Negócios

Modelo de venda da Fnac Brasil ainda não foi definido


Sem revelar os resultados de 2016, Arthur Negri, o presidente da subsidiária, afirmou que empresa registrou prejuízo no ano passado


  Por Estadão Conteúdo 02 de Março de 2017 às 09:44

  | Agência de notícias do jornal O Estado de S.Paulo


Um dia depois de informar em seu balanço financeiro global que as operações da Fnac no Brasil serão descontinuadas, o presidente do grupo no País, Arthur Negri, afirmou que a companhia tenta buscar um sócio - estratégico ou fundo de private equity (que compra participações em empresas) - para a subsidiária brasileira.

NEGRI: EM BUSCA DE SÓCIO

O jornal O Estado de S. Paulo apurou que o Santander tem mandato para assessorar a varejista no País.

Negri, que assumiu há um mês o comando da companhia, disse que esse processo é recente e que não há um modelo definido para a venda do negócio - se uma parte ou total. Também não descarta franquear a operação no Brasil.

Na terça-feira, ao divulgar o balanço global do grupo, que se uniu com a varejista de eletroeletrônicos Darty, o presidente da companhia francesa, Alexandre Bompard, disse que, com exceção do Brasil, os mercados onde a Fnac Darty atuam têm potencial para crescimento.

Negri confirmou que o foco do grupo é a Europa. No entanto, descartou que a companhia, com 12 lojas no País, deixará o Brasil no curto prazo.

Enquanto busca um sócio, sua função será ajustar os custos e tirar a operação do vermelho. "Fechar loja não é premissa." Sem revelar os resultados de 2016, Negri afirmou que empresa teve prejuízo no ano passado.

Em 2015, as operações do Brasil encerraram com receita de 138 milhões de euros. "No ano passado, as vendas ficaram no mesmo patamar."

Fontes a par do assunto reafirmaram na quarta-feira, 1º, ao jornal O Estado de S. Paulo que se não encontrar "o parceiro", a empresa deverá deixar o País. "O setor editorial como um todo e o de eletroeletrônicos estão dificuldades."

A Fnac chegou ao Brasil em 1998, com um modelo de megastore inovador - unindo a venda de livros, CDs e de eletroeletrônicos. Mas, nos últimos anos, o fraco desempenho de vendas fez a companhia revisar os tipos de produtos vendidos.

ERRO

Para Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo, o erro da Fnac foi não ter feito a revolução digital. "Eles mantiveram um modelo de negócio de 10 a 15 anos atrás num segmento (de livros e eletrônicos) onde o e-commerce avança."

De acordo com o último relatório Webshoppers, da E-bit, que traça uma radiografia do comércio eletrônico no País, livros e itens de telefonia e informática, que são o foco de vendas da Fnac, ocupam a 3ª, a 5ª e a 7ª posições, respectivamente, no ranking de produtos mais vendidos pela internet.

Terra atribuiu ao modelo de negócio obsoleto no País a pouca relevância da subsidiária brasileira dentro do grupo francês - que tem menos de 2% da receita total.

Somado a isso, a operação brasileira ficou ainda mais diluída com a aquisição da varejista Darty pela Fnac.

O jornal O Estado de S. Paulo apurou que o Santander tem mandato para assessorar a varejista no País.

FOTO: Estadão Conteúdo e Linkedin