Negócios

Nubank é a primeira startup brasileira avaliada em US$ 10 bi


Criada em 2013 pelo colombiano David Vélez, vale agora mais de um quarto do Banco do Brasil, instituição financeira mais antiga do país


  Por Estadão Conteúdo 27 de Julho de 2019 às 11:39

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


A startup brasileira Nubank, conhecida por seu cartão de crédito roxo, acaba de receber investimentos de US$ 400 milhões.

O aporte foi liderado pelo fundo americano TCV, que já colocou dinheiro em gigantes como Facebook, Netflix e Airbnb. A fintech passou a ser avaliada em cerca de US$ 10 bilhões. É a primeira vez que uma startup brasileira se aproxima dessa marca sem abrir seu capital. 

De quebra, a avaliação faz a empresa, criada em 2013 pelo colombiano David Vélez, valer mais de um quarto do Banco do Brasil, instituição financeira mais antiga do país. Na sexta (26/07), o BB encerrou o pregão avaliado em R$ 143,3 bi (cerca de US$ 38 bilhões). Ao anunciar o aporte, o 

disse ainda que chegou à marca de 12 milhões de usuários, divididos entre o cartão de crédito e a conta bancária NuConta. 

Com os recursos, o Nubank vai financiar sua expansão pela América Latina. Depois de abrir escritórios no México e na Argentina, a previsão da startup é lançar produtos nesses dois mercados até o primeiro semestre de 2020.

"Devemos ter um papel mais importante na região do que já temos no Brasil, porque os bancos estão muito atrasados", disse Cristina Junqueira, cofundadora da startup, ao Estado. 

O Nubank também fará contratações: a meta é chegar ao fim do ano com 2,5 mil pessoas, contra os atuais 1,7 mil funcionários.

As novas vagas serão abertas nos quatro escritórios da startup - além da matriz em São Paulo e das filiais latinas, há um centro de engenharia em Berlim, aberto pelo Nubankem 2017. "Onde acharmos boas pessoas, vamos contratar", disse Cristina. Com o novo aporte, o Nubank chegou à marca de US$ 820 milhões em investimentos, ao longo de sete rodadas. 

LEIA E ASSISTA: |VÍDEO|Afinal, o que é fintech?

Cristina descartou categoricamente a possibilidade de venda do Nubank para um banco tradicional - como fez, por exemplo, a gestora de investimentos XP, vendida para o Itaú em 2017. "Não seremos vendidos", disse. Ela, porém, não deixou de lado a hipótese de abertura de capital a longo prazo. "Eventualmente, é algo que estará no nosso caminho, mas não faz sentido hoje nos submetermos à regulação de uma empresa aberta." 

É a primeira vez que o TCV, um dos fundos mais importantes do Vale do Silício, faz um aporte significativo em uma startup latina. "Não vamos investir em outras latinas", disse David Zheng, vice-presidente do grupo."Foi uma situação de visão global." 

Além do TCV, vão participar da rodada investidores prévios do Nubank, caso da gigante chinesa Tencent e de fundos como DST Global e Sequoia Capital - outro que também já investiu no Facebook. 

LEIA MAIS: Nubank se tornou o terceiro unicórnio brasileiro

Para Rafael Ribeiro, diretor da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), competir na América Latina é o primeiro passo do Nubank para se tornar uma empresa global, mas haverá desafios.

"É um mercado que ainda tem uma cultura de uso do cartão muito forte", disse. "Por outro lado, entender a língua e a legislação de cada país será um entrave para essa expansão." Para ele, a empresa foi cuidadosa ao escolher o momento de expansão. "Eles souberam se consolidar e fincar alicerces no País antes de seguir em frente."

FOTO: Reprodução/YouTube