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No mês das férias, vendas do comércio paulistano caem 9,7%


Além da sazonalidade, clima e efeito-calendário influenciaram o resultado de julho, segundo levantamento da ACSP. Para o Dia dos Pais, previsão é de queda média de 9%


  Por Karina Lignelli 01 de Agosto de 2016 às 19:00

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Tradicionalmente, em razão da sazonalidade, julho está entre os meses mais fracos para as vendas do comércio paulistano. Mas dessa vez, não foram apenas as férias, que esvaziaram a cidade, mas também o efeito-calendário -um dia útil a menos- e o inverno mais ameno influenciaram a queda média de 9,7% ante igual mês de 2015.

Dados do Balanço de Vendas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), mostram que o resultado de julho foi um pouco melhor do que o acumulado no ano, que registra queda de 10,9%, e do semestre, com recuo de 11,1%. 

Segundo Alencar Burti, presidente da ACSP e da Facesp, apesar de retração ainda profunda, o desempenho do varejo parou de piorar. “Mesmo assim, não há uma tendência firme de redução das quedas e de recuperação”, afirma.

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Mesmo com uma variação interanual muito forte, o resultado mostra que o cenário não deve  piorar para o varejo paulistano. “Permanece a expectativa de que, à medida que o final do ano se aproxima, essas quedas fiquem cada vez mais leves”, diz Emílio Alfieri, economista da ACSP.

Outro fator que pesa na expectativa é a volta da confiança do consumidor, ainda que em ritmo de câmera lenta, de acordo com Alfieri. Porém, ela está mais no campo das expectativas futuras do que na percepção atual do consumidor quanto ao desemprego e à queda na renda.

“O varejo chegou ao fundo do poço, mas ainda não começou a subir. Por isso, a recuperação será gradual, não linear”, afirma.

DIA DOS PAIS

De acordo com o Balanço da ACSP, em julho o movimento de vendas a prazo caiu 5,4% na comparação com julho de 2015. A restrição do crédito pelos bancos foi compensada pela volta do “velho crediário” nas lojas, de outro, o que influenciou uma queda menor, segundo Alfieri.

No caso das vendas à vista, a queda foi maior na comparação interanual, de 14%. Além da ausência do frio, o consumidor não tem mais renda disponível para fazer compras à vista, além de sentir no bolso o peso da inflação dos alimentos, afirma o economista. 

Já a comparação com junho também desfavoreceu o resultado de julho, já que queda média foi de 4,2% na comparação mensal. Mesmo no atual cenário econômico, o sexto mês do ano registrou queda de apenas 1,5% ante maio, quando as vendas despencaram 13,8%. 

O resultado foi considerado excepcional, porém circunstancial: o Dia dos Namorados, o frio intenso, que puxou as vendas de agasalhos, cobertores e edredons, além da antecipação do feriado de Corpus Christi para maio ajudaram a diminuir a queda. 

"Ou seja, foi uma fotografia do momento", afirma Alfieri. 

Para o Dia dos Pais, o desempenho não vai ser muito diferente dos meses anteriores: segundo o economista, a perspectiva da ACSP é de uma queda média de 9% nas vendas para a data.  

Além de disputar o quarto lugar em vendas com o Dia das Crianças, o consumidor que for presentear os pais dará preferência a artigos pessoais. "Ele só vai comprar se tiver algum dinheiro. Por isso o desempenho não deve ser tão significativo", conclui.

Foto: Fátima Fernandes