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No Brás, promoções e sorteios puxam vendas do Dia das Mães


Vendas pelo Instagram e Whatsapp, brindes e descontos em peças selecionadas, como na Mamô (acima) são algumas das táticas dos lojistas para atrair clientes para a segunda maior data do varejo


  Por Karina Lignelli 20 de Abril de 2018 às 08:00

  | Repórter lignelli@dcomercio.com.br


Na Cassia Segeti, quem abastece a loja concorre a descontos e prêmios: basta estourar um balão. Na Gazzy, o foco são as vendas pelo Instagram, Facebook e Whatsapp, com frete grátis a partir de R$ 500. Já a Mamô oferece “20% off” em itens selecionados da nova coleção.  

Em tempos de retomada gradual da economia, e a pouco mais de 20 dias da segunda principal data no varejo, o Dia das Mães, lojistas do Brás já se movimentam para impulsionar as vendas, com previsão de crescer de 2% a 3%, de acordo com Jean Makdissi Jr., conselheiro da Alobrás (Associação de Lojistas do Brás) e sócio da Intima Store.

Na loja, batizada com o nome de sua proprietária e estilista, especializada em moda feminina “executiva-evangélica de grife”, como define a vendedora Ângela Maria de Oliveira Gatto, começou a dar certo a tática de sortear descontos de 10% e prêmios, como camisetas baby look.

Tanto que as vendas já cresceram 12% acima de 2017 nesse período que antecede o Dia das Mães, com o estímulo às compras para os atacadistas, segundo Cassia Segeti. 

“Começamos as ações antes porque os lojistas têm de estar com as coleções prontas antes”, diz ela, ao prever que o aumento nas vendas deve chegar a 15% até a data.

ANGELA, DA CASSIA SEGETI: ROUPA DE GRIFE

O portal decorado com flores na entrada da Gazzy procura atrair os clientes para a promoção “Amor de Mãe”. A postagem de looks no Instagram e Facebook tem ajudado a fechar negócios pelo Whatsapp. No e-commerce, o frete grátis é o chamariz.

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“O ano começou tranquilo, mas com as chamadas para o Dia das Mães, as vendas começaram a aumentar”, afirma o gerente Maicon César. A seu ver, os clientes só estão esperando esfriar para comprar mais. “E quando esfriar... Vamos crescer cerca de 30% nas vendas.”

Também a Mamô conta com o fator clima para ver o movimento de vendas crescer. Na loja, que acaba de fazer a integração de canais entre atacado, varejo e e-commerce, a ação de oferecer desconto de 20% em peças da nova coleção gera a expectativa de aumento de 10% na comercialização de peças até o Dia das Mães.

“O desconto é para peças que temos em boa quantidade no estoque”, afirma a gerente de marketing Elaine Teles. Os itens da promoção são selecionados e não vêm de coleções anteriores. “O atacado já começou a comprar. Se o frio chegar, será um atrativo a mais para as vendas”, acredita.

TIMIDEZ NA RETOMADA

Apesar de as placas de “aluga-se”, tão comuns nos últimos três anos, terem praticamente desaparecido das ruas do Brás, novas lojas surgiram.

Mas ainda há pouquíssimo movimento nelas –cenário que parece confirmar os últimos números do IBGE, que apontam queda no desempenho do varejo de vestuário em fevereiro.

No tradicional reduto atacadista procurado por lojistas de várias partes do Brasil e do mundo, há uma expectativa de retomada mas ainda é muito tímida, de acordo com Jean Makdissi Jr.

“Tivemos meses positivos, mas no ano passado estimamos perdas de 2% nas vendas, que ainda precisam ser recuperadas”, afirma. “Em 2017 o frio chegou antes, mas agora está demorando a chegar. É cedo para falar em melhora significativa.”

MAICON, DA GAZZY: REDES SOCIAIS E FRETE GRÁTIS

Apesar das expectativas de aumento nas vendas de eletrodomésticos com a queda nos juros e o alongamento dos prazos, o consumidor ainda não está gastando tanto, segundo ele. Com isso, os itens de vestuário continuam sendo uma das opções de presente mais comuns.

“A procura acaba aumentando por se tratar de produto de maior valor agregado, que agrada mesmo quando se gasta menos.”

Vendedora há mais de 20 anos no Brás, Mônica Machado Ribeiro, da It Look, confirma. Segundo ela, apesar da melhora, o consumidor ainda foca em preço baixo. Muitas vezes, comprando até produtos de baixa qualidade, resultado da forte concorrência com artigos made in China.

“A saída tem sido o Instagram e o Whatsapp: fazemos muitas ações para mostrar nossos looks nas duas redes, e o atacado já está comprando”, afirma ela, ao apostar em 10% de crescimento nas vendas para o Dia das Mães nas duas lojas da marca.

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Sem oferecer grandes promoções e sem altos investimentos, boa parte dos lojistas da região está em compasso de espera: seja do frio, seja do ânimo do consumidor em comprar.

“É o que a gente orienta: mantenha a loja abastecida e faça um trabalho forte de redes sociais. Porque se as coisas melhorarem, você estará pronto”, afirma Makdissi Jr, da Alobrás.

Na galeria abaixo, confira um pouco mais do que as lojas do Brás prepararam para o Dia das Mães. 

FOTOS: Karina Lignelli/Diário do Comércio