Negócios

O dinheiro está curto. Mas não vai faltar presente neste Natal


Apesar de cautelosos diante do cenário econômico e da situação futura, 70% dos consumidores pretendem presentear no dia 25, segundo pesquisa da Hello Research. Bom para o varejo


  Por Karina Lignelli 17 de Dezembro de 2019 às 08:00

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


A crise levou o consumidor brasileiro aos mais baixos índices de confiança dos últimos 15 anos. Os números confirmam: dados do Índice Nacional de Confiança (INC) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) mostram que, apesar de algumas variações e ligeira melhora, desde abril deste ano o indicador tem se mantido abaixo dos 100 pontos (no campo do pessimismo). 

Mas, mesmo com um consumidor de confiança mais em baixa em sua percepção sobre a economia em geral e cauteloso quanto ao futuro - ou seja, sobre sua situação financeira pessoal, o que exige dos lojistas um conhecimento maior do seu cliente para planejar estratégias para reforçar as vendas -, uma coisa é certa: não vai faltar presente neste Natal.  

Pesquisa da startup de pesquisa Hello Research, "O brasileiro e as compras de Natal", aponta que 70% dos consumidores pretendem presentear alguém neste fim de ano. Tanto que a maioria se programou, sabe quem vai ganhar o presente e fez reservas para esse tipo de compra. "Mesmo com um contexto de recessão e pessimismo, o Natal é um momento muito importante e valorizado, e a troca de presentes faz parte da comemoração", afirma Stella Matos, presidente da Hello Research.

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Mais uma vez os dados reforçam esse contexto, já que 91% dos entrevistados não dispensam essas comemorações e pretendem passar a data em família. Outros 60% declararam que fazem questão de dar presentes para quem gostam. Os filhos, aliás, serão os que mais presenteados, de acordo com 45% dos entrevistados. Na sequência, vêm as mães (43%). 

Quanto ao perfil de quem vai presentear, 79% são adultos maduros entre 35 e 59 anos, seguidos pelos de 60 ou mais (75%) e, depois, os de idade entre 25 e 34 anos (66%). Entre os que têm filhos até 12 anos, essa disposição é maior para 64% dos entrevistados, já que a sensibilidade em relação ao momento é maior e se reflete na compra de presentes. 

Os participantes declararam ainda que, depois da crise, 30% diminuíram a quantidade de presentes das festas de fim de ano - principalmente na classe C (61%), que é a que mais sente seus efeitos. Mas, mesmo assim, a data não passa em branco. 

Stella Mattos lembra que, apesar de 70% dos brasileiros pretenderem presentear alguém, segundo a amostra, é fato de que a economia ainda inspira cautela por parte de todos, com a compra de presentes sendo reduzida entre as classes menos favorecidas e as lojas físicas, isto é, o modelo tradicional, ainda sendo o mais escolhido para a compra. 

"Os brasileiros até podem gastar menos ou comprar um volume menor de presentes, mas não deixam de presentear", reforça. 

O QUÊ E ONDE 

Em destaque nesse Natal estão os presentes que cabem no bolso. Pelo levantamento da Hello Research, 42% dos entrevistados vão compras roupas, depois brinquedos (19%) e perfumes, maquiagem e artigos de cuidados pessoais (18%).  

Quanto aos valores que esse consumidores pretendem gastar, 23% vão desembolsar entre R$ 101 e R$ 200 na compra do presente. Outros 19% declararam que vão gastar entre R$ 301 a R$ 500, e 18%, até R$ 100.   

Para esse tipo de compra, o canal mais utilizado será a loja física (93%), sendo que os principais itens também serão roupas e brinquedos (96% e 95%, respectivamente). Já o canal online é o escolhido de apenas 5% dos entrevistados, que vão gastar em presentes de maior valor e parcelados, mas por algum motivo não anteciparam a compra de presentes na Black Friday.

Desse total, 13% vão usar o e-commerce para comprar eletroportáteis, e 8% comprarão smartphones e televisores. Já o porta-a-porta (citado por 2% dos entrevistados), será o principal canal para quem vai comprar artigos de cuidados pessoais (11%). 

Do lado de quem espera ser presenteado, não tem jeito: o principal objeto de desejo dos brasileiros ainda é o smartphone (16% dos participantes), seguido por roupas (13%) e perfumes (12%). 

A pesquisa da Hello Research foi realizada com 1.232 entrevistados em 75 municípios brasileiros entre 18 e 25 de outubro.  

FOTO: Thinkstock





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