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O consumidor está mais otimista em relação ao futuro da economia


O Índice Nacional de Confiança (INC), da ACSP, mostra que o brasileiro está muito preocupado com a situação econômica atual, mas enxerga tempos melhores. Enquanto isso, o varejo aguarda esse consumidor mais otimista


  Por Redação DC 13 de Fevereiro de 2017 às 16:34

  | Da equipe de jornalistas do Diário do Comércio


A expectativa do consumidor em relação ao futuro revela sinais de melhora, tanto em relação à economia quanto às finanças pessoais. Esse consumidor mais otimista é a esperança do varejo, que têm amargado quedas seguidas nas vendas.     

Quem mostra que o consumidor vislumbra um futuro melhor é o Índice Nacional de Confiança (INC), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Feito com 1.200 entrevistados, o estudo aponta que na passagem de dezembro para janeiro, cresceu de 15% para 17% o percentual de brasileiros dispostos a adquirir, nos próximos seis meses, bens de preços intermediários, como uma geladeira ou fogão.

Por outro lado, diminuiu de 64% para 61% o número de entrevistados que disseram estar pouco à vontade para comprar bens desse perfil no futuro.

Esses consumidores também esperam que a própria situação financeira não piore nos próximos seis meses. Embora o percentual daqueles que acreditem em melhora nas finanças tenha permanecido em 38% dos entrevistados, repetindo dezembro, o número daqueles que esperam uma piora caiu de 23% para 21%.

A melhora no humor do consumidor, ainda que apenas com relação ao futuro, fez a ACSP recalcular o seu índice de expectativa de vendas em 12 meses, terminados em junho deste ano. A previsão anterior era de queda de 5% nas vendas nesse período, que agora, com base nos dados do INC, foi revisada para uma queda de 4,3%.

“O brasileiro segue pessimista com o atual momento do País, mas está um pouco esperançoso em relação ao futuro. É preciso que o governo vá ao encontro dessa esperança e continue cortando gastos. Assim, o Copom poderá reduzir  mais a Selic, na esteira da queda inflacionária, para que a economia volte a girar”, diz Alencar Burti, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

A melhora da expectativa do consumidor em relação ao futuro da economia não ajudou o INC a avançar. Isso porque a situação atual ainda é vista com muito pessimismo, tanto que o índice recuou de 79 pontos para 77 pontos na passagem de dezembro para janeiro. 

Destaca-se que o INC varia de zero a 200 pontos, sendo que resultados abaixo de 100 pontos revelam pessimismo. 

Se a percepção é de melhora nas finanças pessoais nos próximos seis meses, o mesmo não acontece quando o consumidor avalia a situação atual. Em dezembro, 50% dos entrevistados disseram que suas finanças estavam ruins, número que aumentou para 53% em janeiro. 

Já os que diziam que a situação financeira era boa recuou de 25% para 23% na mesma comparação. 

Diante desses dados, Burti antevê uma recuperação lenta do varejo. “Ainda que os juros sigam caindo, o desemprego elevado servirá como contrapeso na concessão de crédito, fazendo com que segmentos mais dependentes das vendas a prazo continuem a ter um ano ruim. Entretanto, o mais importante é notar a tendência de retomada nos nossos números”, afirma Burti. 

Em grande parte, o que preocupa atualmente o consumidor é o desemprego. O INC mostra que cresceu de 63% para 65% o número de entrevistados que conhece alguém que perdeu o emprego nos últimos seis meses.

Em média, os entrevistados disseram que no período 5,82 pessoas conhecidas ficaram desempregadas.

Essa constatação aumentou o receio nos entrevistados de que também percam o emprego. Em dezembro, 36% acreditavam que eram grandes a chances de ficarem desempregados nos seis meses seguintes. Já em janeiro, aumentou para 40% os que têm essa sensação. 

CLASSE SOCIAL

Segundo os dados do INC, a classe D/E registrou a maior queda na passagem de dezembro para janeiro. Nessa fatia da sociedade, a confiança caiu de 84 pontos para 79 na passagem de dezembro para janeiro. 

“A crise fiscal que atingiu a maioria dos estados reduziu benefícios sociais, destinados justamente a essas pessoas”, diz Burti.

Na classe A/B, o INC recuou de 68 pontos para 65. Por fim, na classe C, passou de 81 para 79.

REGIÕES

A confiança mostrada pelo INC oscilou bastante quando analisado dentro das regiões brasileiras. No Sul, o índice despencou de 99 pontos em dezembro para 80 pontos em janeiro. 

Segundo os economistas da ACSP, embora a região Sul se beneficie pelo desempenho agrícola, alguns estados – mais notadamente o Rio Grande do Sul – passam por grave dificuldade fiscal.

O Nordeste teve uma queda acentuada na confiança (de 77 para 69 pontos), provocada pela forte estiagem que atinge a região, devastando a agropecuária.

No grupo das regiões Norte/Centro-Oeste, o índice subiu de 96 para 99 pontos. Com isso, essa é a área geográfica mais otimista. O motivo é o sucesso do setor agrícola, que deve bater recordes de produção neste ano, segundo os economistas da ACSP.

No Estado de São Paulo, a confiança subiu de 62 para 66 pontos. O Sudeste teve mesma variação – de 68 para 72 –, motivada, possivelmente, pelo otimismo com a agricultura local e também pela perspectiva de melhora da economia.

FONTE: Thinkstock

 

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