Negócios

Novo projeto para o Centro prevê incentivos ao comércio


Batizado de Novo Centro, o plano contempla uma cesta de benefícios fiscais para estabelecimentos comerciais que contribuem para a vitalidade da região, que há tempos sofre de abandono noturno


  Por Mariana Missiaggia 26 de Outubro de 2017 às 12:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


Em quatro décadas, a população de São Paulo dobrou, o boom do mercado imobiliário descentralizou as moradias e o Centro da cidade viveu uma evasão em massa de residentes.

Aumento da criminalidade, falta de limpeza, presença de moradores de rua e depredação do patrimônio público marcaram a região, que tem intensa vitalidade durante o dia, porém vive o abandono noturno.

Hoje, o centro emprega mais de 823 mil paulistanos -o que representa cerca de 19% dos empregos formais de São Paulo.

Já o tradicional comércio popular, que ganhou forma em torno da rua 25 de Março, recebe mais de 500 mil consumidores a cada dia, ultrapassando a marca de um milhão às vésperas de datas comemorativas.

A circulação de tanta gente por um perímetro que engloba bairros como República, Sé, Santa Cecília e outros sete distritos da capital induziu a abertura e o fortalecimento dos mais diversos tipos de negócios na área central.

Lojas, restaurantes, cabeleireiros, academias, entre outros estabelecimentos dão suporte a quem trabalha na região, mas também atraem a população para o centro histórico, especialmente durante o dia.

Reconhecendo a importância do comércio, o novo projeto de reurbanização da região central da cidade batizado de Novo Centro, considera a possibilidade de oferecer incentivos fiscais para os comerciantes.

De acordo com Leonardo Amaral Castro, diretor de desenvolvimento da São Paulo Urbanismo, algumas medidas estão sendo estudadas a fim de beneficiar esses estabelecimentos que de certa forma, dão suporte à vida noturna, reforçando a reocupação desses lugares.

Castro sinaliza que, hoje, a maior parte do que já existe, fecha às 19h, junto com a saída dos trabalhadores do Centro.

“Precisamos ampliar esses horários para que quem visitar ou vier morar na região tenha onde comprar um remédio, um pãozinho ou o que quiser em horários alternativos”, afirma.

PROJETO NOVO CENTRO É ASSINADO PELO ARQUITETO JAIME LERNER
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nesta quarta-feira (25/10), Castro se reuniu com integrantes do Conselho de Político Urbana (CPU) e do Núcleo de Estudos Urbanos (NEU) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) para discutir o projeto assinado pelo arquiteto Jaime Lerner, que foi oferecido à prefeitura pelo Secovi-SP, por meio de uma cooperação técnica.

Entre as diretrizes do projeto estão a criação de bulevares e a melhoria de calçadas, arborização, iluminação, acessibilidade e mobiliário urbano.

Outro ponto do projeto consiste em identificar e potencializar os núcleos de economia criativa presentes no centro, ligados ao teatro, à gastronomia, moda e outras atividades.

VLP PARA TRANSPORTE DE PASSAGEIROS A PONTOS HISTÓRICOS TAMBÉM ESTÁ PREVISTO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Circular Centro, novo modal de transporte, interligará estações de metrô, ônibus e trem à equipamentos referenciais do centro, como a Sala São Paulo e o Theatro Municipal passando por pontos, como Parque Dom Pedro, Mercado Municipal, Luz, Praça Júlio Prestes, Santa Cecília, Arouche, República e Praça Roosevelt.

Ao todo, o circuito percorrerá 14 quilômetros do Centro por meio de um Veículo Leve Sobre Pneus (VLP). De acordo com Castro, uma empresa chinesa já manifestou interesse em doar um veículo elétrico para o projeto piloto.

Para Josef Barat, economista e coordenador do NEU, a revitalização tem que ser entendida não apenas, como algo urbanístico, mas principalmente, como eixo de grande repercussão econômica e funcional. 

A seu ver, a cidade é concebida para o uso do automóvel, restringindo a circulação de pedestres, que especialmente no Centro, com impacto direto no comércio. 

A principal falha dos planos de intervenção urbana está ligada à escala em que esses projetos são pensados. Paralelamente, ele também aponta um problema de adesão por parte da população. É o que afirma Valter Caldana, arquiteto e diretor da faculdade de arquitetura e urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

"Precisamos pensar na escala humana, ou seja, na realidade de uma banca de jornal, da padaria da esquina. Não adianta a Prefeitura investir milhões e esses pequenos negócios também não se movimentarem na mesma direção", diz.  

Apresentado há pouco menos de um mês pelo prefeito João Doria, a proposta é que o Novo Centro seja executado no período de até 12 anos.

FOTO: Pedro Bolle/USP