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Morre Sergio Marchionne, o CEO que salvou a Fiat


Responsável pela vigorosa recuperação da companhia italiana, ele estava internado em um hospital de Zurique, após complicações de uma cirurgia


  Por Estadão Conteúdo 25 de Julho de 2018 às 10:25

  | Agência de notícias do Grupo Estado


A abrupta antecipação do fim de uma era na Fiat fez as ações da montadora fecharem em queda nessa segunda-feira (23/07), na Bolsa de Milão.

Diretor-presidente da Fiat-Chrysler, que inclui ainda marcas como Ferrari e Jeep, Sergio Marchionne, 66 anos, havia sido afastado do comando do grupo após sofrer complicações de uma cirurgia e está internado em estado crítico.

Ele morreu nesta quarta-feira (25/07), aos 66 anos de idade, em um hospital de Zurique, na Suíça, onde estava internado em estado grave.

O executivo é considerado o "salvador" da companhia, recuperando a multinacional italiana e transformando-a mais uma vez em uma potência internacional.

O baque foi sentido pela Fiat - cujas ações chegaram a cair 4% no pregão de segunda-feira, fechando em queda de 1,5% -, ainda que a aposentadoria de Marchionne estivesse programada para 2019.

A companhia já anunciou um substituto: Mike Manley, de 54 anos, vai assumir o grupo. Britânico, Manley vinha comandando os negócios nas marcas Jeep e os caminhões Ram, duas das unidades mais rentáveis da Fiat.

Quase uma década e meia atrás, ao entrar pela primeira vez na Fiat, Marchionne fez um diagnóstico nada lisonjeiro sobre a companhia: "Esse lugar cheira a morte." Na época, o grupo somava dívidas de ? 14 bilhões, após um prejuízo global de ? 1,6 bilhão no ano anterior. A italiana era, então, considerada uma empresa moribunda.

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Até então desconhecido nos meios empresariais italianos, Marchionne foi descoberto pela família proprietária da montadora após a morte de Umberto Agnelli, último do clã a exercer a presidência. A recuperação começou com a renegociação de dívidas e um choque de gestão. Mesmo seus colaboradores mais próximos eram observados e, eventualmente, defenestrados pelo chefe.

Foi o que aconteceu com o todo-poderoso presidente da Ferrari Luca de Montezemolo, demitido em 2014 apesar de ter projetado a marca internacional da fabricante de automóveis de luxo e construído uma escuderia vencedora na Fórmula 1, em parte graças ao piloto Michael Schumacher.

Ao longo dos anos de poder, Marchionne superou as resistências, renegociou de contratos trabalhistas, fechou fábricas e conseguiu cortes de dívidas e acordos inesperados para a injeção de recursos no caixa da empresa.

Em 2009, quando a Fiat ainda era considerada uma empresa em crise, e o setor automotivo enfrentava a turbulência financeira internacional, o empresário surpreendeu o mundo com a aquisição da Chrysler - e sem pagar nada por ela.

Orgulho industrial italiano, a Fiat passou a ser negociada nas bolsas de valores de Wall Street e de Milão. Comandado a partir de Detroit, nos Estados Unidos, e de TuriM, na Itália, o novo grupo ganhou espaço e hoje vale mais de US$ 60 bilhões, dez vezes mais do que em 2004, em boa parte por causa da Jeep.

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Internado para uma cirurgia nos ombros descrita como banal, Marchionne agora estava internado em Zurique, na Suíça, em estado descrito pela companhia como "irreversível".

Além de anunciar o novo presidente, John Elkann, neto de Gianni Agnelli, discípulo de Marchionne e diretor presidente do fundo Exor, holding familiar que detém 30% da Fiat e 23% da Ferrari, assumirá a marca de automóveis esportivos de luxo. 

FOTO: Youtube