetizar com cada vez maior eficiência. O acesso às informações pessoais faz mover o monumental negócio de publicidade móvel da rede, origem de 80% dos seus ganhos.

As razões para a queda estão cercadas de especulação. Uma das explicações citadas pela agência de notícias atribui o recuo à preocupação dos usuários com o aumento crescente de seus “amigos” na rede e o descontrole de quem tem acesso a seus informes. 

Para alguns, parece ser uma preocupação com a própria privacidade e para outros, uma tomada de consciência sobre a irrelevância que a exposição de sua intimidade teria para a maior parte das pessoas listadas.

Muitos estão preferindo compartilhar as postagens gerais e informações públicas, como notícias e informações de outros sites. Citando fontes, a Bloomberg estima em 21% ao ano a queda das postagens originais nos últimos anos. O FB negou a informação. 

O movimento das mensagens pessoais parece ter migrado para as redes sociais de audiência menor, como o Instagram, do próprio Facebook, o Snapchat e os serviços de mensagem.

Uma possível confirmação dessa queda de participação dos usuários pode estar no esforço recente feito pelo próprio Mark Zuckerberg de criar incentivos para os usuários exporem mais suas experiências e manifestações, como os lembretes de datas comemorativas e postagem de fotos recentes. 

Uma ferramenta recém-lançada, aberta a todos os usuários, facilita a vida de quem quer postar vídeos em tempo real sobre qualquer situação do cotidiano. Apresentado pessoalmente por Zuckerberg, o vídeo de apresentação foi acessado por mais 5 milhões de pessoas.  

A CAIXA FORTE DO FACEBOOK

Mesmo diante de uma má notícia, os números do Facebook não param de aumentar e impressionar. No relatório anual sobre o desempenho de 2015, a empresa anunciou um novo recorde de faturamento. 

O volume de negócios atingiu 17,9 bilhões/ano, um aumento de 44% em relação a 2014. Do montante, 80% vem da publicidade móvel. No cálculo per capita de rendimento, a rede ganhou 3,73 dólares em cima de cada usuário.

A base de assinantes, 1,6 bilhão de pessoas, corresponde à metade da população mundial com acesso à internet, de 3,2 bilhões. Cerca de 4,1 bilhões ainda estão desconectadas. Os dados são do relatório Estado da Conectividade 2015, documento produzido pela própria empresa. 

Na audiência da rede social, os smartphones  mantêm a dianteira na origem de acesso aos serviços – em outubro de 2015, foram usados por 1,3 bilhão de usuários, sendo 1 bilhão pelo sistema Android. 

Os números das empresas que pertencem ao grupo Facebook também são portentosos. Segundo relatório de outubro de 2015, até o terceiro trimestre de 2015, o Whatsapp atingiu 900 milhões de usuários ativos por mês, o Messenger (serviço de mensagens da rede), 900 milhões e o Instagram, 400 milhões. 

Ganhando ou perdendo, a empresa conseguiu manter os lucros dentro de casa.